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Auschwitz: 70 anos depois, olhar o nosso futuro

Esta semana celebraram-se os 70 anos da libertação do mais famoso campo de concentração nazi da Segunda Guerra Mundial, Auschwitz-Birkenau. Símbolo maior do Holocausto. O que se passou durante anos nesse espaço marca o mundo e não deixará tão cedo de permanecer nas nossas memórias. Através dos inúmeros relatos que existem e que nestes dias voltaram às ribaltas dos jornais e das televisões, conhecemos hoje a realidade de um ontem que só tem 7 décadas e que foi tão destruidor e avassalador, duma frieza e de um horror tamanhos, que parecem saídos de uma ficção. Porém, raramente a ficção supera a realidade e, neste caso, a realidade é bem mais horrível do que qualquer história criada.

Auschwitz foi um centro de horror, onde a raça humana mostrou, mais uma vez, o que tem de pior. O Holocausto foi a manifestação da deturpação de uma das bases da nossa existência, o Amor. No seu centro nevrálgico, Auschwitz foi a exponenciação do ódio, do rancor, da discriminação, da violência, do medo, do terror.

Muitos dizem que não deve ser esquecido e eu concordo, mas, mais do que não ser esquecido, ele deve ser compreendido e o seu entendimento transformado numa nova realidade para o ser humano. Vejamos o mundo à nossa volta e sejamos sinceros. Será que Auschwitz é mesmo uma realidade do passado? Será que aprendemos assim tanto, enquanto humanidade, com o que foi vivido há mais de 70 anos?

Quando olho para Auschwitz e para todo o Holocausto lembro-me de uma das primeiras histórias da Bíblia, a história de Caim e Abel, a história do irmão que mata o seu irmão por inveja, ódio e rancor. Esse é o início de tudo e que ainda hoje se perpetua. A matança pelo poder, pelo ódio, usando como justificação a diferença, seja ela de religião, fé, sexo, orientação sexual, cor, raça, ou outra coisa qualquer, é ainda hoje uma realidade, que mata tanto ou mais do que Auschwitz, algumas vezes com a mesma violência, outras com um horror ainda maior, mas maior parte delas duma forma lenta, humilhante, torturante e silenciosa.

Compreender tudo o que se passou há 70 anos deveria ser um elevar de consciência e uma modificação de comportamentos. Acabar com as guerras no mundo passa por aceitarmos o outro como nos aceitamos a nós mesmos (e talvez muitas vezes esteja aí o problema), amar o próximo e compreender que não precisamos de passar por cima uns dos outros para podermos ser nós mesmos. A questão é que isso implica começarmos por nós. De nada serve querermos acabar com os conflitos, se continuamos a fabricar e a vender armas. De nada serve fazermos campanhas pela paz e caminhadas ditas históricas contra o terrorismo, se dentro de continuamos a discriminar, julgar, a criticar e a maltratar, violentar e massacrar.

Olhar para o passado é aceitar a nossa humanidade, mas olhar e construir o futuro implica viver o perdão. Se não queremos que se repita Auschwitz (ou, mais próximo em termos temporais de nós, Ruanda, Nigéria, Gaza e tantos outros locais), então, é preciso tomar consciência precisamente dessa humanidade e vivermos um maior amor pelo próximo, uma maior aceitação da diferença e compreender que é isso que nos torna únicos e que cada um tem um papel essencial neste sistema. Todos estamos ligados uns aos outros, ao passado, ao presente e ao futuro. Todos fomos esses judeus (e não só) mortos, todos fomos esses nazis frios, horrendos e implacáveis. Nas mãos de cada um de nós, está a mudança do hoje e o legado consciente para todos aqueles que a seguir, por nós, virão. Viver o perdão implica a aceitação de quem somos, da vida e da história do outro e seguir em paz. Pode ser difícil idealizar um perdão a um assassino e muito menos a um assassino de milhões, mas, quando eu não perdoo e essa é a razão da permanência de tantos conflitos, sejam eles nas nossas casas, nos nossos trabalhos, nas nossas famílias, nos nossos países ou entre Estados no mundo, eu vivo em mim exactamente o mesmo que me foi direccionado, mas amplificado e ainda mais destruidor.

Mais do que a lembrança de horror, hoje, 70 anos depois, Auschwitz é o reflexo da necessidade de amor e perdão de que a humanidade sofre, há milhares de anos.

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Leonardo Mansinhos

Nasci em Lisboa em 1980 sob o signo de Virgem e com Ascendente Capricórnio. Quando era pequeno descobri uma paixão por música, livros e por escrever. Licenciei-me em Organização e Gestão de Empresas pelo ISCTE e trabalhei durante quase uma década nas áreas de comércio, gestão e, principalmente, Marketing, mas desde muito cedo interessei-me pelo desenvolvimento espiritual. Comecei como autodidacta há mais de uma década em diversos temas esotéricos, nomeadamente em Astrologia, e, mais tarde, descobri no Tarot uma verdadeira paixão. Hoje dedico-me a esta paixão através das consultas de Tarot e Astrologia, assim como de formação, palestras e artigos nas mesmas áreas. Em 2009 co-fundei a Sopro d'Alma, um espaço de terapias holísticas e complementares, dedicado ao ser humano e onde dou as minhas consultas, cursos e palestras. Procuro, acima de tudo, ser um Ser todos os dias melhor, pondo-me ao serviço da sociedade através de tudo o que sou.

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