Economia

BCE: Um peão do jogo económico

A união económica e monetária europeia sempre foi um princípio que orientou os países que fazem parte do bloco europeu. Unir sobre a mesma moeda os estados-membros e definir uma estratégia monetária comum passou a ser responsabilidade do Banco Central Europeu (BCE), entidade criada para gerir a nova concepção económica e monetária da União Europeia. Porém, a crise económica que assolou o mundo desvendou os desequilíbrios orçamentais das contas públicas de vários países europeus e colocou à prova a estratégia comum implementada pelo organismo financeiro europeu. A obrigatoriedade de cumprir com a meta do défice público foi quebrada por alguns estados-membros que não escaparam ao resgate financeiro a fim de evitar a insolvência.

Assim, as políticas adoptadas pelo BCE, especialmente a partir do terceiro trimestre de 2012, visaram amenizar os efeitos da crise no continente europeu. A redução das principais taxas de crédito à habitação para mínimos históricos – taxa de referência está a 0,75% – e as medidas de reajustamento fiscal nos países mais afectados pela crise foram algumas das estratégias implementadas que produziram alguns resultados, como a diminuição dos encargos, num agregado familiar, no pagamento da prestação da casa e o reaquecimento do mercado de títulos públicos. Contudo, o conjunto de medidas apresentadas pelo BCE parecem ser alheias às elevadas taxas de desemprego que atiraram milhares de pessoas para uma situação de incerteza e contribuem para um aumento da tensão social nas ruas.

Mario Draghi, Presidente do BCE, declarou recentemente, à margem da conferência de imprensa onde anunciou a manutenção das taxas de juro do crédito à habitação, que a economia europeia irá estabilizar caso o plano definido for seguido à risca. “Ainda devemos ter recessão no ano que vem, mas, a partir do segundo semestre, a economia deverá se recuperar gradualmente. Vários indicadores estabilizaram, ainda que a níveis baixos, e a confiança do mercado melhorou consideravelmente”.

Em nome da união monetária e pela defesa do euro, as medidas de restrição orçamental, que prevêem a aprovação de novas leis para o mercado laboral, como os cortes na função pública, são algumas das políticas defendidas por Draghi e pelo BCE, deixando de lado as políticas de crescimento e incentivo à criação de emprego, que impulsionariam uma recuperação económica e que devolveria o poder de compra aos europeus.

Ao BCE foi dada a missão de assegurar a estabilidade dos preços e ajudar os bancos centrais de cada nação aderente à zona euro a supervisionar as entidades bancárias. Apesar desta incumbência, a instituição europeia parece não conseguir garantir a estabilidade dos mercados e a confiança dos consumidores diminui de dia para dia. Por isso, a necessidade de modificar a estratégia monetária, de modo a atingir a solidez monetária, é algo fulcral.

A criação de uma união bancária (que entrará em vigor a 1 de Março de 2014) é a nova solução encontrada pela UE para esta crise. Com este novo desenho, cerca de 200 bancos europeus ficarão sobre a tutela do BCE, sendo que este tem a autorização para intervir directamente nestes bancos assim que detectar o primeiro sinal de perigo. Desta forma, a UE pretende evitar que novas ameaças ao sistema financeiro de cada estado-membro surjam, precipitando mais uma crise na economia europeia, dotando o BCE com mais poder. O triunfo da união bancária não só é determinante para o futuro e para a viabilidade do projecto europeu, como é crucial para estabelecer a importância e a eficiência do BCE no jogo da economia.

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Estela Tavares

Sem dúvida, que a comunicação é uma paixão inegável e que me define como pessoa, por isso, a licenciatura em jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social foi um passo natural. Poder escrever sobre o mundo, que nas suas múltiplas manifestações nos fornece a matéria-prima, que nos rodeia é um privilégio.
Quanto a mim, os vícios por porta-chaves, sapatos e o Nadal (um grande tenista) são algumas das características, que segundo os meus amigos me conferem uma loucura q.b

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