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CinemaCultura

A visão do realizador

Quando nos deparamos com listas de filmes que dizem ter sido melhor que os respetivos livros em que foram baseados, alguns deles são unanimidades:

Psico (1960), filme de Alfred Hitchcock baseado no romance homónimo de Robert Bloch;

– ‘O Padrinho’ (1972), filme de Francis Ford Coppola baseado no livro homónimo de Mario Puzo;

– ‘Touro Enraivecido’ (1980), filme de Martin Scorsese baseado na autobiografia do lutador Jake LaMotta, ‘Raging Bull: My Story’;

– ‘Blade Runner, Perigo Iminente’ (1982), filme de Ridley Scott baseado no livro ‘Do Androids Dream of Electric Sheep?’, de Philip K. Dick;

– ‘O Silêncio dos Inocentes’ (1991), filme de Jonathan Demme baseado no livro ‘The Silence of the Lambs’, de Thomas Harris;

– ‘Forrest Gump’ (1994), filme de Robert Zemeckis baseado na obra homónima de Winston Groom;

Trainspotting (1996), filme de Danny Boyle baseado no livro homónima de Irvine Welsh;

– ‘Clube de Combate’ (1999), filme de David Fincher baseado na obra homónima de Chuck Palahniuk;

– ‘Este País Não É Para Velhos’ (2007), filme dos irmãos Coen, baseado no romance homónimo de Cormac McCarthy.

E é Stanley Kubrick o realizador que coloca mais títulos na lista em acima, com as seguintes produções:

– ‘Doutor Estranhoamor’ (1964), baseado em Red Alert, de Peter George. Longe do humor negro do filme de Kubrick, o livro era mais sério, afinal, falava do risco de qualquer pequena coisa desencadear uma guerra nuclear.

Shining (1980), baseado na obra de Stephen King. Livro que surgiu, quando em 1974, juntamente com a sua esposa, King ficou hospedado num hotel quase deserto no Colorado e a experiência insólita deu-lhe a ideia para o livro. Acabou por ser adaptado ao cinema e transformou o personagem de Jack Nicholson numa lenda pop. Stephen King não gostou da adaptação de Kubrick, que diminuiu a possessão sobrenatural de Jack, mas o mérito do realizador foi que, ao deixar o terror de Jack ser mais natural, tornou-o ainda mais assustador.

– ‘Laranja Mecânica’ (1971), baseado no livro violento, grotesco e confuso de Anthony Burges, genial à sua maneira, mas o qual Kubrick tornou mais eficaz em filme.

E mais, quase todos os filmes de Kubrick transformaram-se em filmes de culto, além dos já citados, podemos ainda incluir Spartacus (1960), Lolita (1962), 2001: Odisseia no Espaço (1968) e Nascido Para Matar (1987).

Os trabalhos de Kubrick sempre causaram grande interesse, tanto pela qualidade técnica como pelo ponto de vista do cineasta. Era extremamente meticuloso e perfeccionista, tanto que, em 1975, para filmar Barry Lyndon, Kubrick não mediu esforços para alcançar exatamente o que queria e chegou a conseguir lentes especiais que tinham sido desenvolvidas para a NASA só para conseguir filmar quartos iluminados unicamente por velas.

Kubrick não aceitava menos, até chegou a retirar de circulação o seu primeiro longa-metragem, ‘Fear and Desire’, de 1953, por considerá-lo uma simples experiência amadora. Se ‘O Beijo Assassino’ (1955) e ‘Um Roubo no Hipódromo’ (1956) serviram para lhe dar experiência, ‘Lolita’ é reconhecido como uma obra de arte e ‘Spartacus’ é apontado como um dos melhores filmes épicos da história do cinema, sem nunca precisar apelar a um fundo religioso.

Stanley Kubrick nasceu em Manhattan, Nova York, a 26 de Julho de 1928. Muito inteligente, mas facilmente entediado, não era um estudante exemplar. No aniversário dos seus 13 anos, ganhou uma câmara fotográfica, que logo se transformou num hobby. Aos 16, vendeu a sua primeira foto para a revista Look e, aos 17, aceitou um emprego de aprendiz na revista, abandonando de vez os estudos. Já com 22 anos resolveu fazer o seu primeiro documentário, o Dia da Luta, sobre um dia na vida de um lutador de boxe. A partir daí, foi roubado pelo cinema e saiu da revista para se tornar aluno-ouvinte em aulas de filme na Universidade da Columbia.

Na década de 60, foi convidado para dirigir o épico Spartacus. O filme foi um sucesso, mas Kubrick filmou sem poder colocar algumas das suas ideias em prática e foi a partir daí que decidiu só aceitar projetos em que pudesse ter total liberdade criativa. Com esta ideia, muda-se para Inglaterra, em 1962, e, no mesmo ano, começa as filmagens de Lolita, clássico da literatura escrita por Vladimir Nabokov. É aqui que a sua carreira dispara, grande parte, também, graças aos incentivos fiscais que o país dava a produtores internacionais que empregassem pelo menos 80% de trabalhadores britânicos na equipa dos filmes.

Stanley Kubrick revolucionou também a forma como a música era usada no cinema. Em 1967, contratou o compositor Alex North para compor as canções de ‘2001: Odisseia do Espaço’. Contudo, enquanto o filme estava na fase de edição, Kubrick gostou da trilha sonora temporária, que consistia em várias canções clássicas já existentes. Então, acabou por escolher essas obras para o filme e dispensou as composições de North.

E assim também o fez com Beethoven (Laranja Mecânica), Schubert (Barry Lyndon) e Bartók (Shining).

Em 1999, Kubrick concluiria, após três anos, a sua última produção, ‘De Olhos Bem Fechados’. Logo de seguida, viria a falecer no dia 7 de março, há 30 anos, antes mesmo da estreia desse seu último filme.

Rodrigo Juliano Claudino

Seja curioso, corajoso e empreendedor, vais obter conhecimento, experiências e conquistas. Depois compartilhe tudo, senão, qual a razão para aquilo que conseguiste? Acredito que a paz só conseguimos com o perdão, a felicidade praticando o bem e o sucesso é a soma dessas duas coisas. Sou otimista, tenho fé nas pessoas e acredito que o melhor sempre está por vir.

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