Ciências e TecnologiaSaúde

As vacinas e a vida

Um das grandes conquistas do ser humano é a medicina. Uma ciência que tem sido construída a pulso. A sua evolução, através de avanços e recuos, é uma mais valia do nosso século e tem salvo inúmeras vidas. Uma vacina é um passaporte para uma vida mais saudável. Nada é definitivo, mas a sua toma torna o corpo mais resistente à doença.

Todos os anos são feitas campanhas para incentivar as pessoas a tomarem a vacina da gripe, sobretudo os chamados grupos de risco, os mais idosos e as crianças. Apesar de inocularem o vírus, as defesas tornam-se mais poderosas e a doença é combatida com armas potentes e adequadas. No caso da gripe é uma guerra contínua pois o responsável pela transmissão está a ficar muito inteligente e todos os anos se modifica.

Como é óbvio os estudos sobre as vacinas e os seus efeitos, que são feitos com regularidade, serão sempre polémicos, porque as pessoas também o são. Se por um lado existem pessoas que defendem a utilização das vacinas e sabem que é um método para minorar as doenças, por outro encontra-se o grupo de resistentes que alegam ser uma prática contra natura. Para eles as mesmas representam um perigo e podem ser o motor para outras doenças. Opiniões.

Como surgiram as vacinas? Afirma-se que os chineses tenham desenvolvido uma técnica de imunização. Trituravam as cascas das feridas produzidas pela varíola, onde o vírus estava presente, mas morto e sopravam o pó através de uma cano de bambu nas narinas das crianças. Assim quando as crianças estivessem expostas ao agente patogénico, o organismo já sabia como reagir, livrando as crianças da doença. Funcionava.

Afinal o que é uma vacina? Esta é produzida com o vírus atenuado ou morto. Assim o mesmo é injectado em pequena quantidade no paciente. O corpo reage ao vírus, criando anticorpos e quando a doença surgir, o corpo já tem a sua própria defesa. Como se sabe o vírus vai sofrendo mutações genéticas e torna-se mais potente. Assim sendo, todos os anos são criadas novas vacinas.

Certas e determinadas doenças foram erradicadas devido ao trabalho exaustivo dos cientistas e à aplicação das respectivas vacinas. Por que será que se pensa que já não é necessário tomar certas providências? Várias doenças não foram totalmente banidas, estão simplesmente adormecidas à espera de terreno fértil para se propagarem.

O Plano Nacional de Vacinação foi elaborado com um determinado propósito que engloba a Saúde Pública. Claro que as pessoas não são obrigadas a seguirem o plano, mas, para sua segurança, devem fazê-lo. Essas são gratuitas e podem evitar despesas futuras e muitos problemas que poderão ter ou não soluções.

Se na Idade Média se tivesse descoberto uma vacina contra a Peste Negra, o mundo talvez não fosse o que conhecemos, mas certamente teriam sido poupadas milhares de vidas e evitado tanto sofrimento inútil. A morte era certa e não havia nem uma solução disponível. O rei D. Duarte foi vítima da peste, que não escolhia classes sociais nem sexo. Era implacável.

Uma adolescente de 17 anos morreu com sarampo. Inadmissível no século XXI. Apesar dos cuidados prestados pouco se conseguiu fazer e a impotência tomou conta da classe médica. Inicialmente foi dito que a mãe era anti-vacinas e posteriormente falou-se em reacção alérgica, que aconteceu quando tinha 2 meses. Tantos anos passados certamente que teria sido encontrada uma solução.

Não se trata de julgar nem de acusar, mas sim de prevenir. As vacinas previnem doenças, permitem a qualidade de vida das populações e são um investimento seguro no futuro. Não são bruxarias, são instrumentos médicos que podem falhar e são imperfeitas, como qualquer invenção do homem. Porém, foram criadas para um bem  maior.

Cada caso é um caso e a eficácia é igualmente variável. Todos os pais querem o melhor para o seus filhos, querem protegê-los e evitar-lhes sofrimento inútil. No entanto temos que admitir que, por muito que tentemos, a morte é inevitável e certa. Palavra forte e grave que se instala e perfura até deixar o corpo totalmente descontrolado e imprestável.

A Inês, nome da rapariga que padeceu vítima das complicações derivadas do sarampo, era um ser humano e certamente amada pelos seus. Tudo terão feito para a salvar, para atenuar o seu sofrimento que deve ter sido terrível. Ela foi e eles, os pais, ficam. Terão de carregar uma bagagem muito pesada, um lastro que nunca irá aliviar e que estará sempre pronto a aparecer. Uma dor e um sofrimento que só eles sabem como sentir e suportar. Um calvário.

As atitudes ficam para quem as toma e perante os factos não existem argumentos. Ninguém é dono da verdade, mas se existem determinadas normas, que devem ser seguidas por uma sociedade, serão para seu benefício e a vacinação é uma delas.  A medicina não é bruxaria e talvez fosse mais fácil de ser aceite pelos descrentes. A medicina encontra soluções científicas. A bruxaria faz parte do imaginário colectivo, mas é discutível.

Já imaginaram se fossem encontradas vacinas para doenças fatais como o cancro e as doenças degenerativas? Isso é que seria de valor e seríamos, certamente, muito mais felizes e menos assustados. Foi precisamente devido à invenção das vacinas que várias doenças se tornaram desconhecidas hoje em dia. Não podemos perder a esperança de encontrar caminhos sólidos para combater estes flagelos que ainda assolam todas as sociedades.

A esperança é a última a morrer é disto mesmo que se trata, da vida. Ninguém quer morrer e todos desejam prolongar a sua estadia, mas com qualidade, usufruir daquilo a que têm direito e a sentir satisfação. Uns têm medo da morte e não querem falar dela, mas penso que devemos relembrar que ela existe e, por isso mesmo, queremos celebrar a vida.

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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