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Amizade ou conveniência?

Ao longo da vida, conhecemos pessoas que colocamos, desde logo, de lado, e outras que provocam em nós a sensação de que uma amizade pode ser, ali, construída. Para tudo é preciso química, e nas amizades não é diferente: se houver um clique inicial, será mais provável construirmos uma amizade com essa pessoa e sermos bem sucedidos nessa amizade. O problema é que os amigos não se reconhecem de imediato. Nisto da amizade, as coisas acabam por acontecer de forma um tanto invertida: primeiro consideramos a pessoa nossa amiga e só depois é que vamos percebendo se o é ou não.

Costumo dizer que os verdadeiros amigos são aqueles que permanecem connosco nos maus momentos, aqueles que nos seguram a mão quando mais precisamos, aqueles que nos abraçam quando o peso do mundo se torna demasiado insuportável e aqueles que nos limpam as lágrimas quando já não conseguimos segurá-las dentro de nós. Mas a vida ensinou-me que os verdadeiros amigos são, também – e essencialmente -, aqueles que se mantêm por perto quando o sucesso nos bate à porta. Para a espécie humana nem sempre é fácil lidar com o sucesso dos outros e, quando os nossos amigos alcançam o sucesso, temos duas opções: ficamos e sentimos um orgulho enorme por essa pessoa ou, num puro ato de cobardia, afastamo-nos lentamente e deixamos que os nossos amigos olhem para o lado e sintam a nossa falta nos momentos mais importantes para eles.

E é aqui que se percebe que, por vezes, somos meros objetos nas mãos dos que nos chamam amigos, objetos que lhes dão jeito quando estamos mal porque, desse modo, podem comparar a vida deles à nossa e perceber que estão bem, em comparação connosco. Por outras palavras, somos usados como uma espécie de massajador de ego para aqueles que precisam de saber que há sempre quem esteja pior.

As razões pelas quais isto acontece podem ser várias, mas há uma que é comum a todos os casos: falta de sensibilidade, companheirismo e humildade – porque só quando somos humildes conseguimos olhar para a felicidade do outro e sentirmos essa felicidade como se fosse nossa.

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Joana Veríssimo

Licenciada em Jornalismo e Comunicação e com uma paixão enorme pela escrita.

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