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ArtesCultura

Alexandre Mury – A Arte na fotografia

A fotografia, actualmente, com a introdução da tecnologia digital, tem adquirido uma importância deveras grandiosa no nosso quotidiano, sendo considerada presentemente como a 8º Arte.

Um ponto importante para pensarmos a fotografia como uma influência artística é quando a elevamos para além do seu carácter documental, elaborando a mesma como uma representação da realidade, assim como os pintores, também os fotógrafos têm a liberdade de fazer escolhas, consciente ou inconscientemente que definem como a foto será elaborada.

Com o argumento da representação da realidade, a fotografia consegue desvendar o seu lado de ficção. Por meio da fotografia, podemos criar novas propostas imaginárias, colocando várias questões poéticas para reflexão, tentando compreender que nem sempre o que vislumbramos numa fotografia realmente aconteceu e é real.

Muitas fotos são montadas, pensadas, planeadas e essa ferramenta de construção de fantasias, está directamente vinculada ao processo criativo de diversos artistas.

Um fotógrafo que trabalha com a vertente imaginária é Alexandre Mury, artista brasileiro, que aproveitando o conhecimento de várias obras de arte famosas, como a “Mona Lisa” de Leonardo Da Vinci ou “O Bebedor de Absinto” de Édouard Manet, e dá-lhes novas interpretações, com o objectivo de atribuir novos significados a essas obras de renome.

As fotografias não têm como finalidade ser cópias das obras originais, mas leituras alternativas. Antes de criar uma obra, Mury dedica-se ao estudo dos originais, que pretende interpretar, pesquisando todos os elementos para posteriormente decidir qual a leitura que lhe quer empregar.

A máquina fotográfica é o meio utilizado para captar todos estes trabalhos. As obras de Mury partem de uma reprodutibilidade de outras obras, no entanto criam algo completamente novo.

Ao dedicar-se tanto à recriação de obras preexistentes como a representações sem referencial fixo de figuras que compõem o imaginário cultural, o trabalho de Alexandre Mury dialoga de uma maneira estreita e solta, com a história da Arte. Dominando todo o processo de elaboração do figurino à cenografia, aos modos de incidência da câmara, ele alcança a sua própria maneira de inserção na obra e na arte contemporânea, em especial entre os artistas que tomam a imagem como elemento maior da sua criação.

A forma como Mury escolhe os materiais para criar os auto-retratos é imensamente cuidadosa, transformando-o em criador e protagonista em simultâneo, emprestando o seu corpo à representação de personagens históricas da pintura, escultura e monumentos amplamente difundidos na história da arte e da cultura.

A partir da presença da sua imagem em cenas recriadas, o artista oferece a quem observa as suas obras, a possibilidade de interpretar as suas próprias ideias sobre a arte e a vida. O antes e o momento actual no mesmo espaço da obra.

A sua colecção “Fricções Históricas “ é composta por 48 obras de grandes dimensões, obras essas que retratam o olhar do artista sobre as grandes obras de Arte ,o trabalho de Mury não  pode ser catalogado como sendo simples fotografias ,mas como o conceito da estética actual que define a heterogeneidade da arte contemporânea .A sua obra faz parte de importantes colecções como as de Gilberto Chateaubriand e Joaquim Paiva.

Considero, então, que, na exposição de Mury “Fricções Históricas”, a Arte, quando se faz em forma de fotografia nos convida a explorar um novo conceito de observar a Arte.

A exposição de Mury, aproxima o apaixonado de Arte de temas e obras bastante presente no nosso imaginário, colocando uma reflexão inequívoca sobre o indício da existência humana, a criatividade como forma de vida, o corpo como pensamento crítico e o processo criativo como interpretação do mundo em que vivemos, a responder, talvez, à inquietação das certezas e incertezas da vida

Com Mury surgiu um novo conceito de fazer e observar a Arte e a fotografia.

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