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A teoria dos Marretas

Muppet Chaos e Muppet Order, como quem diz o “Marreta do Caos” e o “Marreta da Ordem”. Existe qualquer coisa que nos divide – a nossa singularidade com uma métrica simples. Cada um de nós tem qualquer coisa dentro de si e uma das possíveis explicações vem do acenar dos antigos bonecos da velhinha caixa mágica. Ouvem-se as três batidas de Moliére e as cortinas abrem-se.

Sempre se desenvolveram muitas teorias que tentaram explicar a condição humana nas suas relações com os outros, mas nenhuma tinha chegado ao ponto da comparação com velhos amigos – os Marretas. Uma escritora canadiana e residente nos E.U.A, quis comprovar que o que nos distingue se divide em dois modelos: os Muppet Chaos e os Muppet Order.

Dália Lithwick explica que os primeiros têm uma dificuldade acrescida no controlo emocional, a par de atitudes consideradas voláteis. Tudo parece ser uma bola de neve que se desenrola e enrola à velocidade da luz. A comparação feita com os personagens do criador Jim Henson pretende mostrar que Gonzo, por exemplo, é um dos Muppet Chaos. Esta personagem felpuda, de nariz curvo e olhos embevecidos, vive a vida de uma forma desmedida e em constante turbilhão. A Gonzo junta-se Fozzie, conhecido pelas piadas desventuradas.

Já o popular Sapo Cocas, embora com um coração de ouro, que foge a sete pés da também famosa Miss Piggy, é visto como um Muppet Order, conhecidos pelos sucessivos ataques neuróticos, avessos a surpresas de qualquer espécie. Rotulados como excessivamente perfeccionistas e com regras para o mais simples dobrar de um guardanapo, as pessoas que primam pela ordem em tudo o que fazem na vida têm tendência para se responsabilizarem por tudo o que as rodeia. Julgam que o sufoco dos obstáculos dos outros também pesa nas suas próprias costas. Os pais podem ser o exemplo mais próximo de um Muppet Order, que, apesar de as personalidades poderem não se identificar com este escrutínio, os papéis que desempenham, enquanto educadores, fazem deles o cúmulo da ordem. Porém, existem excepções.

Com o objectivo de explicar a natureza disfuncional do Supremo Tribunal, Lithwick atribui a designação de Muppets Order à maioria dos funcionários, numa tentativa de comprovar o quão as pessoas trabalham com demasiadas regras. Devem-se suavizar as normas e desanuviar na hora de gestão de stress. A escritora não pretendeu apenas extrapolar as teorias para um caso específico, ou profissões particulares, mas assumiu que a teoria desenvolvida também servia na ‘mouche’ a certos ofícios. As perguntas, no entanto, impõem-se – Estará o executivo de Pedro Passos Coelho repleto de Muppets Order? E nós? E os outros? E os que já foram e os que ainda vêm?

Se pensarmos que até há uns anos e ainda que persista, a teoria freudiana era rejeitada, por ser impensável aceitar a ideia de um modelo psicossexual, também hoje podemos não conseguir aceitar teorias que descrevam e rotulem a nossa personalidade. Porém, todos temos um pouco de cada uma das teorias em nós mesmos. Não existe um medidor de personalidade, o que existe é uma aproximação à realidade.

A diferença entre os tipos de Muppets pode estar, segundo a autora, na felicidade entre casais, na produtividade do trabalho e até na sensação de paz na vida das pessoas. O Muppet Chaos é aquele com quem os desafios do dia-a-dia são mais facilmente superados e, por isso, as relações que criam também são mais fortes. Vivem de um modo mais intenso. Um Muppet Chaos é essencial no meio de outros Muppets Order. Entre tanta ordem, alguém que possa chegar e desordenar um pouco o intocável. É, por isso, que entre parceiros de relação as pessoas tendem a escolher alguém que seja diferente.

O sistema Muppet, porém, não é absoluto e tende naturalmente a errar. Por essa razão, não se restrinja apenas a uma teoria que não o define na totalidade, apenas o ajuda a perceber algumas das características que não pensava ter. Pense ‘out of the box’ e assente os seus pilares em bases sólidas.

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Rita Nunes Ferreira

Licenciada em Comunicação Social e pós-graduada em Estudos Europeus nasci neste mundo onde tudo/quase tudo se traduz em formas de comunicar. Tenho uma paixão nata pela escrita e um soberbo gosto pelo jornalismo em áreas diversas – lifestyle, sociedade, direitos humanos, política, assuntos europeus. Tendo sido ou não talhada para esta azáfama constante não existe o que possa demover. Todos os dias se justifica acordar e escrever mais um “bocado”.

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