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A verdadeira elegância do ser humano começa no seu interior

Os Sapeurs são uma minoria cultural existente no Congo. Conhecidos como os “homens dentro do fato”, mas que ninguém diria que estes se poderiam associar a favelas pobres em África.

A verdade é que é no meio das favelas destruídas pela guerra que estes homens extremamente bem vestidos se encontram. Nem a lama os consegue parar. Os seus sapatos estão sempre limpos e brilhantes pois usam tábuas de madeira como ponte para que estes não se sujem e para que possam manter a aparência pouco dominante naquele país.

Quando ouvimos o termo Sapeurs é natural que todos nos questionemos acerca da sua origem. O conceito deriva da palavra “Sapologia” que por incrível que pareça não é nenhuma tendência de moda no Congo. Antes pelo contrário. É uma forma de viver a vida, é uma espécie de princípio cultural que torna um Sapeur numa pessoa interessante que sobressai por aquilo que pretende ser e não por aquilo que veste. E não há forma melhor de mostrarmos aquilo que somos, ou que queremos ser do que através da nossa aparência. É como se nos expressássemos através daquilo que usamos a nível do vestuário e é isso que estas pessoas nos tentam transmitir. Isto remete-nos ao século XVIII, século em que os escravos se vestiam elegantemente para conseguirem integrar-se nos ambientes luxuosos onde trabalhavam. Foi a partir daí que muitos africanos “livres” começaram a adotar esta forma de vestuário, transformando-a num estilo próprio, original e elegante.

Resta interrogarmos quem terá sido a primeira pessoa a ficar conhecida por aderir a esta subcultura. Bem, o seu nome é André Matsoua e tinha por hábito vestir elegantes fatos franceses. Talvez tenha surgido daí o seu gosto, isto é, através da elegância de um simples fato francês poderá ter adotado esse estilo e, assim, aderido à subcultura dos sapeurs. Ao pesquisar sobre este tema e sobre quem o originou fiquei com dúvidas relativamente a como alguém se torna um Sapeur, ou que caraterísticas é preciso ter para se ser considerado um. Apercebi-me que um membro desta cultura deve ter conhecimentos sobre alfaiataria e estar atento a cada detalhe – tamanho das meias, cores – e, acima de tudo, ter maneiras. Saber comportar-se, saber agir, ser educado, ter carisma… Tudo isto são caraterísticas necessárias, já que vestir-se bem não é o suficiente.

Um dos lemas dos Sapeurs diz-nos que “vamos baixar as armas, vamos trabalhar e vestir-nos com elegância.” Isto remete-nos imediatamente para o “adeus” à violência, às drogas, a tudo o que de mau há no planeta e que pode prejudicar-nos. A elegância começa por dentro, a roupa é só uma forma de exteriorizar aquilo que eles querem e devem ser. É no interior que o verdadeiro Sapeur começa: nos seus pensamentos, nas suas crenças e, principalmente, na beleza da sua alma.

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Cátia Barbosa

Dizem que sou sonhadora. Gosto de sonhar acordada mais do que quando estou a dormir. Prefiro o som às imagens e a natureza aos ecrãs. Acredito em magia, em sonhos que se realizam e em tudo aquilo que não se vê com os olhos. O amor move-me e foi ele que me levou às palavras. A licenciatura em Jornalismo e Comunicação tirou-me qualquer dúvida sobre aquilo que quero fazer na vida. E o amor pela rádio só veio aumentar essa certeza.

2 Comments

  1. Gostei muito do texto, acho que já conheci alguns “sapeurs” aqui mesmo pelas favelas brasileiras, muito interessante o tema. Só não entendi porque se tratar de uma “subcultura”??!! Parabéns pelo tema.

    1. Muito obrigada pelo comentário Wilma 🙂 Fico feliz por teres gostado do texto.
      Trata-se de uma “subcultura” porque é formada por um conjunto de pessoas minoritário, com caraterísticas bastante próprias que representa uma subdivisão dentro de uma cultura já dominante. Ou seja, já existia uma cultura dominante mas eles inseriram-se nessa cultura com uma outra cultura própria que não é dominante (está apenas neles), ou seja, acaba por tornar-se uma “subcultura”. É um grupo diferenciado dentro de uma cultura basicamente.
      Espero ter-te esclarecido com a minha explicação 🙂 Beijinho.

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