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CulturaLiteratura

Broken Harbour, de Tana French

broken harbour 1Tana French é uma da das melhores escritoras nórdicas (é irlandesa) de policiais, considerada pelo Washington Post como “uma das mais talentosas escritoras vivas de policiais”. Conta com quatro obras policiais já editadas – e a próxima sairá este ano –, que são sempre um sucesso. Em particular as primeiras duas, In the Woods e The Likeness, que foram best-sellers tanto em capa dura, como capa mole. Eu penso que ela é absolutamente brilhante.

Escolhi este livro por ser o último dela e o último que eu li, porque a verdade é que não consigo saber qual é o meu favorito (adoro os quatro). Por isso, obviamente, vou sugerir que leiam todos, porque vai valer a pena de certeza. Os amantes de bons policiais vão ficar encantados com esta autora.

broken harbour 2Em Broken Harbour, seguimos um detective de Homicídios, Scorcher Kennedy , que fica com um caso novo e, aparentemente, simples em mãos: um brutal ataque a uma família, onde só sobreviveu a mãe, e cujo culpado parece ter sido o pai. Kennedy conhece bem o local do crime, uma vez que costumava passar as férias de Verão com os pais naquele lugar que era tranquilo e que agora parece manchado. Acompanhado pelo novato Richie, rapidamente vêem que o caso pode ser mais complicado do que aquilo que parece e, para ajudar, os fantasmas pessoais de Kennedy (a mãe morta e a irmã com problemas mentais) pedem-lhe atenção urgente. Enquanto lida com o seu passado e com os próprios mistérios que ficaram ainda da sua adolescência, começa também a perceber os contornos daquele crime inexplicável e a deparar-se com uma história incrivelmente triste e uma verdade horrenda. Uma verdade que vai mexer com os dois detectives, que vai trazer à tona ainda mais fantasmas e que pode, até, mudar completamente a vida de ambos.

O mais apelativo na escrita e nas histórias criadas por Tana French são a humanidade que coloca nos protagonistas, a verosimilhança nos crimes, motivos e personagens e, claro, o mistério que fica sempre pendente. Primeiro, é altamente credível tanto na voz de um protagonista homem, como na voz de uma mulher. Além disso, sentimo-nos na pele daquele detective que tenta desvendar aquele crime, ou mistério, que poderia perfeitamente ter acontecido ao nosso vizinho, de tão assustadoramente real que é. Não notamos que nos estão a contar uma história que poderia ser real, porque nós estamos a viver tudo, página a página. É incrível, inclusive, os conhecimento de procedimentos de investigação que Tana French nos mostra, sendo possível este livro ter sido perfeitamente escrito por um ex-detective. Por último, muito importante: desenganem-se se esperam um final clean e certinho. As obras de Tana French são como a vida, onde nem sempre tudo fica arrumado. Esta autora não entretém só, também nos faz pensar e mexe com o nosso espírito.

broken harbour 3

Ler uma obra de Tana French é conseguir desvendar completamente um crime, mas nunca descobrir outro dos mistérios que ela nos lança – seja um crime recente, ou um passado suspeito. Esta escritora deixa sempre algum mistério, uma peça do puzzle fora. O que poderia até ser irritante, mas, na realidade, só nos deixa com um aperto triste na alma por termos de despir a pele daquele protagonista e com uma vontade tremenda de ter o próximo livro em mãos. Faz-nos pensar. É isso que, para mim, é tão real: os livros dela mostram que, ao contrário do que nos ensinam as séries de televisão, nem sempre é possível desvendar tudo o que a vida nos atira.

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Rosa Machado

Por ser curiosa e fascinada pelo que não compreendo, considero-me uma devoradora de livros e uma criadora compulsiva, seja de contos no papel ou de histórias mirabolantes no dia-a-dia. Adoro animais, fotografia, música e filmes – arte em geral. Perco a noção do tempo com conversas filosóficas sobre nada, longas caminhadas para parte nenhuma, conversas exageradas com os amigos, e séries com ronha no sofá.

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