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As Guerras da Primeira Grande Guerra

A Primeira Guerra Mundial começou há 100 anos. Era suposto ser a guerra para acabar com todas as guerras. Toda a gente esperava que fosse uma guerra rápida e pouco fatal. Não podiam estar mais errados. Ao longo de quatro longos anos morreram 9 milhões de soldados e 7 milhões de civis. Os desafortunados que sobreviveram ficaram com as cicatrizes, ou os problemas psicológicos para os provar.

Como em todas as guerras, houve batalhas que ficaram para a história. À memória vêm-nos logo as batalhas de Verdun e do Somme. São sem dúvida as mais famosas da Primeira Grande Guerra, mas há uma batalha largamente desconhecida que também ocupa esse patamar de importância. A Batalha da Jutlândia.

Combatida entre a Grande Frota de Sua Majestade Britânica e a Frota de Alto Mar do Império Alemão, foi uma das maiores batalhas navais de toda a história. A Grande Frota, comandada pelo Almirante John Jellicoe e pelo seu número dois, o Almirante David Beatty, era composta por 151 navios de guerra, contando-se entre eles algumas das mais poderosas battleships da armada britânica. Este número só era possível, devido ao envio de navios por parte da Austrália e do Canadá (na altura, o Império Britânico ainda não se tinha fragmentado). Por sua vez, a Frota de Alto Mar do Império Alemão, composta por apenas 99 navios de guerra, era comanda pelo Almirante Reinhard Hipper e pelo seu número dois, o Almirante Franz Scheer.

Por muito que se debata, pondere, ou analise dados, mapas e estratégias não há um claro consenso sobre o resultado desta batalha. Apesar de tacticamente inconclusiva (linguagem militar para empate), do domínio britânico no Mar do Norte ter sido mantido e o objectivo alemão de reduzir significativamente a Frota britânica não ter sido alcançado, ambos os lados reclamavam a vitória. Em números claros a Alemanha venceu a batalha, uma vez que perdeu menos homens e navios, mas esta batalha tem um significado que vai para além de uma vitória, ou uma derrota. Foi a primeira vez que a superpotência que era o Império Britânico viu o seu poderio ameaçado. As perdas, quer de homens, quer de navios, foram fortemente criticadas em Inglaterra, pela impressa e pelas chefias em igual. A precaução com que o Almirante Jellicoe abordou a batalha contrastou em muito com a abordagem agressiva de Beatty. Apesar do lado britânico não ter cometido grandes (implicando que os houve) erros, é de notar a impotência de Beatty, quando, no calor da batalha e após a explosão de um segundo navio sob o seu comando, diz: “There seems to be something wrong with our bloody ships today“. Do lado alemão, não ficou para a História nenhum ditado.

A batalha do Somme é uma das grandes, senão a grande batalha da Primeira Guerra Mundial. Ao longo de 5 meses, as forças do Império Alemão lutaram contra as forças unidas da França e do Império Britânico (Austrália, Bermudas, Canadá, Índia, Terra-Nova, Nova Zelândia, África do Sul, Rodésia do Sul e Reino Unido), apesar de hoje se dividir a batalha em 3 fases e 14 pequenas batalhas e dos diversos espaços ocupados a batalha ainda manterem o nome do rio que atravessa a zona onde se deu a batalha. Tacticamente inconclusiva, esta foi uma das mais sangrentas batalhas da Primeira Guerra Mundial. Na totalidade dos três exércitos, perderam-se mais de um milhão e cem mil vidas e é das poucas batalhas que ninguém quer reclamar a vitória. Um oficial alemão disse “Somme. The whole history of the world cannot contain a more ghastly word”. Não é certamente a batalha mais importante da Primeira Guerra Mundial, nem tão pouco a menos importante, mas foi a primeira grande batalha. Foi também no Somme que se ganhou consciência que a guerra não ia ser de curta duração e que não ia ser uma brincadeira de meninos, como muitos oficiais de ambos os lados acreditavam.

Sobre as batalhas da Primeira Guerra Mundial podem-se escrever bibliotecas inteiras. Há, certamente, quem considere que houve batalhas mais importantes. Há batalhas mais famosas, mas que não tiveram tanta importância. Há batalhas importantíssimas, mas que não têm metade da fama. No entanto, estas duas batalhas, por razões várias, ganharam um lugar de destaque nos quatro anos que durou a Primeira Grande Guerra.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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