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CinemaCultura

Blockbusters Vs Independente Parte 1

O termo cinema independente norte-americano é mais antigo do que as influências do Sundance. Para ser exacto, essa ousadia de fazer cinema fora dos grandes estúdios surgiu pouco tempo depois do aparecimento do cinematógrafo criado pelos irmãos Lumiêre e a conversão para indústria, através de Thomas Edison e do seu selo “Edison Trust“, o qual garantia a exclusividade das suas máquinas para filmar e exibir os filmes nos Estados Unidos da América (tal como fora proposto em 1902, o exclusivismo da patente de Edison). Em 1907, os na altura rivais de Edison chegaram a acordo para o uso da patente do mesmo e assim fundar a Motion Picture Patents Company (MPPC, ou ajá referida “Edison Trust”) em 1908, o que gerou, mesmo em tempos primórdios do cinema, uma batalha campal pelos direitosda distribuição e exibição de qualquer metragem em solo norte-americano.

O MPPC controlava não só os grandes estúdios de época, como também detinha os direitos de distribuição e exibição, padronizando também a maneira como eram distribuídas as obras estrangeiras. De certa forma,esta companhia serviria de refúgio e protecção do direito das referidas obras, ao mesmo tempo que impedia o começo de novos cineastas e o crescimento de novos estúdios, visto que teriam que pagar taxas e patentes à organização para se iniciarem na indústria. Eram descritos como uma espécie de “máfia cinematográfica“. Porém, era comum desafiar as próprias leis do MPPC, somente para fazer filmes marginais, longe das atenções da companhia, e exibi-los sem o conhecimento da mesma, mas para isso teria que se “esquivar” da força autoritária e fiscalizadora criada pela patente de Edison.

O filme de Peter Bogdanovich, Nickelodeon: O Vendedor de Sonhos, retrata de forma humorística a guerra dos estúdios independentes contra o "Edison Trust"
O filme de Peter Bogdanovich, Nickelodeon: O Vendedor de Sonhos, retrata de forma humorística a guerra dos estúdios independentes contra o “Edison Trust”

Dois anos de fiscalizações e uma tentativa de padronizar os direitos de exibição e distribuição para qualquer metragem, resultou num declínio que pressentia a própria extinção do MMPC. Os estúdios independentes já detinham, antes de 1911, um terço do mercado nacional. Tais valores forçaram a sede da companhia a deslocar-se para Hollywood, mantendo-se longe da terra-natal de Edison (Nova Jersey), e assim dificultar o controlo desta com a crescente independência dos estúdios. Em 1911, a Eastman Kodak modificou o seu contrato de exclusividade com a MPPC e estas alterações permitiram o próprio estúdio (Kodak) controlar as suas distribuições. A partir deste golpe, os filmes independentes e estrangeiros ganharam força no mercado e levaram ao constante desmembramento da empresa de Edison, com cada vez menos estúdios a fiscalizar.

Depois seguiu-se a Primeira Guerra Mundial. O desfecho desta condicionou a indústria europeia e a grande quota estrangeira que chegava aos EUA, tendo levado as terras do tio Sam a viver o seu eterno “conto de fadas”, o glamour da “idade de ouro” de Hollywood, comas grandes produções (blockbusters) e o nascimento e gerência de um star system. Contudo, fala-se nos variados livros de História que a definição do termo blockbuster surgiu por alturas dos anos 70 com a chegada de Jaws (O Tubarão), de Steven Spielberg, aos cinemas, numa altura em que o Verão não era visto como uma época propícia para eventos cinematográficos, mas cujo êxito transformou essas grandes produções num sucesso e,assim,num estratagema de apostas dos grandes estúdios actuais. Apesar disso,a verdade é que as Grandes Produções já existiam há décadas. No cinema mudo, era constante assistirmos a produções caras, que resultavam em flagrantes êxitos de bilheteira, ou, em plena época dourada de Hollywood, a aposta certa no “star system“, os milhões movidos só para o protagonismo da estrela do momento, era o marketing que bastava para conduzir a fita ao sucesso.

Aliás e tendo em conta que o blockbuster é uma grande produção centrada numa audiência em particular e movida pelo mediatismo do seu marketing, então, deve-se proclamar que existiu todo um legado de produções deste género na história do Cinema Norte-Americano, da mesma maneira que o independente sempre actuou nos diferentes panoramas cinematográficos.

(continua …)

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Hugo Gomes

Jornalista freelancer e crítico de cinema registado na Online Film Critics Society, dos EUA. Começou o seu percurso ao escrever no blog "Cinematograficamente Falando", acabando por colaborar nos sites C7nema, Kerodicas e Repórter Sombra, e ainda na Nisimazine, a publicação oficial da NISI MASA - European Network of Young Cinema. Nesse âmbito ainda frequentou o workshop de crítica de cinema em San Sebastian, também cedido pela NISI Masa, e completou o curso livre de "Ensaio Audiovisual e a Crítica de Cinema como Prática Criativa" da Faculdade de Ciências Sociais e Humana das Universidade Nova de Lisboa. Foi um dos programadores da edição de 2015 do FEST: Festival de Novos Realizadores de Espinho, e actualmente cobre uma vasta gama de festivais, quer nacionais, quer internacionais (Cannes, San Sebastian).

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