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CrónicasEconomia

Afinal quem vai apresentar o “Factura da Sorte”?

O Governo Português vai mesmo avançar com o concurso “Factura da Sorte” e o primeiro sorteio vai-se realizar na primeira semana de Abril. Numa tentativa de levar os contribuintes a solicitarem que o seu número de identificação fiscal figure nas facturas e, dessa forma, peçam mesmo o documento e as empresas não tenham forma de fugir ao fisco, o grande objectivo será reduzir a economia paralela e o Estado poder arrecadar uma maior fatia de impostos.

Até aqui, nada de errado, é uma hipótese como qualquer outra! Contudo, as minhas dúvidas da eficácia da medida começa a revelar-se bem realista, com comerciantes a relatarem não haver qualquer tipo de alteração no comportamento do consumidor. Creio que é um pouco óbvio o porquê e nem vou perder tempo com o irrealismo de chegar ao estabelecimento da esquina, pedir um café, pagar 60 cêntimos e solicitar que o meu número de contribuinte seja colocado na factura, fazendo-me perder mais tempo à espera da factura do que a beber o respectivo café.

Já é tempo de começar, em termos económicos, a agir de forma inteligente e não perpetuar a atitude constante de bombeiro que todos os governos em momentos de crise insistem em ter. Não é o facto de incentivar as pessoas a pedirem facturas que vai impedir as empresas de fugirem, de alguma forma, ao fisco, até porque esse não é o principal problema das empresas.

Era bom e positivo que se olhasse mais longe e se compreendesse que o verdadeiro problema que leva à fuga ao fisco é a enorme carga fiscal que as empresas e os contribuintes são alvo. Seja através de IVA, IRS ou IRC, o que as Finanças impõem a ambas as partes é verdadeiramente avassalador, e faz com que a fuga seja mais do que expectável. Contudo, é também importante que isto seja visto em termos globais, pois uma reforma neste sentido, que seria importante mas que não irá, de todo, nos próximos anos, acontecer, teria de ser feita em todas as vertentes da actividade económica, desde as empresas aos trabalhadores, passando pelos prestadores de serviços e pelos contribuintes singulares.

Tenho a certeza que se fosse feito um ajustamento global, uma espécie de choque fiscal, como foi sugerido há uns anos por uma antiga Ministra das Finanças, ao mesmo tempo que se fomentasse, progressivamente, uma mentalidade diferente, que valorizasse a justiça e a partilha, se conseguiria ter rendimentos mais constantes e saudáveis quer para o Estado, quer para os contribuintes. Óbvio também que, paralelamente a isso, é necessária outra medida importante, pois se existe menos dinheiro a circular no Estado, também, obrigatoriamente, terá de haver menor necessidade de recursos financeiros do Estado, as tais gorduras (e não só) que se andou para aí a falar.

Claro também é que fazer tudo isto implica actuar em todas as vertentes, ainda que progressivamente, mas, creio, existem duas bem difíceis. Por um lado, os recursos necessários ao Estado, a primeira que exige actuação. Por outro, a mentalidade do contribuinte. Se conseguir-se agir desta forma, de certeza que a médio prazo a economia do país torna-se mais sustentável e reforçada, até porque permite um crescimento saudável dos recursos, em todos os aspectos.

Até lá, vamo-nos mantendo no mundo do show business, com um concurso para premiar contribuintes bem comportados com automóveis e outros bens, gastando ao mesmo tempo o dinheiro dos contribuintes com o pagamento de honorários dos diversos funcionários envolvidos e a sua transmissão televisiva semanal. Bem, estou a ser injusto, pois na verdade o que é realmente importante é quem irá apresentar o tal programa e quem o ou a irá vestir! Eu gostava de ver a Catarina Furtado, e você?

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Leonardo Mansinhos

Nasci em Lisboa em 1980 sob o signo de Virgem e com Ascendente Capricórnio. Quando era pequeno descobri uma paixão por música, livros e por escrever. Licenciei-me em Organização e Gestão de Empresas pelo ISCTE e trabalhei durante quase uma década nas áreas de comércio, gestão e, principalmente, Marketing, mas desde muito cedo interessei-me pelo desenvolvimento espiritual. Comecei como autodidacta há mais de uma década em diversos temas esotéricos, nomeadamente em Astrologia, e, mais tarde, descobri no Tarot uma verdadeira paixão. Hoje dedico-me a esta paixão através das consultas de Tarot e Astrologia, assim como de formação, palestras e artigos nas mesmas áreas. Em 2009 co-fundei a Sopro d'Alma, um espaço de terapias holísticas e complementares, dedicado ao ser humano e onde dou as minhas consultas, cursos e palestras. Procuro, acima de tudo, ser um Ser todos os dias melhor, pondo-me ao serviço da sociedade através de tudo o que sou.

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