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Alimentos: o sabor que vicia

Há alimentos viciantes. São altamente processados. Provocam uma onda de prazer no cérebro, mas também são pouco saudáveis.

Senta-se no sofá, prepara-se para ver mais um episódio da sua série favorita e começa a pensar que uma fatia de pizza, um pedaço de chocolate, um gelado ou umas batatas fritas seriam a companhia perfeita. “É apenas um bocadinho”, pensa, mas começa a comer e não consegue parar. Parece um vício. E é mesmo. Está confirmado: há alimentos que viciam.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos da América, concluiu que alimentos altamente processados aparecem particularmente associados à adição. O estudo teve duas fases. Primeiro, pediram a um grupo de 120 pessoas para indicarem os alimentos que consideravam mais associados a comportamentos aditivos a partir de uma lista com 35. No topo de uma lista de alimentos viciantes ficou, então, o chocolate, os gelados e as batatas fritas. Numa segunda fase, 384 participantes também colocaram no “top 3” alimentos altamente processados: pizza, chocolate e batatas fritas. Frutas e vegetais ficaram nos últimos lugares das listas.

De acordo com este estudo, alimentos altamente processados podem partilhar as características associadas ao abuso de drogas. A pizza, o chocolate, o gelado ou as batatas fritas contêm doses muito concentradas de substâncias potencialmente aditivas, como o açúcar, que são rapidamente absorvidas pelo corpo. Adição está associada ao pico de açúcar no sangue provocado pela sua ingestão, que promove uma onda de prazer no cérebro.

A capacidade de devorar uma tablete de chocolate inteira ou um pacote de batatas fritas, quando está perante um trabalho complexo ou simplesmente quando lhe apetece, está explicada.

A verdade é que todos temos um vício e, como demonstra este estudo, no que toca a alimentação nunca é o mais saudável. Com muita força de vontade e regras, pode conseguir manter-se longe desses “guilty pleasures”, mas não por muito tempo.

Há dias alguém me dizia que consegue resistir muito bem a doces, chocolates e afins, que é capaz de optar por uma fruta como petisco. O seu “calcanhar de aquiles” é o chocolate de leite, mas, como raramente o come, quando o faz, não se sente mal. Afinal, é uma recompensa pelo bom comportamento alimentar. No entanto, quantas pessoas têm essa resistência?

Eu, não a tenho. A falta de criatividade, um trabalho complexo, o cansaço (enfim, tudo) são sempre desculpas para comer uma tablete inteira de chocolate. Parece, contudo, que não estou sozinha. Há quem pegue num balde de pipocas inteiro e não o consiga parar de comer mesmo que não tenha fome. Há quem considere chocolates, bolos, batatas fritas, gomas e pipocas essenciais em momentos de stress. Como me disseram, “os alimentos que mais viciam são os que fazem pior”. Grande verdade! E depois do vício vem o arrependimento, acompanhado daquela voz que diz: “não precisava de comer nada disto, poderia ter optado por coisas mais saudáveis, como uma peça de fruta ou um iogurte”. Outra grande verdade!

Afinal, mesmo potenciando um momento de prazer, não há que esquecer que estes alimentos podem ser verdadeiros vilões. São pouco saudáveis. Estão associados a doenças cardiovasculares, depressão e demência. Por isso, os investigadores consideram que o melhor é não os ingerir em grandes quantidades.

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Marisa Mourão

Estudante de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. É apaixonada por uma boa história. Ainda é das que acredita que os media podem ajudar na construção de uma cidadania ativa.

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