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Calçada à moda portuguesa

As pedras de calcário e basalto juntaram-se e a terra batida foi coberta por belos e deslumbrantes tapetes de desenhos. Desde aí, sobrevive, muitas vezes esquecida por aqueles que descem e sobem a rua, a Calçada Portuguesa.

O preto e o branco são as cores tradicionais, mas o bege-acastanhado e o rosa-alaranjado, ou avermelhado também criam os contrastes dessas ruas tipicamente portuguesas. O calcetamento com pedras de formato geralmente irregular de calcário e basalto, ou de calcário claro e calcário negro, que podem ser usadas para formar padrões decorativos, dá origem à Calçada Portuguesa mais típica.

É uma herança histórica dos Romanos, mas uma forma de arte muito portuguesa. Este pavimento artístico é parte integrante da nossa história e cultura. Foi no século XIV, durante o reinado de D. João II, que esta expressão cultural se acabou por impor. Porém, com o grande terramoto de 1755, em Lisboa, reconstruíram-se os edifícios, abriram-se novas ruas e recuperaram-se antigas. Nesse momento, o pavimento escolhido foi aquilo que hoje conhecemos como Calçada Portuguesa.

Padrões de ondas, caravelas, peixes e muitos outros desenhos relacionados com a cultura marítima da cidade inundaram a capital portuguesa, que mais tarde também foi ilustrada com os nomes e logótipos de espaços comerciais. Lisboa tornou-se, então, a cidade referência desta manifestação genuína da tradição portuguesa que se espalhou por todo o mundo.

Foi exportada para Espanha, França e outros países da União Europeia, para a Austrália, Estados Unidos da América, Japão e China. É uma marca lisboeta e nacional. E, hoje, é reconhecida e apreciada internacionalmente.

Contudo, apesar de ser parte da identidade nacional, esta arte pode tornar-se apenas parte da história. O número de calceteiros tem vindo a diminuir, o pavimento é bastante escorregadio, quando chove, e exige uma manutenção constante. E, por isso, surgiu, recentemente, a hipótese de se substituir a Calçada Portuguesa por outros pavimentos nalguns locais.

Em contrapartida, também surgiram “novos calceteiros”. Patrícia Simões e Tiago Custódio procuram falhas na calçada portuguesa desde Dezembro de 2013. Quando as encontram, preenchem-nas com cubos revestidos de tricot. A dupla do projecto neoFOFO dá novas cores à Calçada Portuguesa.

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Andam de olhos no chão. Aqui e ali, encontram ruas onde faltam algumas pedras. Andam de olhos no chão e reparam na Calçada Portuguesa, pavimento que todos pisamos sem, muitas vezes, pensar no quão português é.

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Marisa Mourão

Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. É apaixonada por uma boa história. Ainda é das que acredita que os media podem ajudar na construção de uma cidadania ativa.

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