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Chanel 2.55 – muito mais do que uma clássica carteira preta

A corrente metálica, ou as costuras que formam um padrão diamante são talvez as características mais icónicas da carteira Chanel 2.55 e que a tornam num objecto de desejo para qualquer mulher. Jackie Kennedy Onassis e Diana de Gales são algumas delas. Vamos conhecer um pouco da sua história.

Grabrielle “Coco” Bonheur Chanel abria, em 1919, numa das mais prestigiadas ruas parisienses, no 31 da Rue Cambom, uma boutique. Não era a primeira, visto já ter tido uma experiência semelhante na cidade costeira de Deauville. Porém, seria só no pós-guerra que Coco Chanel se afirmaria como um dos principais nomes da alta-costura. Adepta de uma imagem descontraída, casual, mas, simultaneamente, feminina, apesar de rejeitar o uso do espartilho, apostou na confecção de roupas de luxo, destinadas ao dia-a-dia, nomeadamente para o desporto e tempos livres, e no uso de materiais mais humildes, como malhas e tricot, usados habitualmente na roupa interior masculina.

Depressa alargou o seu leque de ofertas, apostando, para além da gama de roupa, em chapéus e outros acessórios, em jóias e perfumes e a sua empresa, em vésperas da II Guerra mundial, empregava já quatro mil funcionários.

O seu sentido prático não se coadunava com o habitual uso de carteiras que à época se usavam, desenhando uma carteira que permitisse ter as mãos livres, adicionando finas tiras, tal como os sacos dos soldados. Foi, assim, que surgiu a antepassada da actual 2.55, comercializada pela primeira vez em 1929.

Já na década de 50, a carteira foi actualizada, parecendo-se com a versão que actualmente conhecemos e cujo nome se reporta à data do seu lançamento: Fevereiro de 1955. A corrente metálica permite usar-se como uma alça comprida, ou duas mais pequenas. O primeiro modo permite colocar a carteira ao ombro e, no segundo, no antebraço. A corrente fazia lembrar as correntes dos molhos de chave que se usavam no convento onde cresceu, bem como o forro bordeaux, que se diz ser inspirado nas cores dos uniformes. No interior da aba, existe um pequeno bolso com fecho éclair, onde Coco Chanel guardaria as suas cartas amorosas. Ao padrão diamante, reproduzindo um efeito acolchoado, atribuiu-se a duas diferentes inspirações: aos vitrais da Abadia de Aubazine, ou aos casacos de equitações dos jóqueis.

O fecho de torção frontal original tinha forma rectangular, denominado de fecho Mademoiselle, como referência ao facto de Coco Chanel nunca se ter casado.

coco-chanel

No entanto, na década de 80, com a chegada de Karl Largefeld à Casa Chanel introduziram-se pequenas alterações. A corrente metálica é trespassada por uma tira de couro e o fecho rectangular é substituído pelo duplo C, logótipo da marca.

Para comemorar o quinquagésimo aniversário da criação do original, foram lançadas cópias exactas da carteira original, em Fevereiro de 2005, sob o nome de “Reissue 2.55.”

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Pedro Urbano

Nasceu em Lisboa em 1979, tendo frequentado o antigo Liceu de Setúbal. Licenciou-se em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e é actualmente doutorado em História pela mesma Universidade, onde também concluiu o mestrado em História Contemporânea.

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