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Baleia Azul – O Grito em 52 Hz

Baleia Azul: o jogo do mundo real cujo prémio final traduz-se na morte.

O jogo online que serve de ponte para os desejos intrínsecos e mais desesperantes dos nossos jovens. Assume o salto final, para eles, quando a coragem falha ou quando dúvidas surgem. A Baleia Azul atiça e provoca, sobre o tapete vermelho, adolescentes já com tendências suicidas, com depressões, com problemas mentais ou com um estofo emocional bastante vulnerável.

A origem do jogo da Baleia Azul (Blue Whale) surgiu na Rússia, com registos desde 2013, sob pretexto de marketing de uma página de rede social russa. Numa visão inocente e, até, benevolente, poderíamos aceitar esta teoria. Porém, como esta, há outras. Há milhares de teorias sobre a origem deste jogo sejam estas de conspiração ou não. Independentemente das dúvidas enevoadas em volta da origem deste, uma coisa é certa: o jogo existe e, só por si, é um motivo de alerta e não deve continuar a ser, apenas, conversa de esplanada.

O nome do jogo é outra questão evasiva e, sob um ponto de vista meramente intrigante, pode tornar-se um tópico interessante. Teorias defendem que o nome surgiu pelo facto de se acreditar – erradamente – que as baleias azuis são suicidas. A minha teoria, puramente axiomática e sem qualquer fundamento científico, surge devido à baleia mais solitária do mundo: a baleia dos 52 hertz. Baleia azul, totalmente só, cujo canto está na frequência dos 52 Hz do qual a impede de se comunicar com qualquer outro espécime igual a ela. Há coincidências palpáveis, aqui, para com os nossos jovens participantes do jogo.

Desintegrando, um pouco mais, o nome Baleia Azul, «azul» na gíria inglesa, significa triste.

Qual das teorias estarão correctas pouco interessa. O que é verdadeiramente importante é exorcizar este assunto que, de facto, surgiu na Rússia, atravessou o Oceano Atlântico para o Brasil e retornou alojando-se, também e de momento, em Portugal.

A Baleia Azul, o jogo, consiste em concretizar 50 desafios, dados pelos curadores, a jovens que aceitem participar. Os desafios e tarefas impostas são várias, tais como: cortes e automutilação com o envio de fotografias para comprovarem o sucesso do desafio, acordarem às 4h20 para assistirem filmes de terror enviados pelos curadores, colocarem-se em telhados e guindastes, pendurarem-se em pontes.

A última tarefa, o quinquagésima, é o suicídio sob pena de ameaças caso o jovem não termine o jogo como mandam as regras e como mandam os curadores.

Os curadores, indivíduos que aliciam, coagem, ameaçam e obrigam os jovens a continuar e a permanecer no jogo até ao fim, demonstram, a nível psicológico, um sadismo perfeitamente perceptível, perturbações mentais totalmente fragmentadas, sem absoluto nenhum senso comum nem qualquer linha racional sã. A Psicopatia e/ou o Transtorno de Personalidade Antissocial – comumente conhecido como Sociopatia – esta visível e emerso nos curadores. O padrão comportamental reflecte-se na ausência de empatia e de remorso quando estão a dominar em cada tarefa impostas por eles. A exigência referente ao envio de fotografias de automutilação dos participantes para os curadores é o espelho não só do reconhecimento da dominação perante os jovens assim como o prazer dos curadores de contemplar o sofrimento, o terror psicológico, a violência e a destruição.

A leitura que expressa a Baleia Azul é assustadora: registaram-se, até a data e em Portugal, 5 tentativas de suicídios; 15 suicídios na Rússia; pelo mundo, totalizam-se 130 casos. Números suspeitos de estarem enleados a este jogo online

Estes são cometidos mas, desenganem-se, a culpa não é do jogo mas sim – e rufem os tambores – da fragilidade de porcelana, dos problemas psicológicos, do abandono emocional sentido, das depressões sofridas dos nossos jovens.

A depressão não é uma  doença in, não é uma doença da moda. A depressão é uma doença séria, é um distúrbio mental, que mata milhares de pessoas. A Baleia Azul apenas serve de rampa de lançamento para o precipício.

Os nossos jovens devem, de facto, ser acompanhados devidamente. Orientados e ajudados. Tentativas de suicídios não são apenas uma chamada de atenção, como muitos creem. Se um jovem tenta o suicídio é porque está a gritar por ajuda. Se um jovem se fecha numa concha é porque está a sangrar por dentro.

A Baleia Azul é a luz ao fundo do túnel, é a esperança para os jovens. Sabem, de antemão, que o final é a morte. Quem, no seu mais puro bom senso e sanidade mental, aceitaria tal?

Só na Rússia, desde Novembro de 2015 a Abril de 2016, registaram-se 130 suicídios de jovens cujos casos não estão obrigatoriamente dependentes da Baleia Azul.

Para os jovens: procurem ajuda. Gritem por socorro. Libertem-se do medo, da vergonha e gritem. Asseguro que alguém irá ouvir com toda a atenção que merecem.

Não deixem a Baleia Azul ser o vosso escape, o vosso refúgio. Não deixem a Baleia Azul escrever o vosso réquiem.

Links úteis:

Sociedade Portuguesa de Suicidologia:

http://www.spsuicidologia.pt/

Centro de Valorização de Vida (Brasil):

http://www.cvv.org.br/

Contactos úteis:

SOS Telefone Amigo: 239 72 10 10

SOS Escutar – Voz de Apoio: 22 550 60 70

Telefone da Amizade: 22 832 35 35

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Rita Morais de Oliveira

Sem apresentações hollywodianas, nasci em 1988 no Nordeste Transmontano, Portugal. Encontrei o meu habitat na escrita desde que comecei a ler e a escrever. Nos meus tempos livres, além de Freelancer de Conteúdos, também sou uma aspirante escritora em (eterna) construção e indiscutivelmente contra o Novo Acordo Ortográfico de 1990. Com um conto policial publicado - Doce Sentença -, dois em fase de lançamento para as Antologias "A Margem da Sanidade" e "O Penhasco" e um livro em criação, todos dentro do mesmo género literário. Como o nosso velho amigo Albert Einstein disse: "Criatividade é inteligência divertindo-se."

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One Comment

  1. Todos nós conhecemos a “baleia” pelo menos uma vez na vida vida,mesmo que por instantes, conseguimos sentir nos “ela”, o desfecho depende do jogo de cintura de cada um. Se não se é bom com o arco o melhor mesmo é pedir ajuda sem dúvida 😉

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