Oops! It appears that you have disabled your Javascript. In order for you to see this page as it is meant to appear, we ask that you please re-enable your Javascript!
CulturaMúsica

Bloc Party

A década era a de 90. “Don’t Speak” dos No Doubt tocava em todas rádios, a todo o momento e a toda a hora, e Britney Spears começava a deixar a sua marca no reino da múscia Pop. No meio de tanta cacofonia, quatro jovens britânicos tomavam o mundo de assalto com o ar cool e as guitarras Punk de uma new wave esquecida e uma música que, em 2005, tocava incessantemente em todo o lado: “Banquet”.

São várias as identidades que assumiram, como Diet e Union. Porém, é em 2003 que se dão a conhecer como Bloc Party. E o primeiro álbum apenas surge dois anos depois, intitulado de “Silent Alarm“.

Suportado por guitarras rápidas e uma bateria contagiosa, o “Silent Alarm” foi uma espécie de lufada de ar fresco no rock que se fazia na altura, com as tendências punk a assumirem-se como a nova moda. Um trabalho viciante que elevou o estatuto da banda a líderes de uma geração inteira e os salvadores de uma crítica, que não os poupou a comparações com os Gang Of Four e os separou de outras bandas, como os Franz Ferdinand e os Kaiser Chiefs.

A ligação da banda com a nova geração de público estava confirmada. Os Bloc Party foram cabeças de cartaz em inúmeros festivais, puseram multidões a cantar em uníssono e foram nomeados para prémios conceituados. Tornou-se evidente que Kele Okereke, Russell Lissack, Matt Tong e Gordon Moakes tinham o potencial para influenciar uma geração de jovens que gosta do antigo com toques futuristas.

Entre 2005 e 2012, foram quatro os trabalhos discográficos lançados pelos ingleses, entre eles 21 singles, como “Helicopter”, “Pioneers”, “Virtue” e “One More Chance”.

Mais denso, mais refinados, mais eletrónicos, mais realisticamente adultos, estes álbuns acabaram por não ter o sucesso esperado ao dividir os consumidores e a crítica, que não estavam à espera de uma considerável mudança de estilos. Enquanto “Silent Alarm” era um grito adolescente, os outros álbuns eram uma afirmação do mundo adulto com noção da realidade que, por vezes, é feia e complexa.

Esta pedra fundamental no crescimento da banda reafirmou a necessidade dos artistas não se restringirem a uma fórmula de sucesso, procurando sempre evoluir de modo a incorporar novos estilos ao mesmo tempo que tentam manter as composições que tornam uma banda apelativa, com as características que se identificam numa primeira audição.

Avançam-se 11 anos, chegamos a 2016 e a “Hymns“, o mais recente registo dos britânicos, que marca não só o seu regresso como também uma nova formação. Dos quatro membros que compunham a formação original, apenas Kele Okereke e Russel Lissack continuaram no projecto. A eles, juntaram-se no baixo e na bateria, respectivamente, Justin Harris e Louise Bartle.

Hymns” é um disco construído em lume brando: midtempo, tranquilo, sereno. Ainda que não seja uma expressão religiosa, debate a necessidade de uma espiritualidade e um significado “superior” como opção ao frenesim da vida moderna. “It’s ok, you just need faith, been looking for answers in the wrong places”, em “The Good News”, vestida com uma guitarra simples, quase gospel. Nunca os Bloc Party estiveram tão longe do Rock e tão próximo da Soul.

Contudo, no final, parece que acaba sempre por faltar alguma coisa… Mesmo que surjam pequenos raios de esperança, como na viagem atmosférica de “Fortress”, ou no baixo corpulento e guitarra paranoica de “New Blood”. A sensação que fica é a de uma viagem feita em ponto morto. O melhor, no entanto, ficou para o final, com o sussurro de “Evening Song”, que sem grandes artefactos e em passos miudinhos, exala toda a ambição de Okereke: “For I have a message, in my voice.”

Kele Okereke, o front man deste quarteto, é conhecido desde sempre pela sua timidez e por ser mais preocupado com a sua música do que com a sua própria imagem na imprensa. A sua importância tornou-se fundamental para uma banda que acabou por perder traços da identidade que influenciou uma geração. Foi o vocalista que assumiu a posição central no desenvolvimento da banda, desde as letras às influências musicais que já tinham sido aplicadas em “Intimacy” ou “Four”. Muito distinto do que nos habituaram.

Passados 3 anos desde a última vez que vieram a Portugal, os Bloc Party estão de regresso e é já no dia 15 de Julho que sobem ao palco do Festival Super Bock Super Rock, com a promessa de um reportório infalível e de e de novos temas.

Show More

David Calisto

Hey! Sou um músico apaixonado por fotografia e escrevo sobre isso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Check Also

Close

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: