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CinemaCultura

Blockbusters Vs Independente Parte 2

Depois de “abatida” a Edison Trust (Motion Picture Patents Company), o selo de aprovação e de confiança com a produção cinematográfica norte-americana da altura (1908 – 1918), os grandes estúdios da costa oeste desafiaram a própria concepção produtiva com um simples factor: a tecnologia. Ainda hoje éa mesma vertente tecnológica que difere e muito as “grandes produções” (os chamados blockbusters) e as produções mais independentes, cujos limitados recursos financeiros eram propícios aos efeitos práticos e a alternativas decisões de produção. Em 1927, um dos grandes estúdios da referida costa, a Warner Bros, venceu um dos maiores obstáculos do cinema de época, o Som.

Foi o ano do Jazz Singer (O Cantor de Jazz, de Alan Crosland), o filme que colocou o cinema a “falar” e iniciou uma nova era, os “talkies“. Os diálogos e as músicas não eram novidade no cinema pós-Jazz Singer, mas tal elemento só era possível com instrumentos tocados em acompanhamento com a projecção (no caso da banda sonora, oudo elemento musical), ou no caso da “voz”, através de dobragens directas efectuadas pelos actores, durante as exibições. A grande novidade de Jazz Singer foi o uso de som sincronizado, gravado separadamente em discos de acetato, mas tocado em simultâneo.

Al Jolson em Jazz Singer (O Cantor de Jazz de Alan Crosland) em 1923
Al Jolson em Jazz Singer (O Cantor de Jazz de Alan Crosland) em 1923

Todo este “next big thing” causou impulso na exploração e dedicação por parte dos estúdios rivais na tecnologia sonora, de forma a combater o êxito de Jazz Singer, estrondoso na época. Contudo, não foi apenas o sonoro, o elemento avançado e sofisticado pelos grandes estúdios, o visual também teve parte importante nessa “guerra”, nomeadamente a primeira incursão do Techincolor, respondendo à coloração dos frames e criado assim os vulgarmente chamados “filmes coloridos”.

Outra vertente que serviu de duelo entre os diversos grandes estúdios da costa oeste, foram os actores, o apelidado star system que conduzia multidões ao cinema somente para ver a sua “cara predilecta” em acção. Muitos dos estúdios especializaram em criar futuras estrelas, apostando nas suas imagens e categorizando-as aos diferentes géneros. Por exemplo,Marilyn Monroe era a favorita para as comédias românticas, Humphrey Bogart para filmes de teor noir, ou de aventuras e mais tarde John Wayne para o subgénero western.

Psycho (1960), um dos maiores êxitos do "mestre do suspense", Alfred Hitchcock
Psycho (1960), um dos maiores êxitos do “mestre do suspense”, Alfred Hitchcock

Aliás, foi com o star system e o constante estudo pelo gosto da audiênciaslevaram à criação dos géneros cinematográficos, uma forma de organizar e direccionar público, ao mesmo tempoque acelerou a produção, através de fórmulas, ou modelos padronizados. Para cada género, era comum encontrar realizadores específicos, conduzidos por produtores magnatas e por um processo produtivo muito firme, rígido e severamente concentrado. Aqui os realizadores não tinham a relevância de outrora, aliás, foi com David Wark Griffith (1875 – 1948) que a ideia da importância do realizador no filme foi debatida pela primeira vez, mas actualmente olhamos para essa época e contemplamos alguns “génios desconsiderados”, de Alfred Hitchcock a John Ford, de Frank Capra a Billy Wilder.

Como dever ter percebido toda esta legião de estúdios da costa oeste formam uma “comunidade” que ainda hoje conhecemos como Hollywood, a “fábrica dos sonhos e das oportunidades“. Os anos 20 a 50, foram marcados pela sua idade de ouro, o apogeu. A sua eventual queda surgiu com a decadência de produtores magnatas que sustentavam os pilares da produção hollywoodesca, muitos deles abatidos pelas consequências financeiras e sociais da Segunda Guerra Mundial e pelo aparecimento da televisão, que levou a uma descida tremenda da ida aos cinemas. Porém, foi com surgimento do pequeno ecrã que o cinema norte-americano teve que adaptar-se a um nova geração de audiências.

(continua …)

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Hugo Gomes

Jornalista freelancer e crítico de cinema registado na Online Film Critics Society, dos EUA. Começou o seu percurso ao escrever no blog "Cinematograficamente Falando", acabando por colaborar nos sites C7nema, Kerodicas e Repórter Sombra, e ainda na Nisimazine, a publicação oficial da NISI MASA - European Network of Young Cinema. Nesse âmbito ainda frequentou o workshop de crítica de cinema em San Sebastian, também cedido pela NISI Masa, e completou o curso livre de "Ensaio Audiovisual e a Crítica de Cinema como Prática Criativa" da Faculdade de Ciências Sociais e Humana das Universidade Nova de Lisboa. Foi um dos programadores da edição de 2015 do FEST: Festival de Novos Realizadores de Espinho, e actualmente cobre uma vasta gama de festivais, quer nacionais, quer internacionais (Cannes, San Sebastian).

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