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Cheira bem, cheira a Sardinha

Cheira bem, cheira a Lisboa”, cantava já a Amália, na famosa música sobre Lisboa. Dizia ela que o cheiro da maior cidade portuguesa é bom por ser composto por uma variedade de coisas que nem prestamos atenção no dia-a-dia. A terra depois da chuva, as flores e o mar são alguns dos elementos que a cantora evoca. No entanto, neste mês de Junho, principalmente nos dias 12 e 13, o cheiro de sardinha assada invade a Lisboa.

Quem não conhece, ou nunca ouviu falar da famosa festa de Santo António em Lisboa? Quando a cidade está cheia, literalmente, de pessoas a passear, a falar e a conviver. Começando no dia 12 de Junho à noite, a festa estende-se até de madrugada, com música, danças e comida. Sim, comida. Para além do caldo verde e das bifanas, as sardinhas, assadas na rua mesmo, ocupam um lugar de destaque, num momento em que famílias inteiras esperam longas filas para conseguir algumas. A sardinha, este peixe pequeno, conquistou, para além de um produto gastronómico de eleição, um lugar simbólico – não só entre os lisboetas, mas um pouco por todo o país.

Conta a história que tudo começou no início do século XXI, sendo mais exactos, em 2003, quando, no atelier Silva Designers – um atelier de design de comunicação – foi desenhada a Sardinha. Tratou-se de um pedido da EGEAC (Empresa Municipal de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural) e conta actualmente com mais de uma década de vida. Desde o início, a Sardinha afirmou-se como símbolo das Festas de Sto. António e tornou-se cada vez mais forte, junto do público, mas também pelo impulso, ou talvez pela oportunidade que, a partir de 2011, começou a ser dada a todos de dar asas à sua imaginação e fazer a sua Sardinha. O slogan deste ano, para o concurso de decoração das Sardinhas, foi “Que Sardinha és Tu?”, onde os participantes podiam responder à pergunta, através da sua criatividade. O concurso da Silva Designers, que acabou no dia 7 de Março, desafiou designers, artistas, criativos, mas também toda a comunidade a nível nacional e internacional, criando, assim, um envolvimento entre a sociedade e este símbolo.

Hoje, a sardinha é reconhecida como símbolo da capital portuguesa, até além-fonteiras. Depois de onze anos, podemos afirmar que a encomenda dada pela autarquia à empresa Silva Designers tornou-se história e o símbolo, ainda tão recente, obtivesse o gosto popular. Jorge Silva, Director Criativo responsável pela competição e co-autor do livro 500 Sardinhas, disse numa entrevista dada à revista MaisSuperior, que a Sardinha foi transformada num fenómeno de massas e numa fonte de negócio, que tem um efeito de bola de neve, afirmando mesmo que “é o triunfo de uma marca”. O criativo explica que o sucesso da Sardinha como ícone da cidade de Lisboa deve-se ao facto dela representar “uma das experiências sensoriais mais agradáveis das festas de Lisboa” e por ser uma imagem bastante neutra, as pessoas podem “aplicar às mais desenfreadas fantasias visuais”.

De um produto alimentar básico, por ser barato e acessível a todos, considerada também de “comida dos pobres” no passado, hoje, a Sardinha não é só um produto alimentar. Ganhou o estatus de símbolo e também de elemento identificador das Festas de Lisboa.

Nota: A imagem, de autoria de Sara Infante, foi uma das  “Sardinhas Vencedoras Festas de Lisboa ´14“.
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Silvia Burlacu

“Escrever é uma maneira de pensar que não se consegue pelo pensamento apenas. Todos os constrangimentos sintácticos e gramaticais da escrita, em vez de nos reprimirem, levam-nos a encontrar frases que não existiam antes de serem escritas, que não podiam existir de outra forma.”
Miguel Esteves Cardoso

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