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Broods: Uma irmandade Neozelandesa

Georgia e Caleb Nottt constituem os Broods, uma banda formada em 2013, que mistura sonoridades pop e eletrónicas, acrescentando ligeiras passagens pelo trip hop. O resultado da fusão é requintada. Trata-se de uma fórmula tradicionalmente pop, mas com um tempero sofisticado que os acarreta para outro nível e, ao mesmo tempo, dificulta a aceitação em escala viral do público mainstream, algo que os irmãos – sim, isso mesmo – nunca procuraram declaradamente.

A cargo de Caleb estão vários instrumentos e misturas que produzem a maioria das faixas dos dois álbuns de originais de banda, bem como um ligeiro apoio vocal que presenteia alguma densidade aos refrões. Contudo, no campo da voz, Georgia é soberana. Não sendo uma cantora extraordinária em termos de potência e alcance, sabe utilizar de forma exímia as características que a tornam única: controlo, suavidade, timbre e harmonia. Estas quatro especificidades somadas fazem-nos lembrar a também neozelandesa, Lorde. Não será por acaso que partilham o trabalho de Joel Little, um produtor e compositor que já venceu um Grammy e, para além de Lorde e dos Broods, já produziu artistas como Sam Smith e Ellie Goulding.

O primeiro trabalho editado tratou-se de um EP com o mesmo nome da banda. Never Gonna Change foi o primeiro tema disponível via streaming e acabou por despertar de imediato as atenções da indústria, tema que hoje possui quase 9 milhões de reproduções no Spotify. Foram definidos pela MTV como uma banda de pop sintético imprescindível de ouvir e conhecer e nós, no Repórter Sombra, concordamos. Aproveitando o embalo do EP lançado no fim de Janeiro de 2014, a estreia em solo norte-americano aconteceu um mês depois, em Los Angeles. A estreia europeia não demorou muito mais – no início de Março do mesmo ano os Broods estavam a tocar em terras de Sua Majestade, em Londres. A rápida propagação do seu som por alguns dos principais palcos de lançamento de novas bandas à escala mundial, dotou os irmãos de confiança e motivação para lançar o primeiro álbum alguns meses depois.

Evergreen é um álbum surpreendente. Beneficiou de surgir numa altura em que o pop mais intimista e nostálgico entrou nos padrões de consumismo do público ocidental. O single Bridges entrou directamente para os tops, foi a música da semana na Itunes Store e o álbum acompanhou o sucesso que o single catapultou, permitindo ao grupo arrecadar o prémio de revelação do ano 2014 nos New Zealand Music Awards, e ainda, os prémios de melhor álbum do ano, melhor grupo e melhor álbum pop, tudo nos mesmos prémios, mas já em 2015.

Com a pujança do sucesso e da idade – Georgia tem apenas 22 anos e Caleb tem 24 – os Broods começaram imediatamente a produzir os novos materiais que viriam a resultar no álbum Conscious. As principais novidades de maturação aparecem sob forma de algumas adições de guitarra, órgão e piano electrónico, tudo conjugado com os sintetizadores eletrónicos que foram a imagem de marca desde o primeiro momento. O primeiro single, Free, mostra-nos toda a garra dos Broods, gritos de revolta, garra e determinação na letra, e um estilo electrónico industrial mais pesado do que nas músicas antecedentes. As colaborações com Tove Lo e Lorde, juntamente com o single Heartlines, formam os pontos altos de um álbum acima da média para a sonoridade e para o público que pretendem alcançar, mas que ainda transparece uma boa margem para melhorar.

Os irmãos mudaram-se recentemente para a cidade de Los Angeles, percorrendo em digressão países como os Estados Unidos da América, Austrália e Canadá. Ao mesmo tempo que já acompanharam Ellie Goulding como convidados de luxo para a primeira parte dos seus concertos. O melhor mesmo é ouvir a discografia dos Broods, ideal para relaxar depois de um dia de trabalho ou num fim-de-semana caseiro. E se for com um copo de vinho na mão, tanto melhor.

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Filipe Pardal

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. É assim que o meu currículo académico se define. Quanto às origens: 90% alentejano e 10% algarvio, ambas com um orgulho desmedido ainda que por motivos diferentes. As minhas temáticas preferidas vão desde a política ao desporto, com passagem pela música e literatura. A mistura parece abrangente mas a paixão é bem concreta: escrever e investigar.

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