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LifestyleModa

Breve história da roupa interior

Na idade Média a higiene não abundava nem era uma forma de olhar o dia a dia. Eram muitas as mulheres que não usavam roupa interior pois o dinheiro, o que servia para as trocas comerciais era escasso. O que cobria o corpo seria somente a roupa de trabalho e pouco mais. O essencial era assegurar a sobrevivência que era dura e feroz.

O exemplo mais antigo da roupa íntima remonta ao tempo das cavernas. Seria somente para os homens e nada mais era que um triângulo de tecido de linho com tiras nas pontas. Além da protecção que dava permitia, assim, uma maior liberdade de movimento.

No século XII, as faixas de linho eram a barreira entre o corpo e a armadura que era áspera e desconfortável. Quem as usava eram os cavaleiros e por isso este material, o avô da roupa interior, é considerado nobre. Depois vieram as cuecas, que iam até ao joelho e presas por atilhos e mais tarde encurtaram por motivos meramente práticos.

Os nobres usavam roupas de tecidos caros e até se criou legislação sobre o uso de determinados materiais, como o veludo. A chamada roupa de baixo, para estes, era uma camisola larga que cobria o corpo. Como as vestes eram de materiais grosseiros a camisola de baixo servia para anemizar o impacto na pele. No entanto a entrada no século XV, com os Descobrimentos, veio mudar esta postura de estar na vida.

O vestuário era o símbolo do estatuto e era a forma de distinção entre as várias classes sociais. Um pobre nunca conseguiria usar o mesmo tipo de roupas dos nobres, mas alguns deles conseguiam ascender socialmente através de outras formas que não o casamento.

As mulheres da corte e as bailarinas foram as únicas que usaram o que hoje se dá o nome de cuecas mesmo que os modelos e os tecidos fossem bem diferentes do que conhecemos agora. As restantes limitavam-se ao uso das saias ou vestidos sem nada mais. Aquando da satisfação das necessidades era bem mais prático não ter nada por baixo e assim não interrompiam o trabalho.

Na verdade, as ditas cuecas não eram bem vistas pelos médicos que as consideravam prejudicais pois, diziam eles, secavam o útero e assim tornavam as mulheres inférteis. Convém acrescentar que a água como meio de limpeza não era bem aceite uma vez que se defendiam dizendo que fazia mal à pele.

Várias tentativas foram feitas até se chegar ao que conhecemos. Aqui são peças não só de protecção como também de sedução. O conforto torna-se a característica mais forte e as cores passam a ser sortidas. O prático dá lugar ao sensual. Dos culotes passa-se para os calções e finalmente para as cuecas que existem em vários modelos e formatos.

Após a Revolução Francesa, a aristocracia inglesa domina a moda e a flanela e o algodão ganham terreno como materiais escolhidos para a roupa que se usava junto ao corpo. Agora todas as outras peças eram mais justas e por isso o cuidado seria maior. As cores seriam o cinzento e o popular vermelho. Os militares eram os maiores consumidores.

No século XX, as cuecas passam a ser produzidas em tecidos com elásticos. Se de início eram meras defesas contra a rudez dos tecidos agora passam a ter uma nova função, a de sedução. Para que os homens se sentissem mais seguros, várias tentativas foram avançadas e hoje existe uma panóplia de modelos que se adaptam a todas as situações.

O soutien esteve sempre ao lado da sua parceira, a cueca. A sua evolução foi graduação, mas a função de suporte era a dominante. Na ausência deste surge uma inovação que dá pelo nome de espartilho. Este servia para evidenciar as formas femininas e realçar os seios e ancas.

Para que o corpo fosse o que se considerava perfeito, estas peças de lingerie ficavam cada vez mais apertadas o que provocava um enorme desconforto e doenças graves. Finalmente no século XX, com dois lenços, uma pequena fita e um cordão nascia o soutien moderno.

No entanto, ainda não se tinha chegado ao modelo mais adequado para os seios. Os iniciais somente achatavam e protegiam não realçando as suas verdadeiras formas. Várias tentativas foram feitas ate se chegar ao modelo mais confortável e funcional. Hoje será a sensualidade o factor determinante na escolha.

O wonderbra foi a revolução que se ansiava. Com uma simples peça de vestuário conseguia-se o milagre da multiplicação, da ampliação dos seios que pareciam saltar para os olhos de quem mirava. Um cenário de atracção quase fatal e irresistível. Foi uma porta que se abriu para que estas peças simples se transformassem em objectos de culto.

Hoje os soutiens são peças de arte. Alguns são ricamente adornados com pedras preciosas e fazem as delícias de quem os vê. Outros continuam a respeitar o objectivo final que é dar suporte aos seios. Encontram-se de todos os modelos e feitios, com rendas, sem alças e em mil e uma necessidades que se possam encontrar.

Para terminar uma palavra sobre os corpetes, uma espécie de tortura aceite para que o corpo se moldasse à moda da época. Os espartilhos são oriundos da Inglaterra, no século XVI e são criados para corrigir a postura e dar suporte aos seios. Eram a roupa de baixo e apertados e tal modo que as mulheres quase não respiravam.

Os tecidos, engomados e rígidos, magoavam o corpo e eram facilitadores de doenças várias. No século XIX, com a invenção dos ilhoses e das barbatanas de baleia, as cinturas tornaram-se minúsculas, como as das vespas. Eram a imagem de marca da época vitoriana, mas quando, em 1901, é inventado o soutien, cai em desuso. Contudo volta a ter uma nova fase de apogeu, mas com uma outra vertente, a de fetiche.

O certo é que em pleno século XXI a dificuldade é a escolha. Existem cuecas com todos os nomes, quer para homens quer para mulheres e soutiens que lhes fazem par ou simplesmente companhia. Asa delta, fio dental, samba canção, boxer, tanga e outros tantos são modelos que podem ser escolhidos sem qualquer restrição.

Que diriam os antigos se, por artes mágicas, pudessem ter a possibilidade de ver estas peças e as experimentar? Um exercício que nos pode deliciar e provocar muitas gargalhadas saudáveis. Assim como tentar imaginar o que era viver sem se tomar banho. Hilariante.

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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