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A sombra de um eclipse

Desde sempre, aquilo que não compreendemos, ou que foge do nosso controlo racional leva-nos ao medo, ao receio e a reacções por vezes estranhas. Os eclipses sempre foram eventos astronómicos que conseguiram questionar os conceitos básicos da vida terrestre, sendo, muitas vezes, protagonistas de peculiares reacções dos seres que os assistiram.

Inúmeros relatos de eclipses, durante a nossa história, mostram-nos como aspectos básicos da vida humana são postos em causa e diferentes crenças e superstições passam a ocupar esse espaço muitas vezes reservado à racionalidade e à ciência. Muitos eclipses foram, desde a Antiguidade, ligados ao Apocalipse e a outros eventos do Fim do Mundo, a catástrofes e a grandes transformações da Humanidade. A Bíblia e outros escritos sagrados contêm diversas situações que descrevem um dia que se torna em noite, ou uma lua que fica vermelha sangue, trazendo espanto e pavor.  Se pensarmos que a base forte das civilizações mundiais provém de religiões e crenças baseadas no Sol e na Luz, um evento desta natureza faria questionar as suas próprias fundações, algo que até hoje ainda deixou resíduos.

Em plena Idade Média, os eclipses tinham uma profunda ligação com pestes, doenças, guerras e outro tipo de acontecimento negativo, fazendo com que as populações se refugiassem nas igrejas e em orações compulsivas. Muito antes disso, em civilizações como a Chinesa, os eclipses levavam a que as populações se unissem em exercícios sonoros com tambores para afugentar as suas superstições, nomeadamente, no caso chinês, afastar o Dragão que comia o Sol ou a Lua. Ainda nos anos 50 do século XX, em plena floresta amazónica, uma tribo gritava e atirava pedras ao rio, aquando dum eclipse total do sol. Mesmo nos dias de hoje, com todo o conhecimento científico sobre este fenómeno, há uma parte de nós que se sente fascinada, admirando o evento duma forma quase mística e fazendo-nos questionar sobre a verdadeira natureza da reacção humana. Percebendo o evento em si podemos colocar algumas hipóteses.

Fonte: Reuters

Um eclipse solar, ou lunar tem sempre três intervenientes: o Sol, a Lua e a Terra. Na prática, um eclipse é um alinhamento entre estes três corpos, sendo que dois deles movem-se (a Terra e a Lua), e o próprio evento ocorre do ponto de vista terreno. O Sol representa a fonte de luz,  de calor e de vida, enquanto que a Lua é o símbolo da noite, do oculto e do mistério. Se tradicionalmente é sob as fases da lua que nos regemos para plantar e colher, é ao Sol que cabe trazer vida e força para crescer e dar os respectivos frutos.

Quando a Lua se coloca em frente ao Sol, a luz do dia reduz-se drasticamente, assim como a temperatura, e existe uma mudança brusca das condições naturais do dia, criando um certo desconforto que, muitas vezes, é mais inconsciente que consciente. Simbolicamente, a sombra vai reter em si a luz, durante alguns minutos, a noite vai ocultar e, no fundo, privar, a Terra da sua própria fonte de vida. Conceptualmente, isto tem um significado muito profundo, pois o Sol e a Lua representam a nossa dualidade, sendo que o Sol é o que transparecemos, o nosso brilho, a nossa personalidade, e a Lua é o nosso lado interior, as nossas emoções e o que guardamos dentro de nós. Quando a Lua se sobrepõe ao Sol, inevitavelmente somos transportados para um processo de trazer à luz o nosso interior, questionando-nos e revendo-nos.

No dia 13 de Novembro de 2012, aproximadamente às 20h39 (horário de Lisboa), ocorreu um eclipse total do Sol que, infelizmente, só se pôde assistir via televisão, ou Internet. Face aos tempos que estamos a viver, não será esta uma boa oportunidade para fazer uma introspecção?

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Leonardo Mansinhos

Nasci em Lisboa em 1980 sob o signo de Virgem e com Ascendente Capricórnio. Quando era pequeno descobri uma paixão por música, livros e por escrever. Licenciei-me em Organização e Gestão de Empresas pelo ISCTE e trabalhei durante quase uma década nas áreas de comércio, gestão e, principalmente, Marketing, mas desde muito cedo interessei-me pelo desenvolvimento espiritual. Comecei como autodidacta há mais de uma década em diversos temas esotéricos, nomeadamente em Astrologia, e, mais tarde, descobri no Tarot uma verdadeira paixão. Hoje dedico-me a esta paixão através das consultas de Tarot e Astrologia, assim como de formação, palestras e artigos nas mesmas áreas. Em 2009 co-fundei a Sopro d’Alma, um espaço de terapias holísticas e complementares, dedicado ao ser humano e onde dou as minhas consultas, cursos e palestras. Procuro, acima de tudo, ser um Ser todos os dias melhor, pondo-me ao serviço da sociedade através de tudo o que sou.

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