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ArtesCultura

A street art de Vihls

Muito já se terá escrito sobre Alexandre Farto que nasceu em Lisboa, mas que cresceu no Seixal. A sua escola de vida foi passada na Margem Sul, aquela que tem tanto charme e atrai tantas gentes que se tornam conhecidas. Esta será mais uma personalidade que se internacionaliza e mostra a sua vasta obra a um enorme mundo de apreciadores.

Quando tinha 10 anos, olhou para o graffiti como um desafio e, aos 13 anos, já o considerava seu parceiro. Primeiro, foram as paredes e depois aventurou-se nos comboios. Aliás, são estes que lhe vão criar o nome que o identifica. A irreverência da sua obra é a sua imagem.

Vhils eram as letras que conseguia fazer mais rápido. Era só uma linha e a obra estava terminada. Começou a ser chamado assim, o que não o incomodava. Era um modo fácil de preservar a sua identidade. Uma coisa é a vida privada e outra é a obra feita, uma missão que tem de ser levada até ao fim.

Aos 19 anos, foi estudar para Londres, onde tirou um curso de Belas Artes. O seu trabalho dá nas vistas e chama a atenção. A sua street art, de retratos anónimos, em paredes decadentes, ganha nova vida e outra dimensão. É convidado para festivais, que aceita para promover a sua obra. Podemos vê-las em Londres, Moscovo, Nova Iorque, Los Angeles, Grottaglie, Bogotá e Cali.

Não esquece as suas raízes e a escola onde fez os estudos secundários recebe uma das suas marcas fortes. José Afonso será, para sempre, recordado no nome e na parede onde ele o imaginou. Lisboa, Torres Vedras e Porto também são berços de acolhimento desta arte bem diferente e muito humana. São grandes, de fácil visualização, não passando despercebidas aos olhos de quem sabe ver e sentir.

Usa explosivos e martelos pneumáticos para esculpir e dar texturas. Produtos como a lixívia e outros que se usam em modo caseiro são ferramentas para ele. Sprays, stencils e tintas complementam o que lhe vai no íntimo. Os rostos são de pessoas vulgares e, no fundo, são uma homenagem a todos os que vimos e não reparamos.

Podemos consultar os seus feitos através de um livro, publicado pela editora Lebowski, que nos maravilha com o período entre 2005 e 2010, trabalhos em paredes e suportes como metal ou madeira. O seu objectivo é que sejam feitas em espaços públicos, podendo ser vistas sempre que se quiser, sem restrições.

Quebrar barreiras, cravar paredes de rostos para chamar a atenção para os que mais sofrem, são ideias directoras da sua mente. Os materiais que usa podem ser aproveitados do que já não faz falta e a reciclagem, aqui, ganha uma nova dimensão. Os detritos passam a arte urbana. Portas, janelas, paredes, tudo são camadas que precisam de ser descodificadas em termos emocionais.

Este modo de contar a história recente além de particularmente interessante, faz pensar sobre as recentes alterações das cidades e das vidas de cada um. Por isso, não esquece a infância nem os locais onde a sua memória foi mais atenta.  A raiz do trabalho está onde o seu coração se sente melhor. Faz todo o sentido voltar onde foi feliz.

Em 2011, desenvolveu uma técnica que mistura explosivos, grafite e restos de cartazes bem como retratos feitos com metal enferrujado para criar retratos e frases. Em 2012, recriou um aguitarra portuguesa para a colecção “Tudo isto é…”. O seu trabalho não passou despercebido aos dirigentes do país e a 9 de Junho de 2105 foi feito Cavaleiro do Ordem Militar de Sant´iago da Espada.

É muito jovem ainda e espera-se que nos continue a encantar com tudo o que nos leva a ver: a realidade, o sofrimento, a beleza, o dia a dia das cidades onde ninguém se conhece bem como o difícil que é saber sentir. Colocar sentimentos em empenas de edifícios ou paredes enormes, é tarefa só para alguns, os que são génios humildes e que nos habituam a parar e pensar.

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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