Desporto

Bruno de Carvalho, o “bad boy”

Bruno de Carvalho, quer se goste ou não, é uma figura que marca o futebol português actual, resta saber em que sentido. Irreverente? Arrogante? Arrojado? Ele é tudo isso e muito mais. Defende o Sporting, numa espécie de Robin dos Bosques do nosso tempo. Já colocou processos em Tribunal a vários ex-presidentes do clube a que preside. E aí, talvez seja esse o seu maior pecado, achar que todos estiveram mal e só ele é que está correto. Para os adeptos leoninos é uma espécie de “Messias”, que vai salvar o clube e levá-los às glórias, equivalentes à dos “Cinco Violinos” nos anos 50. Será que é capaz disso?

Encetou um plano financeiro para recuperar toda a estrutura e abriu uma frente de combate com um Fundo, mais propriamente Doyen. Perdeu a batalha, sendo obrigado a pagar 12 milhões de compensação. No entanto, continua na sua cruzada, esperando que todos acreditem em si, como sendo o dono de toda a Verdade. Muniu-se de figuras fortes para abraçar as suas ideias, como Octávio Machado e Augusto Inácio, que viraram autênticos “guarda-costas”, dando “pancada” a quem se atravesse no caminho.

Como se não bastasse a propaganda em defesa da sua Verdade nos canais de comunicação do clube, com um programa semanal no canal de TV leonino, Bruno de Carvalho virou-se para as redes sociais, tendo a plena consciência que seria seguido por milhões de pessoas, fosse por simpatia ou por “azia”.

No entanto, não se pode negar algo. Fez renascer a equipa profissional de futebol e consegue mantê-la na discussão do título até ao momento. E nisso, Bruno de Carvalho foi longe, abriu “fogo cerrado” sobre o outro lado da 2ª Circular e cometeu a desfaçatez de levar Jesus de um lado para o outro dessa mesma via de circulação. Ganhou um nome de peso no futebol e deixou Luís Filipe Vieira e os seus seguidores à beira de um ataque de nervos. Como manobra, melhor não podia ser.

É verdade que as anteriores apostas em treinadores tinham boas intenções, mas depressa se percebeu que faltavam recursos humanos a nível de jogadores. Leonardo Jardim conseguiu mostrar trabalho mesmo assim, acabando por fazer um contrato milionário com o Mónaco. Veio Marco Silva que depressa entrou em rota de colisão com o seu presidente. Contudo, com ambos a disfarçar o mal-estar evidente desde bem cedo na temporada, a equipa conquistou a Taça de Portugal. E Bruno de Carvalho não perdeu tempo em recolher os “louros” e despachar o responsável por tal façanha.

Em suma, a segunda década do séc. XXI viu nascer um segundo “Pinto da Costa”, com as suas diferenças óbvias, mas com algo em comum, a frontalidade que ambos sempre tiveram.

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José Agrela

Colaboro com o Diário de Notícias da Madeira (www.dnoticias.pt) pontualmente. Faço uma crónica desportiva semanal para a Antena Web (noticias-antenaweb.blogspot.pt)

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