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As Vozes

Apresento-vos Jerry. “Solteiro e bom rapaz”, Jerry trabalha na Milton’s e vive sozinho com os seus animais de estimação: um cão e um gato, com quem Jerry costuma falar. Esta informação seria irrelevante, não fosse o estranho facto de eles lhe responderem. Sim, leram bem. Porém, desengane-se quem pensar que este filme se trata de um spin off do tão aclamado Doutor Dollittle, pois, na verdade, são os problemas mentais de Jerry que o levam a estabelecer tais conversas com os seus animais. Neste panorama, Jerry atribui a voz maléfica ao gato, Mr. Whiskers, e a voz da razão a Bosco, o fiel companheiro de quem Jerry tanto gosta. Apesar do cariz psicológico da situação, não deixa de ser engraçado imaginar um gato com intenções maliciosas a dar ordens ao seu dono.

As Vozes poderia ser um filme de comédia. Como também um thriller. E ainda um drama. Na realidade, ele consegue ser tudo isto combinado, um filme que queria ser tudo e que acaba por não ser nada. Chegamos ao fim e ainda continuamos na dúvida sobre o que achar dele. Pelo menos de uma coisa não o podemos acusar: há momentos para todos os gostos, desde de uma visão de um serial killer cheio de sangue a livrar-se da sua vítima, a uma cabeça falante dentro de um frigorífico.Ryan-Reynolds-and-Gemma-Arteton-in-The-Voices

O ponto fulcral do filme reside precisamente na visão deturpada que Jerry cria do que o rodeia: vemo-lo dentro da sua casa, aparentemente limpa, a falar com os seus animais e com a cabeça miraculosamente intacta da sua vítima, mas no momento em que outra pessoa entra dentro do seu espaço conseguimos ver a realidade: os restos mortais da sua vítima em caixas, uma casa suja e uma cabeça a decompor-se. É nestes momentos que o filme adquire um clima mais pesado e onde vemos o lado mais humano de Jerry. Temos o vislumbre do que uma perturbação mental consegue fazer a uma pessoa, como consegue alterar a sua realidade, tornando-a mais fácil de suportar.

Este filme vai directamente para a minha selecção dos filmes mais estranhos que já vi. No entanto, não me arrependo de o ter visto, valeu a pena só pelo final (quando o virem vão perceber). Entretanto, é melhor não me alongar nas críticas, não vá o Mr. Whiskers estar à espreita.

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Cristiana Sousa

Cris, uma aspirante a jornalista com pronúncia do Norte, habitação em Coimbra e com a mente no mundo. Aficionada do cinema e do mundo dos sonhos, ainda anseia conseguir ver todos os filmes do mundo e visitar todos os países que conseguir antes de sucumbir ao peso da idade.

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