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Camilla Läckberg, a menina de Fjällbacka

Até ao momento, li todos os livros de Camilla Läckberg que consegui apanhar. São viciantes e mal posso esperar pelo próximo.

Gosto muito da forma que a autora tem de escrever, limpa, clara e organizada. Talvez tenha a ver com a explicação de como mudou de carreira: Camilla Läckberg era economista e só arriscou na escrita (policial) profissional, depois de frequentar um curso de escrita policial. A maneira objetiva, clara, os hooks que a autora utiliza, parecem-me todos derivados de uma escrita que mistura o gosto, a naturalidade e a inspiração com a técnica, o trabalho e a aprendizagem.

O que mais gosto dos livros de Camilla Läckberg, é que todos contam várias histórias ao mesmo tempo, prendendo-nos, através dos vários mistérios que prometem ser revelados. Temos a acção central, o homicídio, o que despoleta a escrita do livro, mas, ao mesmo tempo, acompanhamos também a história de amor e de família de Erica e Patrick, que os torna pessoas reais, em vez de personagens policiais. Além disso, paralelamente, vamos descobrindo mais uma história enigmática, que não conseguiremos perceber qual será o seu significado, o porquê de estar ali, até quase ao final do livro. Spoiler alert: geralmente, está ligada à acção central.

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É curioso, porque esta terceira história de que vos falo é revelada ao leitor, mas não necessariamente aos personagens. Para o leitor, o círculo pode fechar, as peças do puzzle podem alinhar, só que para os personagens da história tudo continua tão estranho, deslocado e inexplicável, tal como acontece, na maioria das vezes, na vida real. Gosto dessa forma de resolver a verdade. Tenho uma tendência bipolar no que toca à literatura: gosto tanto de descobrir as respostas e de que tudo faça sentido, como gosto do sabor mais realista da ficção, em que há um pequeno mistério que nunca se vai resolver. Camilla Läckberg aborda esta questão de uma forma simples. Nós ficamos a saber, mas os personagens não. Como se brincasse connosco, como se nós fôssemos personagens de livros omniscientes e os personagens do livro fossem as pessoas reais, que nem sempre conseguem todas as respostas.

Para não tornar o artigo muito cansativo, só vos abro o apetite com o primeiro livro, A princesa de Gelo. Ficamos a conhecer Erica Falk, uma escritora natural de Fjällbacka, que se depara com a morte da sua amiga de infância, Alex, quando regressa à sua cidade-natal. Curiosa por natureza, Erica vai tentar resolver e encontrar respostas para esta tragédia, enquanto se lembra do passado e de várias questões com Alex que ficaram pendentes. Terá Alex sido assassinada? Terá sido suicídio? Na sua busca, terá de trabalhar ao lado de Patrik Edstrom, um dos polícias de Fjällbacka, que ela conhece desde muito jovem, ajudando-se mutuamente. Aqui começa a história de Erica e Patrik, que acompanharemos ao longo dos restantes oito livros que a autora já tem disponíveis (nem todos em português), a par e passo com os crimes que Camilla Läckberg nos oferece.

Fica agora a vosso critério se vão, ou não, permitir-se ler estes livros viciantes.

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Rosa Machado

Por ser curiosa e fascinada pelo que não compreendo, considero-me uma devoradora de livros e uma criadora compulsiva, seja de contos no papel ou de histórias mirabolantes no dia-a-dia. Adoro animais, fotografia, música e filmes – arte em geral. Perco a noção do tempo com conversas filosóficas sobre nada, longas caminhadas para parte nenhuma, conversas exageradas com os amigos, e séries com ronha no sofá.

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