Wednesday, Aug 23, 2017
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Ao Largo no Mundial de Futebol

In fashion, sometimes you are in and sometimes you are out“, já lá diz sabiamente Heidi Klum, em Project Runway. O mesmo é aplicado ao mundo das notícias. No meio de tanta informação, há que saber separar o trigo do joio, o importante do acessório e o interessante do que deveria nem ter sido notícia. É disso que vive este espaço semanal, que pretende destacar algumas notícias, factos, curiosidades, pormenores, que marcaram a nossa semana noticiosa. Pretende-se comentar aquilo que se destacou mais pela positiva e o que esteve, digamos, “menos bem”, o que nos alegrou e o que esperamos que não se torne a repetir.

Acima de tudo, pretende ser um espaço de discussão, onde espero que dêem uso aos vossos teclados e deixem a vossa opinião sobre os vários temas abordados fluir. Por isso, esta semana temos como:

Destaque-da-Semana_1

Com o início do Verão, o Teatro São Carlos, em Lisboa, leva para a rua orquestras, coros, bailados e um conjunto de homenagens, num total de 18 espectáculos para ver gratuitamente. O “Festival ao Largo” homenageia, de 27 de Junho a 27 de Julho, no Largo São Carlos em Lisboa, o Coro do Teatro Nacional Nacional São Carlos (TNSC), que comemora 70 anos, e Elisabete Matos, a cantora lírica portuguesa com 25 anos de carreira.

Serão 12 espectáculos gratuitos diferentes em 18 noites durante um mês e quem fica com o concerto de abertura é o Coro do TNSC, na noite de 27 de Junho. Neste espectáculo, que se repete no dia seguinte, participa a mezzo soprano Fiorenza Cossotto, madrinha deste coro e que se apresentou no TNSC como solista por diversas vezes. Do cartaz do festival faz ainda parte a atuação da Orquestra de Sopros do Conservatório Nacional, com o Coro Juvenil da Escola de Música do Conservatório, no dia 17 de Julho, o concerto “Noite Russa”, pela Sinfónica Portuguesa, sendo solista o violinista Ilya Grubert, nos dias 10 e 11 de Julho, a atuação da Orquestra de Sopros do Conservatório Regional de Artes do Montijo, sob a direcção de Francisco Sequeira, no dia 9 de Julho, e o concerto pela banda sinfónica da GNR, sob a batuta de João Cerqueira, no dia 3 de Julho.

No ano em que o festival muda de nome, passando a ser chamado de “Festival ao Largo Millenium bcp”, é importante constatar que os espectáculos continuam a ser gratuitos e ao ar livre, mantendo as características principais que o tornam tão atractivo, e que são potenciados pelo patrocínio de uma entidade privada. Assim, não há desculpas para que as famílias lisboetas (e dos arredores) tenham contacto com a cultura, já que o lado gratuito e ao ar livre permite que o contacto seja feito com poupança. Para além disso, acredito que os saborosos momentos de contacto com a cultura que o festival proporciona irão também contribuir para a dinamização do comércio local, no Largo de São Carlos.

Venham mais iniciativas destas e espalhadas a outros territórios do país.

Fava-da-Semana_1

No dia 12 de Julho começou o Mundial de Futebol 2014 e Portugal entrou logo com o “pé esquerdo”, perdendo com uma goleada frente à Alemanha na 1.ª partida do grupo G (4-0). A derrota da selecção portuguesa não assentou apenas na indiscutível superioridade técnica e físico-táctica da equipa alemã, mas também nos repetidos erros individuais de cada jogador e na ausência de atitude de todo o conjunto. No jogo seguinte, perante os EUA, sem alterações de relevo no onze para o um jogo decisivo, Portugal entrou bem e colocou-se cedo em vantagem, através de Nani. Porém, assim que se viu na frente, Portugal raramente criou perigo, apesar de, quando o fez, esteve muito próximo de marcar golo. No fim, a selecção deu o jogo aos EUA e estes não se fizeram rogados. Se não fosse Varela, no último lance do jogo, ainda conseguir chegar ao empate, a esperança teria desaparecido por completo. Mais uma vez e como no jogo contra a Alemanha, pouco futebol, pouca preparação física, pouca garra.

Ontem, 26 de Junho de 2014, perante o último adversário da fase de grupos do Mundial, o Gana, Portugal confirmou o adeus, apesar de ter vencido por 2-1. A Alemanha ainda deu uma ajuda, mas a selecção não conseguiu materializar em mais golos as ocasiões criadas e que poderiam ter ditado um triunfo alargado, que permitia ter a qualificação para os oitavos-de-final. Uma vez mais Portugal pode-se queixar de si próprio e bem que pode agradecer a John Boye o auto-golo, que deu vantagem à selecção ao fim de meia hora. Já depois da Alemanha ter marcado frente aos EUA, Ronaldo aproveitou uma distracção do guarda-redes do Gana para colocar Portugal de novo a vencer. A recta final do jogo ficou marcada por várias ocasiões de golo, mas, mais uma vez, Portugal não se conseguiu transcender. Além da habitual impaciência, os jogadores portugueses falharam estrondosamente na eficácia, logo num jogo destes, onde se pedia, acima de tudo, um grande acerto nas oportunidades de golo. Portugal deixou o Brasil com uma vitória e uma boa exibição sobre o Gana, mas com a certeza de que podia e devia ter feito muito mais.

Perante um tal grau de responsabilidades nenhum jogador, nenhum responsável técnico, nenhum dirigente assumiu a responsabilidade pela derrota nem apresentou um pedido de desculpas ao povo português amante da selecção. Como se explica que não haja qualquer alteração entre a equipa que alinhou no euro 2012 e da do Mundial deste ano? Como é que, face a um primeiro esforço a sério, logo três dos convocados e utilizados tenham ficado inoperacionais para o resto do Mundial, com lesões musculares? Como se explica que a equipa tenha chegado tão tardiamente ao Brasil e, ainda por cima, se tenha alojado numa zona geográfica que nada tem a ver, do ponto de vista climatérico, com os locais onde se iriam realizar os jogos da fase de grupos?

A tudo isto o seleccionador, os jogadores e os dirigentes têm de responder racionalmente e não com respostas como as que deram ao longo da sua participação no Mundial 2014, aquelas que normalmente são usadas nas conferências de imprensa.

Momento-da-Semana_!

Não sei o que Luis Suarez tinha na cabeça, quando, aparentemente, mordeu a perna de Giorgio Chiellini, no Uruguai-Itália, mas aposto que, se lhe pergunta-se, ele também não saberia. Este é um ponto importante, porque um acto desta natureza nunca poderia ser premeditado (isso seria muito estranho). Quando uma pessoa, seja ela uma criança, ou um adulto, morde alguém, esperamos sempre que isso tenha sido um acto de impulsividade e de loucura momentânea, mas o que é que este acto de morder alguém por impulso significa?

Um artigo do New York Times sugeriu que as mordidelas de celebridades como Sylvia Plath e Mike Tyson era “um hábito pouco atractivo, com falta de subtileza e nuances” e que o faziam como “uma forma de libertação, que só uma mordidela consegue dar.” Tendo em conta que ser mordido é uma situação horrível para as vítimas desta acção, parece que nós ficamos fascinados com uma certa facilidade com este acto e até conseguimos rir-nos da situação, quando as celebridades o fazem. Isto acontece, porque é uma forma das nossas mentes tornarem algo socialmente inaceitável (morder) em algo socialmente aceitável (rir). Simultaneamente, morder é algo que nos assusta, por nos lembrar dos comportamentos canibalistas que todos temos o potencial de ter (é a velha história de sermos abandonar numa ilha sem nada para comer e ceder ao nosso instinto de sobrevivência). É uma acção que pode significar, literalmente, o arrancar uma parte do corpo de alguém e magoar de forma muito séria essa pessoa.

O Desporto, em particular o Futebol, é por natureza uma forma socialmente aceite de competição tribal agressiva. Aparentemente, a energia agressiva que é canalizada pelos melhores jogadores do mundo foi, neste caso, reprimida e encontrou uma forma de libertação não muito comum. Se Freud fosse vivo, iria argumentar que todos nós temos impulsos sexuais e violentos primitivos a todo o momento, mas que estão escondidos no nosso inconsciente e impedidos pelo nosso ego de ganharem vida.

Portanto, será que existe um Suarez em cada um de nós, que a nossa consciência de alguma forma vai reprimindo? Talvez deva mordiscar mais o assunto, durante as próximas horas… com um pouco de chocolate e um bom vinho a acompanhar.

Curiosidade-da-Semana

Quando uns cientistas norte-americanos pediram a alguns casais para que contassem a história de como se apaixonaram, sabes quais foram os principais factores que todas as histórias tinham em comum?

Proximidade

Estar perto ajuda muito a desenvolver um romance. Sim, este facto não é nada romântico e é bastante óbvio, mas se estás à procura de ser o alvo da flecha do Cupido, deves perguntar-te a ti mesmo onde é que andas a passar grande parte do teu tempo. A proximidade física é muito importante não só para facilitar os encontros, mas principalmente, porque permite criar uma dinâmica muito importante no que toca ao amor: a constante exposição. Ao estarmos constantemente expostos a uma pessoa aumenta é intensificada a emoção dominante que a primeira impressão deixou em nós. Ou seja, quando a emoção dominante é a raiva, a exposição constante só irá aumentar essa raiva. Porém, se a emoção dominante for a atracção, a constante exposição irá aumentar essa atracção, como se de uma bola de neve se tratasse.

Personalidade

Todos gostamos de pessoas que são simpáticas, inteligentes, divertidas e que nos façam sentir bem e todo um conjunto de lugares comuns que todos conhecemos perfeitamente. Vamos, então, ao que interessa: Como é que és tu como pessoa?

Ter uma forte uma forte noção de quem somos e ter uma boa auto-estima é um bom indicador para saber se vais, ou não apaixonar-te. As pessoas que se apaixonam com mais frequência tendencialmente têm, regra geral, auto-estima elevada e não têm uma postura defensiva. Em contrapartida, as pessoas que não têm uma noção forte do seu Eu, nem têm o amor próprio bem desenvolvido, normalmente, acabam por ser alvo de jogos de conquista, criando relações com pouca intimidade e muitos conflitos. Quanto maior for o conhecimento da pessoa que somos, maior a nossa capacidade de construir uma relação intima com alguém.

Semelhança

Lá diz o Povo: “os opostos atraem-se”… mas nem sempre isto é verdade. A probabilidade de escolhermos a nossa cara metade e casarmos com ela basiado-nos no que temos em comum é bem maior, do que o oposto. O estudo norte-americano revela ainda que, quanto mais parecidos os membros de um casal forem e quanto mais histórias de vida tiverem em comum, mais confortáveis estarão na presença um do outro. Consequentemente, os casais que tenham comportamentos, temperamentos e comportamentos semelhantes têm uma maior probabilidade ao longo do tempo.

Problemas

Um terço das entrevistas levadas a cabo a casais, durante este estudo, revelou que as relações começaram durante um período complicado na vida de um dos membros do casal. Por vezes, a alta sensibilidade emocional sentida depois de uma experiência de perda, como a morte de um parente, ou o termino de uma relação, potencia o início de uma ligação amorosa. É esta a razão que nos leva a apaixonar depois do fim de uma relação, a que existam pessoas com o Síndroma de Estocolmo e que torna os músicos mais atraentes.

Beleza

Como fazer alguém apaixonar-se por ti? Ser atraente ajuda, como é óbvio. Apesar das mulheres jurarem a pés juntos que a atracção física não é importante, a verdade é que o estudo revelou que as mulheres ligam quase tanto ao físico como os homens (só não o admitem). Aparentemente, existe uma norma social que impede, especialmente às mulheres, de se admitir que, numa relação, a atracção física é muito importante. Por isso, quando saires de casa, tem a certeza que sais com bom aspecto, porque nunca se sabe em que esquina irás encontrar o teu amor.

O mundo estranho da
Até ao Próximo Ano

miguel.fga@gmail.com

licenciado em ciências da linguagem, pela faculdade de letras da universidade de lisboa. editor no repórter sombra. amante das artes e da cultura. politólogo de sofá. curioso por natureza. fascinado pelas pessoas e pelo mundo. crítico. perfeccionista. maníaco por informação. criativo. e assim assim...

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