Desporto

As Curvas e Contracurvas de Le Mans

O circuito de La Sarthe é dos mais importantes circuitos do desporto automóvel e, no entanto, não é conhecido pelo seu nome próprio. Se lhe chamarmos o Circuito de Le Mans já toda a gente sabe do se esta a falar. Neste circuito de pista e estrada nacional francesa, o que importa não é a velocidade máxima, ou a volta mais rápida. O que importa é a distância percorrida, durante 24 horas. Porquê? Porque é neste circuito que todos os anos se realiza a mítica prova das 24 Horas de Le Mans.

Neste terreno sagrado para os petrol heads, o que importa é manter o mesmo ritmo ao longo das 24 horas de corrida. Isto é, tentar fazer um tempo igual, ou o mais próximo possível do tempo acordado (3 minutos e 25 segundos nas ultimas edições). “Este circuito é estreito de mais para estes carros tão rápidos”, disse uma vez Pierre Levegh, durante uns treinos nesta pista. “Cada vez que passo perto das boxes, sinto uma espécie de incómodo, como se me encontrasse afogado pela multidão que parece que se me deita para cima”.

É aqui que as marcas que participam no Campeonato de Endurance da FIA testam a fundo as tecnologias desenvolvidas e as novas arquitecturas para os carros do ano seguinte. Motores, suspensão, amortecedores, refrigeração, travões, caixa de velocidades, tudo passa pelo crivo de Le Mans. Se houver problemas estruturais na tecnologia e nas arquitecturas, Le Mans mostra-o. É aqui também que as disputas entre marcas são resolvidas. Ninguém pode esquecer o duelo entre a Peugeot e a Audi da edição de 2009, em que a Peugeot ganhou por segundos, ou a dominante vitória da Bentley, na edição de 2003 (a primeira desde 1930), ou mesmo o duelo da edição de 2014 entre a Audi, a Toyota e a Porsche, com a primeira a levar a vitória.

Mais pequeno e seguro que o Nürburgring, mas nãoo tão exigente, é, apesar de tudo, um circuito que já tem mortes no currículo. Ninguém pode esquecer o desastre da edição de 1955, que reclamou a vida a 84 pessoas, incluindo o piloto Pierre Levegh, ou o desastre de Allan Simonsen, na edição de 2013.

Ao longo dos 13.8 km de pista, há curvas a 90º, contracurvas, rectas intermináveis e chicanes. Tudo desenhado para literalmente levar o carro ao ponto de ruptura. Para quê? Para que os carros que saiam durante o ano sejam o mais seguros que possam ser. É este o actual objectivo de Le Mans.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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