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Big Hero 6

Se existe uma única palavra que consiga descrever Big Hero 6, da Disney, é “inteligente”. É um filme que conhece bem a sua audiência, compreende o espírito que move as histórias de ficção científica actual e usa esta sabedoria para criar uma história quase perfeita, um mundo de animação soberbo e um charme incomparável. Se, no fim do roteiro de exibição, Big Hero 6 conseguir alcançar metade dos números que merece alcançar, será um excelente exemplo do modelo de animação da Marvel deve seguir de futuro.

O filme segue a história de um jovem prodígio da robótica, Hiro Hamata, numa jornada entre a total apatia ao heroísmo, à medida que reúne um grupo de colegas para realizar uma cruzada pela justiça e pela procura da sua própria identidade. É neste núcleo de personagens que Big Hero 6 encontra a sua verdadeira força. Hiro Hamata e Baymax são as claras estrelas, alicerçadas nas fantásticas representações vocais de Ryan Potter e Scott Adsit, respectivamente, mas todos os personagens criados demonstram ter personalidades cativantes e interessantes. Desde o entusiasmo maníaco de Honey Lemon, ao cuidado excessivo de Wasabi e passando pela atitude de puro feminismo de Go Go, todos têm algo de interessante a acrescentar ao enredo, até mesmo as personagens secundárias sem arco narrativo. É ainda necessário destacar a mascote da equipa, Fred, e o entusiasmo de Kaiju, que, juntamente com Baymax, têm a capacidade de substituir Rocket e Groot, como o dueto maravilha desta temporada.

Até a cidade de São Fransokyo é apresentada como um ambiente citadino completo, com a sua própria personalidade arquitectónica, numa combinação perfeita entre a icónica São Francisco e o estilo clássico Japonês, e um conjunto de habitantes e de localizações culturais que conseguem dar uma noção de realidade ao mundo de Big Hero 6. É este ambiente que se torna no palco de algumas das mais bem coreografadas e visualmente espantosas cenas de acção com super-heróis realizadas em filme este ano. O filme conseguiu, sem qualquer sombra de dúvida, subir a fasquia no que toca a filmes de acção em animação, com sequências soberbas e energéticas, emocionantes e arrebatadoras. O seu vilão, Yokai, faz um uso fantástico da cidade de São Fransokyo e consegue ser mais ameaçador e cativante do que a maioria dos vilões apresentados nas últimas apostas da Marvel.

Apesar não haver uma relação directa entre a Marvel e o filme na publicidade, assim que o vemos, não é possível pensar que Big Hero 6 pertença a outra companhia que não seja a Marvel, nem que seja pela quantidade de pequenos detalhes que vão fazendo referência aos seus criadores. No entanto, mais do que referências, o filme segue a fórmula dos filmes da Marvel à risca, tomando as decisões certas, nos momentos certos. Apesar desta estratégia não ser muito criativa, consegue criar momentos de envolvência são essenciais neste género de filme.

É difícil de encontrar muitos filmes com os quais possa comparar Big Hero 6, já que o mesmo ainda é uma pequena experiencia tanto para a Disney, como para a Marvel. Contudo, penso que não exagerado considerar que esta aventura cinematográfica aparenta ser o herdeiro de The Incredibles e The Avengers, combinando um sentido de humor único com uma memorável componente visual e uma acção que se desenvolve num compasso perfeito. É quase impossível não imaginar que Big Hero 6 irá ter uma sequela e, se tivermos sorte, ter mais colaborações entre a Marvel e a Disney neste exacto modelo.

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Miguel Arranhado

licenciado em ciências da linguagem, pela faculdade de letras da universidade de lisboa. editor no repórter sombra. amante das artes e da cultura. politólogo de sofá. curioso por natureza. fascinado pelas pessoas e pelo mundo. crítico. perfeccionista. maníaco por informação. criativo. e assim assim...

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