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Ciências e TecnologiaSaúde

A ritalina dá-te asas?

Ser criança é um direito e deve ser vivido em pleno. Não se devem cortar as asas à imaginação, antes pelo contrário, deve ser incentivada. O período de infância passa e rapidamente se chega a pré-adolescente. Outra etapa de vida, complexa e cheia de desafios, de areias movediças e ratoeiras. Muitas e contínuas. É outra fase de crescimento. Já não são crianças.

Saber acompanhar todas as fases da vida é importante e essencial porque aquilo que é fácil para uns ( duvido muito ) será bem complicado para outros, Uma criança é um manancial, repleta de energia e com pilhas que nunca mais acabam. É normal e essa desmesurada carga deve ser gasta com o adequado: brincar, saltar, estar com os seus pares.

Não me lembro de ter lido em lado nenhum que era fácil e os teóricos sabem muito para os outros, nunca para si. Quero com isto falar de crianças que estão a perder as suas infâncias normais e que passam a ser literalmente drogadas com medicamentos de que não necessitam. Bem sei que arrisco ser muito criticada, não me incomoda porque estou habituada, mas, a meu ver, exagera-se no consumo de substâncias prescritas por receitas.

Primeiro porque qualquer coisinha serve para receitar antibióticos, o que faz com que o corpo perca as suas defesas naturais e depois vem o mais complicado, o que tem o nome mais estranho: a ritalina. Voltamos à questão, eterna, da educação. Os progenitores têm essa função e não são os fármacos que conseguem prestar os melhores cuidados.

O que se encontra hoje em dia nas salas de aula? Crianças drogadas, cheias de substâncias que não lhes permitem arejar o cérebro, condicionadas por químicos que poderão acarretar consequências muito graves. Isto é um total disparate. Como se permitem estas situações? Não é forma de estar nem de aprender. Já se está a incutir uma dependência que será difícil de largar.

O mais espantoso é que os alunos universitários descobriram esta “pílula” milagrosa e tornaram-se grandes consumidores, ao abrigo de desculpas que não pegam nem com o mais distraído. Contudo, é um negócio e como tal quer gerar lucro. Vender é bom, criar vício é ainda melhor. Negócio garantido.

O problema é que não resolve o problema. Estranho, não? Um comprimido para resolver uma situação que só a vai piorar e agravar. Os alunos ficam mais atentos porque não estão no seu estado natural e isso é grave. A vida é a cores e tem muitos desafios para serem enfrentados. Não devem ser nem encobertos e muito menos ignorados.

Bons resultados escolares conseguidos com produtos químicos? Quem os quer? Muitos pais e professores, pelos estudos apresentados. E a vida real, o mundo verdadeiro, aquele que existe fora das salas de aula não conta? Esse é que é o sério e não o laboratório experimental, onde se coloca a mão por baixo e se amparam as quedas.

E se o bom senso nos assolasse e explicasse que estamos a fazer um mal tão grande a esta geração que, mais tarde, não tem retorno? É isto que querem, uma geração de alienados, queimados, sem neurónios funcionais e sempre prontos a recorrer a “ajudas externas”?  Não serão eternamente crianças e têm de saber crescer e enfrentar os medos e assumir as suas escolhas.

Pensem nisto. Meçam bem as consequências das atitudes irreflectidas que estão agora a tomar. Ainda vão a tempo porque os pais é que são os responsáveis pelos filhos. E alimentar e dar bens materiais não é educar, mas sim camuflar uma enorme falta de sensibilidade e de responsabilidade. É assim que passamos os nossos conhecimentos?

O que preferem: pessoas bem resolvidas e aptas a enfrentar as dificuldades ou um grupo de assustados e eternos meninos que são incapazes de fazer, seja o que for, porque nunca lhes ensinaram? Pois, bem me queria parecer.

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Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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