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Camden Town

Onde Charles Dickens caminhou em busca da inspiração para a sua fabulosa obra literária ouviram-se os primeiros rumores vindos da escuridão de uma casa não muito longe. Esses rumores rapidamente confirmaram-se e o mundo cedo chorava a morte de Amy Winehouse. A algumas ruas de distância Chris Martin provavelmente estaria a retocar as faixas negras da sua mão. Tudo porque em Londres há um local que chama as pessoas por uma aura muito própria, orgulhosamente criada pelos seus habitantes ao longo de décadas a saberem viver.

Camden Town não é propriamente um segredo, mas também não é um daqueles locais que os roteiros turísticos tendem a massificar. É no entanto para muitos um local de paragem obrigatória quando se visita a capital britânica. Os seus mercados são o cartão de visita e nele pode-se encontrar todo o tipo de artigos, de alimentares aos despojos de um assalto a um museu vintage.

No famoso Camden Lock Market encontra facilmente livros em segunda mão, cerveja artesanal e artesanato com destaque para o bric-a-brac, peças de arte vitoriana como bules, xícaras, cascas de ovo esculpidas e outros. Este mercado localizado em antigos armazéns é um dos melhores locais que irá conhecer para se deliciar com comida de rua dos cinco continentes. A degustar lentamente junto à margem do canal.

Outro mercado que se tornou de visita obrigatória é o Stables Market. A formar o carácter deste espaço está a política que proíbe a abertura de lojas das grandes cadeias de comércio. Aqui não encontramos as marcas que promovem o nosso consumo mas temos ao nosso dispor uma ampla gama de artigos de sub-culturas como a gótica. Aqui encontramos também um verdadeiro ex-libris pouco conhecido (e recomendável…), a loja espectáculo Cyberdog. Assim que entra pode parar e ficar a ver as dançarinas em trajes reduzidos. Depois por entre o som tecno em alto volume e o ambiente escuro  decorado com luzes roxas, amarelas, laranjas, todas numa gama florescente, encontra todos os artigos que julga serem essenciais a qualquer rave digna desse nome em qualquer parte do mundo. Desde botas com solas de 20 centímetros, t-shirts e maquilhagem que brilham no escuro e toda uma parafernália de objectos incluindo uma secção exclusiva a maiores de 18. Toda a loja é quase um museu do submundo “tecno-undergroung” onde apenas parecem faltar potes com ecstasy e garrafas de água.

Voltando ao extrior, quando percorrer a Camden High Street vai-se perder pelas inúmeras lojas de roupa, calçado, recordações, estúdios de tatuagem, etc. Estas lojas combatem em criatividade na decoração das fachadas dos pequenos edifícios em que se localizam criando uma galeria de arte a céu aberto que será muito provavelmente o mais conhecido cartão de visita de Camden.

Todo este ambiente que os clichés atiram para o alternativo (seja lá o que isso significa) deve-se às pessoas que vivem em Camden Town, ou que que vivem para Camden Town. Nas ruas vai encontrar todo o tipo de pessoas e estilos com as suas indumentárias que perfazem um catálogo sociológico. Olhas, mas não estranhas nada nem ninguém porque ali a única pessoa estranha é aquela que repara nessas coisas…

Vai encontrar igualmente os melhores artistas de rua de Londres. Cartoonistas e cantores dedicados a covers tentando vender os dotes vocais e autênticas representações teatrais. Numa só tarde vi uma bateria completa no meio da rua, guitarras ligadas aos seus amplificadores, duas figuras vivas do mundo da Alice de Andy Carroll e um ginasta-dançarino em idade respeitosa a dançar em tronco nu estranhamente bronzeado para o clima de Londres.

Naturalmente que Londres é uma cidade que vive ricamente com a ajuda dos seus famosos marcos históricos e há inúmeros pontos de visita obrigatória realizadas ao ritmo do tempo medido pelo Big Ben. Há dos melhores museus do mundo às tradições associadas à família real como o render da guarda. Há ruas e praças históricas como Piccadilly Circus. Há relaxantes parques como o Hyde Park. Se gosta de sentir a vida, observar viver e assim conhecer um pouco melhor deste mundo, Camden Town é um local que se torna obrigatório para si, já depois de se ter tornado um local de culto para muitos outros.

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André Araújo

Licenciado em história da arte, é a arte das histórias que me move neste mundo. Os mundos de Homero e de Virgílio, de Kafka e de Marquéz, de Bukowski e de Fante, são onde encontro as palavras que me definem e me atormentam, na contínua aprendizagem pessoal para construir o MEU próprio mundo.

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