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Até já, Web Summit

Se não fosse Donald Trump a trocar as voltas às sondagens, na semana passada não se teria ouvido falar de outra coisa. Uma dimensão impressionante, um balanço positivo, um desejo de que Portugal se torne na próxima Silicon Valley e uma evidência da centralidade do empreendedorismo e da tecnologia na sociedade actual. Assim se resumem as ideias que ficam depois do evento do ano em Portugal.

Quatro dias imparáveis, três dias de conferências, mais de 52 mil participantes, mais de 660 oradores, 15 mil empresas, 1500 startups, mais de 4 milhões de visualizações dos vídeos do Facebook e mais de um 1,5 milhão de mensagens trocadas na app do evento. Foram estes os impressionantes números da Web Summit.

O balanço não poderia ter sido melhor. Para o fundador da Web Summit, Paddy Cosgrave, foi “um enorme sucesso”. Marcelo Rebelo de Sousa concorda: foi “um sucesso espetacular”. Além disso, Paddy Cosgrave considera que trazer a cimeira para Lisboa foi a melhor decisão que tomou. Pela imprensa internacional também chegam elogios à capital portuguesa.

Depois de um investimento de 1,3 milhões de euros, ainda não se sabe ao certo qual será o retorno total, nem este será imediato. Contudo, é evidente que o evento trará benefícios. Algumas ideias de portugueses poderão transformar-se em empresas. As percepções sobre o país podem ser alteradas devido às informações que circularam em todo o mundo a partir dos media e de todos aqueles que levaram o evento e, consequentemente, o país em que se realizou, para a Internet. Poderão ser, por isso, atraídos visitantes e investidores. Aliás, é isso mesmo que espera o Governo português. Quer que a Web Summit coloque Lisboa na rota das capitais tecnológicas e que atraia cada vez mais startups e investidores estrangeiros para o país. E, olhando para os meios de comunicação internacionais, parece que esse desejo se pode concretizar. Lisboa é, para a Bloomberg, a próxima Silicon Valley, para o The Guardian, é a próxima capital tecnológica e entra, ainda, no mapa da revista Wired entre as cidades mais sexys para lançar uma startup.

No presente, tendo em consideração o número de portugueses que chegaram ao palco da Web Summit, parece evidente que, em Portugal, já há startups promissoras.

Quanto ao investimento português, também há boas notícias. António Costa sublinhou a aposta do Governo no empreendedorismo e referiu a disponibilização de 200 milhões de euros do Estado num programa para empresas que precisam de capital de risco. E a Europa também entrou na onda. O eurodeputado Carlos Moedas anunciou um fundo de mil milhões de euros destinados às startups com o objetivo de parar a “fuga” das empresas para os Estados Unidos da América.

O crescimento de startups europeias também foi motivo de reflexão por parte do vice-presidente da Comissão Europeia, Andrus Ansip, responsável pelo projecto europeu do Mercado Único Digital, que considera “praticamente impossível” o seu crescimento num mercado fragmentado com “28 tipos de regras de mercado diferentes”. Por isso, em declarações ao Observador, disse que a solução passa pela criação de um Mercado Único Digital.

Mas de que se falou na Web Summit?

Entre a robotização dos objectos do nosso quotidiano e mil e uma aplicações para smartphone, apresentaram-se, nesta cimeira, as mais recentes novidades do mundo tecnológico. O destaque foi para um robô educacional para ensinar programação a crianças da Kubo Robot, a vencedora da competição de pitch, que vai receber 100 mil euros de investimento da sociedade de capital de risco pública Portugal Ventures.

O domínio do mercado de trabalho pelos robôs também teve grande destaque, ficando no ar o medo de um futuro em que a inteligência artificial leva ao desaparecimento de milhões de empregos.

Contudo, o evento não foi só feito de questões que ainda nos parecem ficção cientifica (apesar de não o serem). O actor e empreendedor que criou a comunidade HitRECord, Joseph Gordon-Levitt, fez uma constatação inevitável: actualmente, não nos podemos “dar ao luxo de estar offline”.

E já que falamos do mundo online, o Facebook não poderia ficar de fora num evento destes. A empresa anunciou que a plataforma Messenger 1.3 vai permitir às marcas interagirem directamente com os clientes no chat do Facebook.

Por fim, ficou, ainda, um alerta feito por Paddy Cosgrave. “A tecnologia também está a ter um impacto negativo no mundo e é importante que as pessoas que tomam decisões estejam aqui e conheçam as pessoas que estão a desenvolver estas tecnologias”, explicou o irlandês. “É um erro achar que toda a tecnologia é boa. Na melhor das hipóteses é neutra”.

E como se falou da Web Summit?

O evento só partilhou o destaque da semana com a eleição de Donald Trump, que acabou também por marcar a cimeira. A Web Summit acabou por inundar os feeds dos social media e os espaços mediáticos. Foram vários os órgãos de comunicação que apostaram numa cobertura em tempo real, bem como em espaços especiais dedicados ao evento. Os utilizadores também não deixaram de criar os seus próprios conteúdos sobre o assunto, gerando-se um enorme buzz.

A consultora digital E.life olhou para as publicações no Twitter e Instagram ao longo dos quatro dias e concluiu que buzz não ficou por Lisboa. Chegou a outras capitais como Londres e Paris. A hashtag websummit esteve sempre presente ao longo destes dias, mas também houve espaço para a referência a Lisboa, a Portugal e aos famosos pastéis de nata. Este produto tipicamente português foi também muito procurado, tendo sido comidos 97 mil pastéis.

As intermináveis filas no metro e as falhas na Internet também não passaram desapercebidas.

E agora?

Agora, voltamos à contagem decrescente. Esperamos pela próxima Web Summit e esperamos pelo retorno que o maior evento europeu de empreendedorismo de base tecnológica trará ao país. Para já, fica a certeza de que este é apenas um “até já”. Para o ano há mais.

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Marisa Mourão

Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. É apaixonada por uma boa história. Ainda é das que acredita que os media podem ajudar na construção de uma cidadania ativa.

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