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Amada Sejas

Enquanto a Europa e o FMI se debatem com a resolução da questão grega, que parece não caminhar para lado nenhum, e assistimos a mais um rol das mesmas questões pelo mundo inteiro, iniciou-se a Climathon, 24 horas de debate à volta dos temas ambientais e das inovações para combater as alterações climáticas, uma iniciativa que junta 16 países durante 24 horas de discussão e que arrancou com a divulgação da primeira encíclica do Papa Francisco, precisamente sobre ecologia, meio-ambiente e alterações climáticas. O documento, intitulado Laudato Si’ (Louvado Sejas) e já aplaudido por vários especialistas, alerta para a necessidade de olharmos para a Terra como uma casa, como uma mãe, e compreendermos o que lhe estamos a fazer e as consequências que isso terá para nós, enquanto humanidade.

A Terra, este planeta azul com condições especiais e únicas que permitem a existência de vida humana, é, a meu ver, uma grande Mãe, pois ela acolhe-nos e dá-nos todas as condições que necessitamos. Ela não é apenas um calhau que roda à volta do Sol, ela é um verdadeiro organismo vivo, que, tal como nós, procura sempre um ponto de equilíbrio. Quando existe algo que interfere, rapidamente ela começa a reagir e a reajustar tudo o que necessário for para voltar ao seu equilíbrio. O que estamos a assistir em termos ambientais hoje, basta olhar para as notícias, é um reajustar face a tudo o que lhe temos feito.

Se a Terra é Mãe, todos nós que aqui habitamos somos seus filhos, desde as plantas aos animais, culminando no ser-humano. Contrariamente aos primeiros, que vivem em perfeita harmonia com a Mãe Terra, nós somos os filhos rebeldes, aqueles que se aproveitam duma mãe que ama todos sem excepção para a explorarem em prol de uma ganância sem fim. É um retrato feio, mas é o retrato real da humanidade.

Há décadas que exploramos a Terra duma forma gananciosa, sob a desculpa do progresso e da inovação. Retiramos do seu interior o que necessitamos para o nosso, suposto, desenvolvimento e, em contrapartida, poluímos os mares, o ar e a terra. Exploramos os terrenos, cultivando de forma desproporcionada e intensiva, para dar ao mundo todo o tipo de alimentos, os mesmos que são todos os dias deitados ao lixo e desperdiçados, enquanto milhões de pessoas passam fome pelo mundo inteiro. Contudo, a nossa ganância de poder e riqueza não permite a partilha, nem o desenvolvimento comum.

Criámos maquinaria avançada, gadgets fabulosos, que usamos intensivamente e, quando sai um modelo novo, algo que acontece frequentemente, trocamos, pelo status ou por outra coisa qualquer. No entanto, continuamos a permitir que crianças morram todos os dias por falta de condições básicas de saneamento, ao mesmo tempo que enchemos as lixeiras com materiais que duram mais no meio-ambiente do que o tempo duma vida humana.

A Terra, a Mãe Terra, dá-nos tudo o que necessitamos para podermos crescer e desenvolver, para nos alimentarmos correctamente, para vivermos, mesmo com todo o desenvolvimento tecnológico. Somos parte de um Universo que criou algo que um humano nunca irá conseguir, a vida a partir do caos e do nada. No entanto, ao vivermos presos no materialismo, na ganância, regidos por um modelo de desenvolvimento intensivo que pressupõe um crescimento ininterrupto, estamos a gastar e a destruir a nossa própria casa, a nossa própria mãe, sem tomarmos consciência que seremos nós, os nossos filhos, os nossos netos e todas as gerações vindouras a pagar a factura de tal atitude e modo de ser.

Olhemos por momentos para o mundo que nos rodeia e vejamos as notícias, o conjunto de manifestações da Terra, a temperatura média que está a subir para níveis nunca antes registados, as secas intensivas e as monções inesperadas. O que mais precisamos para ver o que está mesmo à nossa frente? O que precisamos mais de viver para amarmos a nossa Terra como um filho ama a sua mãe? O que precisamos mais de sofrer para compreender que, apesar de tudo, ela continua a ser a nossa mãe, que nos dá tudo o que necessitamos, que nos ama incondicionalmente? Enquanto não mudarmos a nossa forma de nos ver e de ver o mundo, enquanto não nos amarmos enquanto seres humanos e respeitarmos a vida humana, a nossa e a do nosso irmão, dificilmente veremos a Terra como ela é, um ser vivo, uma alma, bela e única, que nos acolhe todos os dias e que merece e precisa de ser amada.

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Leonardo Mansinhos

Nasci em Lisboa em 1980 sob o signo de Virgem e com Ascendente Capricórnio. Quando era pequeno descobri uma paixão por música, livros e por escrever. Licenciei-me em Organização e Gestão de Empresas pelo ISCTE e trabalhei durante quase uma década nas áreas de comércio, gestão e, principalmente, Marketing, mas desde muito cedo interessei-me pelo desenvolvimento espiritual. Comecei como autodidacta há mais de uma década em diversos temas esotéricos, nomeadamente em Astrologia, e, mais tarde, descobri no Tarot uma verdadeira paixão. Hoje dedico-me a esta paixão através das consultas de Tarot e Astrologia, assim como de formação, palestras e artigos nas mesmas áreas. Em 2009 co-fundei a Sopro d’Alma, um espaço de terapias holísticas e complementares, dedicado ao ser humano e onde dou as minhas consultas, cursos e palestras. Procuro, acima de tudo, ser um Ser todos os dias melhor, pondo-me ao serviço da sociedade através de tudo o que sou.

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