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Caçadores de amor, sem preconceitos

Dizem que o coração não tem olhos, mas que escolhe sabiamente. Desde os tempos primitivos que o homem e a mulher acasalam, sobretudo, para preservação da espécie. Agora que sabemos que temos população suficiente para o mundo se aguentar, vamos lá ao prazer!

Os caçadores de amor, típicas figuras intemporáveis, podem ser mencionados como os inconsoláveis. Descendentes de Vénus, procuram o amor incessantemente, por motivos diversos. Entenda-se que esta espécie, que se vai revelando cada vez mais aos comuns mortais, não tem como objectivo alcançar o seu parceiro para a vida, até porque, na sua maioria, é exactamente por já terem um parceiro que vão buscando outro tipo de amor.

Que amor é esse que justifique uma relação extra-conjugal – que na nossa inferior língua, se denomina por “traição”? Um amor a si mesmo, porém, não chegando ao egoísmo. Uma arte em nome do amor, por amor e para o amor. Mais do que um caso, este é o mundo da caça feroz e selvagem de um humano por um bocado de si mesmo.

Testando esta cegueira do coração, muitos são os relacionamentos que vão continuando e perdurando, por longosRS_cacadoresdeamorsempreconceito_1anos. Porém, longe estão os dias em que os mais idosos se apoiavam na saúde e na doença, até que a morte os separe, sem que haja um divertimento extra. Por motivos vários, as infidelidades são quase uma constante, no nosso quotidiano. Diariamente, somos bombardeados com sugestividades, flirts, promessas e ilusões de novos amores, aconchegos ou simplesmente de um momento bem passado, como pouco mais do que amigos. É aí que se desencadeia, pelo mais pequeno aspecto do exterior, o processo de transformação. Deixa de ser humano. Passa a ser mais um, entre os tantos que por aí se amontoam, na espécie dos caçadores de amor.

Assim, a liberdade dá lugar à libertinagem. Os amigos passam a ser amigos coloridos, sem necessário compromisso e com poucos sentimentos à mistura. O plano? Quebrar as regras do convencionalismo. A regra? Divertir-se ao máximo, sem se sentir preso pelas amarras sociais. Já não se deixa controlar, apesar do que vai fazendo para manter as aparências, e vai caçando, presa atrás de presa.

Segundo uma pesquisa da London School of Economics, os caçadores de amor são, sobretudo, homens, com um QI menos elevado. Porém, esta pode ser mais do que uma questão de inteligência. Segundo o estudo publicado na revista Evolution of Human Behaviour, pela Universidade de Queensland, na Austrália, há uma herança genética de 63% nos homens e de 40% nas mulheres, que os torna mais susceptiveis de cometer uma traição. Será caso para dizer tal pai, tal filho?

Protegendo a raça humana dos ataques constantes, os caçadores de amor formaram uma comunidade que lhesRS_cacadoresdeamorsempreconceito_2 permite trocar contactos, revelar identidades, tudo segundo o seu mais distinto gosto. É o caso do site Ashley Madison, ou da comunidade Second Love. Requisitos? Ter-se deixado apanhar por este bichinho, possuir um parceiro, ter mais de 18 anos e, como é óbvio, pagar um preço simbólico. Pronto? Prepare-se para a caça. Muna-se dos mais sensuais flirts, dos mais prestigiosos elogios e da sua melhor roupa. Neste momento, é um caçador de amor, nas horas vagas.

Segundo relata Ana, de 43 anos, uma caçadora de amor recente, “o meu casamento, após 14 anos, esmoreceu. Depois do Second Love, o meu casamento teve uma segunda oportunidade!” Muitos são os que, timidamente, se vão revelando adeptos dos muitos hobbies a que os caçadores de amor se dedicam. Desde o poliamor, até ao Swing, passando por uma “simples relação aberta” muitas são as variáveis que conquistam seguidores.

Os motivos são diversos e variáveis. Como sempre, o ser humano é imprevisível, tornando cada experiência única eRS_cacadoresdeamorsempreconceito_3 irrepetível. Para muitos, ser caçador de amor é uma questão de experiência, permitindo-lhes descobrir novos mundos e auto-inovar-se, todas as vezes. Para outros, trata-se de compensar certas lacunas que a sua relação com o companheiro vai deixando por preencher. Há, ainda, aqueles que gostam de uma boa conquista, de uma boa conversa, de uma boa aventura. Desculpas diferentes, para uma personalidade que se assume como selvagem e necessitada. O resultado, esse, é sempre o mesmo: prazer e experiências somadas.

Com o ataque público de hackers, que envolveu a publicação de 33 milhões de identidades de caçadores de amor, doRS_cacadoresdeamorsempreconceito_4 site Ashley Madison, revelaram-se dados que nos permitiram tirar conclusões, acerca do seu período de actividade. Assim, em média, os caçadores de amor do sexo masculino têm 40 anos, sendo casados há mais de 10 e, na sua maioria, com 2 filhos. Diferenciadamente, as mulheres caçadoras de amor são, tendencialmente, casadas há 7 anos, com apenas um filho, mas com os seus jovens 27 anos. Outros dados permitem-nos, ainda, concluir que a geração Viagra – homens, com idade superior a 60 anos – são os que mais procuram presas. No total, registam-se – só com este ataque, a esta comunidade – um valor de 60% de homens inscritos e de 35% de mulheres.

Primando pelo secretismo, várias são as dicas dadas, por outros caçadores de amor, aos mais recentes elementos. Desde logo, “os seus dados são encriptados e enviados mediante este protocolo. No seu extracto bancário, ou noutro meio de pagamento, não se faz nenhuma referência, ao Second Love”. Não se preocupe, até para os que menos percebem de tecnologias há esperança. Segundo a experiência deixada online por um caçador de amor, “no mais recente Microsoft Explorer se utilizar (Ctrl+Shift+P), este fica no modo de privacidade”. E a mais básica de todas e primeira a aplicar, será sempre a de nunca fornecer o seu nome verdadeiro.

Siga o exemplo de Kristen Stuart e Robert Patisson, ou de Justin Timberlake e Jessica Biel e entre no mundo dosRS_cacadoresdeamorsempreconceito_5 caçadores de amor, para novas experiências, aventuras e o conhecimento de todo um novo mundo. Este em que não há regras impostas pela Moral, juízos de valor sociais, ou preocupações. Aproveite o momento. As .consequências? Essas vêm mais tarde! Que lhe conte Mozart, em “Cozy fan tutte”, Gil Vicente em Frei Luís de Sousa, ou Demi Moore em Adultério, de 1995.

A caça já começou. Vai ser o caçador, ou a presa?

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Raquel Soares

Aluna de Direito na Universidade Do Minho com uma paixão por livros, filosofia, psicologia e o mundo. Não procuro um mundo melhor, mas esforço-me para construí-lo! Sou activista da Amnistia Internacional em Portugal e participante em projectos que visam a dinamização e a efectivação dos Direitos Humanos. Membro da Associação Universitária de debates nacional e colaboradora da ELSA UMinho.

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