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As dinâmicas entre o ser social e as finanças

Finanças. Uma palavra que se ouve com relativa frequência nos media e no nosso dia-a-dia, mas, será que temos a verdadeira noção do que significa?

Primeiramente deve-se atentar na sua epistemologia. Do francês ‘finance’, corresponde à área de estudos relativa ao controlo e à gestão do dinheiro. Além disso, pode simplesmente significar a palavra dinheiro, quando aplicada nos contextos familiares, bem como a nível socio-estatal.

Daqui, partamos para o âmbito particular contextual. Temos, por um lado, o contexto familiar e, por outro lado, o contexto socio-estatal, que devem ser devidamente distinguidos.

Em primeiro lugar, as finanças na família. Considerando a existência da estrutura familiar tradicional [pai, mãe, filho(s)] mais as tendências que, gradualmente, começam a afluir na sociedade, como os casos monoparentais, os casais homossexuais que vão conquistando os direitos de adopção, verifica-se que existe uma preocupação generalizada com a racionalização dos recursos financeiros. Aspectos como a condição socioeconómica, o estatuto social, ou a filosofia de vida revelam-se essenciais para a actuação do parente com o seu filho, ou do indivíduo com o seu familiar, ou, ainda, da pessoa que adopta para com o seu filho, a sua filha adoptados. Destes factores, pretende-se aplicar os fundos que todos os meses provêm dos trabalhos exercidos. Por exemplo, existem famílias que optam pela aposta na cidadania pura, outras preferem o gasto em bens materiais melhores e mais satisfatórios. Na verdade, o sistema económico capitalista, à escala global, também tende a potenciar uma maior valorização do sentimento de consumo material, no sentido mais literal do termo. Com efeito, as atitudes e os comportamentos consumistas acabam por vigorar e é do consumo e da dinâmica financeira que uma dada sociedade actual depende.

Em segundo lugar, as finanças na sociedade e no Estado. Tendo em conta o capitalismo vigente, a necessidade de termos uma secção estatal dedicada exclusivamente às Finanças toma uma importância acrescida. Agora, quanto à regulação dos rendimentos, dos descontos que se fazem para a Segurança Social bem como quanto à declaração de rendimentos e respectivo pagamento de impostos, a Autoridade Tributária Aduaneira e a Segurança Social revelam-se duas grandes instituições de extrema importância, em Portugal. Também é de destacar o seu papel em acções de património material de cada pessoa e no pagamento de subsídios. Por tudo isto, caso notemos, é o rendimento que define a condição social de um indivíduo em sociedade. Veja-se que dado cidadão que aufira um salário de 485 euros (rendimento mínimo mensal português legalmente estabelecido) terá um nível de vida inferior a um cidadão que aufira um salário de 1200 euros, pois este consegue consumir mais do que o primeiro. No entanto, existem várias acções desviantes, neste campo, como branqueamento de capitais ou fraude fiscal, sobre as quais são aplicadas penas legalmente instituídas.

Neste ponto, uma pergunta tem especial relevância: será que o Estado afecta, de igual modo, a actuação familiar? A resposta é afirmativa. Basta ver como o despoletar da crise económico-financeira americana, em 2008, que atingiu a Europa, sendo Portugal um dos países mais afectados, levando à declaração do estado crítico das finanças portuguesas em 2011. Com este, os portugueses começaram a ser afectados ao nível do rendimento, o que levou a uma mudança no seu lifestyle, de forma abrangente. Quais as consequências? Mais contenção, mais poupança, menos consumo, menos capitais recebidos pelas empresas, mais desemprego e menos dinamismo financeiro, mais pobreza e menos facilidades no pagamento dos impostos.

Associada à problemática anterior, atente-se noutra: não serão as sociedades de hoje extremamente dependentes do valor monetário em detrimento de outros valores? Repare-se que o estatuto social é previamente definido pelo património material de cada cidadão, pois, quantos mais objectos de maior valor se detiver, maior será o estatuto social, muito embora os títulos, que ajudam na manutenção estatuária, também contribuam. Claro está que isso apenas se consegue à medida que o património financeiro correspondente cresça. Basta ver como é importante o automóvel topo de gama, ou uma dada mala de uma dada marca icónica de luxo. Desta forma, subsiste a necessidade de consumir, de ostentar as marcas (na maior parte das vezes, mais do que o produto em si), de captar visibilidade dentro do meio em que o indivíduo se insere.

Em jeito de término, denota-se que, conclusivamente, no panorama financeiro, o âmbito público interfere com o âmbito privado e vice-versa. Existe um processo de constante interacção entre um e outro, apesar de ambos terem as suas linhas bem definidas assim como as suas características intrínsecas. Apesar disso, é de verificar a interdependência entre um e outro: para existirem as finanças familiares existem as finanças públicas e, em última análise, para estas existirem também é preciso que as primeiras existam. Agora, será que ela é necessária, ou será que o actual panorama deve apenas remodelar-se? Fica a questão.

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Pedro Ribeiro

Nascido em 1996, por terras vimaranenses, tem como principal ocupação os estudos na licenciatura de Ciências da Comunicação. Apreciador das relações Media e Sociedade e Sociedade e Cultura, o seu objetivo passará por se especializar na área do jornalismo. Nesse sentido, conta com várias colaborações, a desenvolver atualmente, de forma simultânea: para o jornal ‘ComUM’, no qual é redator nas secções de Cultura e de Sociedade, para o jornal ‘Académico’, juntamente com a sua participação semanal no ‘Repórter Sombra’, onde opina nas áreas de Sociedade, Cultura e Política. No seguimento desta última área, milita na Juventude Socialista, tendo-se revelado publicamente ativista da candidatura de António José Seguro. Além disso, desenvolve um certo carinho pela sociologia, a que se junta a filosofia e, ainda, uma enorme paixão por viagens.

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