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Com a GULA me Conquistas

Com o seu estilo próprio e vontade de se afirmar no mundo da música, os GULA nascem da vontade de cinco amigos de mostrarem aquilo que fazem de melhor. De fazerem um “banquete” musical de maneira a que os seus fãs possam usufruir de todos os sons produzidos como se de um manjar dos deuses se tratasse. É ainda de valorizar a vontade desta banda de manter as suas letras em português. Consideraram ainda o seu EP “Ano da Fome” como um grito de protesto à crise em que o país está. O Repórter Sombra esteve à conversa com eles. Vê, então, o que daí resultou.

Como surgiram os GULA?

Na altura, surgiu da vontade de 3 amigos de fazer algo novo e diferente do que andávamos a fazer com as bandas que tínhamos. Sem grandes restrições, ou planos, as únicas premissas que tínhamos era criar algo que nos agradasse e que fosse em português, pois todos os projectos que tínhamos tido anteriormente eram em inglês e queríamos ter esse desafio de “musicar” em português.

São todos gulosos?

Sim, mas duma forma saudável, se é que há gula regrada, pois o conceito implica um certo excesso… digamos que a nossa fome é mais musical do que outra coisa.

Sendo a gula um dos 7 pecados mortais, acham-se pecadores?

Isso é uma pergunta difícil de responder, pois dentro da banda temos todos os tipos de posição em relação à religião, desde ateus a crentes. Por isso, terias que fazer essa pergunta individualmente. Não te podes considerar um pecador, se não te identificas com essa visão do mundo, não é?

Conseguem relacionar o vosso género e até mesmo as vossas músicas, com estímulos sensoriais ligados à comida? As mesmas sensações de prazer e satisfação, depois de comer, que se possam sentir, depois de vos ouvir?

Nunca tínhamos visto as coisas dessa maneira, ou feito essa associação directa com a comida, mas, já que a fizeste, acho que a nossa música pode ser vista como um manjar de vários sabores, cores e texturas. Esperamos que deixe as pessoas que nos ouvem tão satisfeitas como nós ficamos ao “confeccionar” este banquete.

O que vos torna diferentes das outras bandas alternativas?

Penso que seria demasiado pretensioso responder a isso enumerando factor x, ou y e nem sei como faze-lo, pois não nos cabe a nós pensar, ou dizer isso. A única coisa que posso dizer é que os GULA têm o seu próprio universo e que a nossa música soa ao que soa, pois é a mistura única de 5 personalidades bastante distintas e de todas as influencias que cada um traz.

O que são esses “sons ambientais” que misturam com o vosso Rock?

Não diria sons ambientais, pois parece que estás a dizer que misturamos sons da natureza, ou algo parecido com a nossa música e não é o caso. O que fazemos é explorar ambientes, ou texturas musicais diferentes, que tornam as nossas músicas uma viagem, ora mais introspectivas, ora mais explosivas. Não somos uma banda de post-Rock, ou de progressivo, mas temos algumas influências desse espectro do universo Rock.

2013 foi um grande ano para os GULA, o ano de lançamento por assim dizer. Pela vossa perspectiva, o que foi passar por tudo isto? Vencer um concurso, lançar EP’s, concertos.

Antes de mais uma pequena correção, não vencemos nenhum concurso, chegamos à final do Festival de Corroios de 2013.

Tendo dito isto, 2013 foi um ano importante da vida dos GULA, pois demos os primeiros passos para nos afirmarmos enquanto banda. Vemos todas estas pequenas vitórias como passos para crescer e tornar GULA num projecto com o seu lugar no panorama nacional.

Como chegaram até ao programa 5 para a Meia-Noite?

Duma maneira bastante normal, o Luís Filipe Borges tomou contacto com a nossa música, gostou bastante do EP e convidou-nos para ir apresentá-lo ao 5 para a Meia-Noite. Estamos muito agradecidos pela oportunidade que nos deu para mostrar a nossa música, num programa que gostamos e num meio que chega a tanta gente.

Num contraponto ao nome da banda, o vosso principal EP chama-se “O Ano da Fome”, porquê? Tem alguma mensagem subjacente à crise pela qual passamos? Uma mensagem de solidariedade, por exemplo.

A ideia era mesmo ter esse contraste como o nome da banda, ao mesmo tempo que se punha o dedo na ferida. 2013 foi um ano difícil para Portugal e para os portugueses e o EP é em parte um protesto contra o estado actual deste país, mas também uma certa mensagem de alento e pro-actividade.

A verdade é que estamos todos no mesmo barco e não chega queixar-nos de que este país está mal. Há que realmente tentar fazer alguma coisa para mudar a situação actual.

Para quem não conhece, o que é o MAR?

O MAR (Movimento Alternativo Rock) é um colectivo com quase 6 anos de músicos/bandas, que se entre-ajudam para promover o Rock (e não só) cantado em português. Como costumamos dizer,“somos marujos no mar ora revolto, ora ameno da música portuguesa e da produção nacional.” Para quem quiser saber mais passe por http://www.facebook.com/MovimentoAlternativoRock.

Depois de um 2013 preenchido, como tem corrido 2014?

2014 foi passado maioritariamente na sala de ensaio e no estúdio, a trabalhar arduamente no nosso álbum de estreia “11º Canto”, que sairá, em breve, pela editora MIMS.

Depois de meses, na sala de ensaio a compor e a pré-produzir as músicas, fomos para estúdio com o produtor Fernando Matias e podemos dizer que estamos orgulhosos do produto final. Sentimos que temos um álbum forte e estamos ansiosos para partilhar com as pessoas aquilo para o qual trabalhamos com tanto afinco e dedicação.

Que planos têm para o resto do ano e para 2015?

Dar a conhecer a viagem que é o “11º Canto”, tanto através do álbum, como tocando-o ao vivo, e acima de tudo crescer. Ainda há muito caminho para palmilhar e muitas pessoas para dar a conhecer a nossa música.

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Inês Faro

Estudante de Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade. Vivo para a música e grande parte dos meus interesses está nessa arte, nesse mundo tão vasto e com tanto ainda por descobrir.

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