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Amar(-me) depois de ti

Depois de ti tornou-se insuportável olhar para mim mesma ao espelho. Tornou-se horrível ouvir aquelas músicas que costumávamos adorar e cantar no carro enquanto passava na rádio a altos berros. Todos me dizem que não posso desistir de mim depois de te perder. Mas como é possível ter uma vida quando eu achava que tu eras o sentido da minha existência?

Agora, de coração partido, escrevo-te este post. É horrível pensar que é tão incerto leres algo que tem o meu nome, visto que até a minha voz te parece tão indiferente. Dizias que bebias cada palavra minha, lembras-te? No entanto, parece que neste espaço de tempo acabou-te a sede. Será que verás isto? Nunca saberei. A verdade é que esta é uma carta para mim porque, depois de ti, amar-me tornou-se impossível, mas a minha sede de mim mesma nunca acabará.

Olho para os outros casais e desejo-lhes tudo de mau. O ódio não deveria ser-lhes dirigido, eu sei. Mas a ti. Tu é que acabaste com a minha esperança de ser alguém sem ti. Deixaste a minha vida numa confusão que não sei organizar. Organizar-me sozinha, apesar de todas as tuas promessas de que estarias sempre lá. E, hoje, sei que não eras tu que me iluminavas, mas que era a ilusão a que eu estava presa que te dava luz e cores. Eu permiti-te tomar conta de mim, esquecendo-me que sou eu que sempre tive o controlo.

Hoje, bem, penso diferente. E, ainda, não está na altura de desligar a televisão, simplesmente, preciso de mudar de canal.

Hoje, não espero que ninguém me dê a mão para atravessar a rua, mas também não recuso os dedos que se estendem para mim do outro lado. Aprendi que confiar na pessoa errada não faz com que as certas desapareçam.

Hoje, agarro a vida pelos cornos, sem ter medo que a minha opinião possa significar perder alguém que nunca parou para me perceber. Aprendi que palavras são levadas pelo vento e que todos os actos valem mil vezes mais.

Hoje, não sei o que é agradar alguém que não a mim mesma. Aprendi que eu nunca deixarei de procurar a minha felicidade e que sorrir é o melhor acto de amor.

Hoje, não sei o que é viver acorrentada aos teus sonhos, mas descobri que ainda não perdi o jeito para cruzar a meta dos meus objectivos. Aprendi a caminhar sozinha por uma montanha incerta, segura de que o cume será meu!

Hoje, eu sei amar (-me) depois de ti…

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Raquel Soares

Aluna de Direito na Universidade Do Minho com uma paixão por livros, filosofia, psicologia e o mundo. Não procuro um mundo melhor, mas esforço-me para construí-lo! Sou activista da Amnistia Internacional em Portugal e participante em projectos que visam a dinamização e a efectivação dos Direitos Humanos. Membro da Associação Universitária de debates nacional e colaboradora da ELSA UMinho.

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