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Crónicas

Acima dos 120

Acho que andamos a alta velocidade. Pomos o pé no acelerador e só o voltamos a tirar, quando não vimos mais nada sem ser o para-choques do veículo da frente. O carro é o local perfeito para lanchar, assinar documentos, com receio do esquecimento entre as revistas em cima da mesa da cozinha, e ler o jornal “do Dia” de 2005 que, entretanto, ficou descontinuado, mas que tem ainda diferenças que conseguimos encontrar.

Eu tolero tudo isto, mesmo sendo fã das grandes taças de cereais que acabam esquecidas no chão da sala, porque, entretanto, adormeci, mas, quando a troca de roupa do quotidiano, por umas calças que são compatíveis com uma corrida na passadeira, é feita na loucura de segundos com medo de sermos vistas pelo motorista do autocarro, acho que atingimos a velocidade máxima e devemos levar uma multa. Daquelas bem pesadas, que corresponde a infração grave para não ser exagerada ao ponto de muito grave.

No meio disto tudo, não há espaço nem tempo para deitar a cabeça no banco e deixar-me levar pelos solavancos do carro. Coisa que fiz até há bem pouco tempo, ou melhor, enquanto toda a gente recebia a “Dica da Semana” no correio. Sim, enquanto havia correio e eram trocadas cartas, porque hoje a única que recebo é na caixa de e-mail e aposto uma tarde com os pés aquecidos na lareira como é para me venderem um produto.

Por mim, tirávamos o pé do acelerador, púnhamos na embraiagem e íamos em primeira o resto da vida. Esquecíamos todas as marchas atrás que gostávamos de ter feito e deixava-mo-nos lentamente ficar com a cara queimada da brisa quente dos ares alentejanos. Nesses instantes, não íamos estar a pensar nos possíveis acidentes que algum dia podemos vir a ter e as marcas rodoviárias pouco serviriam, porque éramos nós o mapa que precisávamos até ao nosso destino.

Ah! E já nem vou dizer que não iria andar com os máximos ligados, seria o meu caminho e mais ninguém o precisaria de ver, uma vez que se fizesse sentido por lá andar viria no banco de trás a perguntar feito burro do Sherek: “Já chegamos?”.

Não quero um Mercedes nem o Fiat500 (carrinho da barbie), basta-me o meu carrinho de linhas e assim tenho a certeza que vou ter pano para mangas.

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