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A Riqueza de Ter, ou de Ser?

A Voz do Editor surgiu de uma ideia que estava a ser usada para o Facebook, onde todas as sextas-feiras eram colocados dois posts – um referente ao Destaque da Semana e outro à Fava da Semana. Como o espaço para uma devida exploração dos temas nas redes sociais era pequeno, decidi avançar para uma crónica semanal de reflexão de momentos da semana que mereciam destaca, seja pela positiva, pela negativa, ou por serem curiosidades que ocorreram. Acima de tudo, pretendi construir um espaço de discussão, onde o objectivo era também incentivar o Leitor a dar uso ao teclado e deixar a sua opinião sobre os vários temas abordados fluir.

Esta semana essa dinâmica sofre uma pequena alteração, porque, tal como dois posts de Facebook evoluíram para uma crónica, também esta crónica em 2015 irá sofrer uma alteração que a seu devido tempo irá ser revelada. Por essa razão, decidi escolher 5 temas que me apaixonam como pessoa e cidadão atento ao que me rodeia para desenvolver nas últimas 5 crónicas d’A Voz do Editor, acrescentando sempre, como não podia deixar de ser, duas curiosidades no fim.

Para arrancar com estes temas finais, decidi começar por falar sobre a necessidade de mudança de valores e da dicotomia entre o Ter e o Ser…

Tema

Olhando para o título desta rubrica, todos concordaríamos que Ser permite-nos ser mais ricos, do que o Ter. Na prática, porém, num mundo cada vez mais centrado no dinheiro e competitivo, valorizarmos bastante mais o lado material da vida. Os nossos valores estão completamente invertidos e o Ter tem, cada vez mais, sido uma prioridade para cada um de nós.

Ter uma vida confortável e sem preocupações financeiras é um desejo quase universal. É claro que é necessário ter dinheiro para sustentar as nossas necessidades essenciais e ter uma qualidade de vida no que toca a habitação, saúde, estudos, conforto e segurança. Uma das causas desta preocupação com os bens materiais é a nossa necessidade de nos definirmos pelas nossas posses, de ter mais do que os vizinhos ou amigos, numa competição nada saudável. Atrelamos o nosso valor ao que possuímos, à fama, ao que ostentamos, numa busca incessante pelo que teremos a seguir para demonstrar que o temos. Vivemos num mundo extremamente competitivo, onde buscamos desesperadamente e a todo custo, acumular bens materiais, ter o corpo perfeito, ter mais tempo, ter status e poder. Esquecemo-nos de que, não obstante a fugacidade da vida, o que deveríamos, primeiro, Ser, para depois podermos Ter.

Aquilo que fazemos para ganhar a vida é diferente daquilo que fazemos para ter uma vida. Acreditamos que para Ser alguma coisa temos que Ter um emprego, dinheiro, um carro, ou comer num restaurante “in“. O dinheiro assume uma função de expressão de força, de poder, para compensar a nossa fragilidade interna e as nossas inseguranças. Trabalhamos pelo sustento, porém, para ter uma vida com qualidade, devemos amar, sentir que servimos um propósito e encontrarmos o nosso real significado de Ser. Precisamos valorizar tudo aquilo que possuímos e não só os bens materiais.

Acredito plenamente que o Ser tem que se sobrepor ao Ter. Sei que não é o sentimento dominante neste século, preocupado com uma globalização essencialmente financeira e especulativa, pelo vírus da ganância alojado na mente de cada um de nós por uma visão maniqueísta das relações humanas, que pretende conduzir-nos para perigosos desvios militaristas. Existe ainda um choque de civilizações e religiões obsoleto, retrógrado, sem cabimento e sem esperança, causador de tanto sofrimento e morte. O Ter é ilusão, é pura aparência, é efemeridade, é indiferença, é intolerância, é enfermidade, é solidão. O Ter não tem esperança, porque se esgota nele próprio, alimenta-se dele próprio, exigindo sempre mais Ter.

Precisamos descobrir outros valores, que de verdade tragam mais autoconfiança, segurança e satisfação interna. Precisamos de sair desta quadratura do círculo, para este não senso que alguns tentam erguer como um novo paradigma, temos de fazer uma inversão de marcha em direção ao Ser. Ser é humanidade, consciência social, livre arbítrio, liberdade, igualdade, fraternidade, solidariedade, cultura, preocupação ambiental, ecumenismo, tolerância, aceitação e preocupação do outro. Este é o meu pensamento, a minha opção, porque acredito que, quando Somos, ficamos muito mais felizes do que quando Temos. O Ser não se acaba, nem se perde com o tempo, mas o Ter pode terminar logo. O Ser é eterno, o Ter é passageiro e, mesmo que dure por muito tempo, pode não trazer a felicidade. Por isso, acho importante começarmos a tentar, todos os dias, a Ser e não Ter. Só e apenas isso. Tentar Ser.

Numa altura em que Temos mais do que achamos e que, para nosso bem, também Somos mais do que Temos ideia, há que Ser mais no Ter menos. É assim que todos somos melhores, para nós e para os outros.

Momento

O Doctor Who de Peter Capaldi pode ser a encarnação mais sinistra da personagem mais amada na televisão britânica criada até agora, mas o actor não se impediu de enviar uma mensagem, através de um vídeo do Youtube, a uma criança de 9 anos, diagnosticada com Autismo (uma doença que afecta a forma como uma pessoa comunica e na forma como se relaciona com o mundo e as pessoas à sua volta).

Aparentemente, Thomas, o rapaz com Autismo, escreveu uma carta ao Doctor, quando se preparava para ir ao funeral da sua avó. Apesar do conteúdo da correspondência ser desconhecido, a sua mãe, após ver o vídeo que o actor enviou para o jovem rapaz, disse que as suas palavras ajudaram-nos a lidar com a dor da perda de alguém que se ama, já que esse é um sentimento novo para Thomas e que ele vive de uma forma muito profunda. No vídeo, Capaldi diz que “por vezes, somos confrontados com acontecimentos tristes. Por isso, é importante saberes que existem pessoas que estão ao nosso lado para nos ajudarem.”

Segundos os pais do rapaz, esta atitude do actor fiz uma grande diferença nos piores dias que ele viveu na sua tenra idade. É um acto de compaixão e de altruísmo muito grande, que permitiu dar a Thomas uma nova perspectiva na vida e que lhe permitiu sentir que não estava sozinho na sua dor. É necessário lembrar que ele é autista, o que lhe confere uma sensibilidade diferente da nossa e uma maior dificuldade em expressão os seus sentimentos, sendo a dor sentida com maior intensidade. A mensagem, aparentemente, permitiu-lhe conseguir seguir em frente de cabeça erguida.

A mensagem começou a ser comentada uns dias antes da estreia do final de temporada da estreia de Peter Capaldi como Doctor Who, curiosamente chamada “Death in Heaven”.

Curiosidade

No seguimento das recentes fotografias colocadas na Internet com celebridades nuas e que envolveu personalidades como Jennifer Lawrence, Kirsten Dunst e Kate Upton, uma das mais recentes vítimas, Kaley Cuoco, de The Big Bang Theory, declarou que “as polaroides são a escolha ideal. Ninguém consegue copiá-las facilmente.”

A privacidade não é a única razão que tem levado ao aumento das vendas de um produto que teve o seu auge na década de 80. Cantores como FKA twigs, Lana del Rey e Miley Cyrus também estão a abraçar o ressurgimento das Polaroides, algo que a fotógrafa freelancer Stephanie Sian Smith considera dever-se muito a um sentimento de nostalgia. “Os mais jovens de hoje em dia são mais nostálgicos do que os anteriores e eles adoram a estética que as fotografias antigas têm, daí o crescimento do Instagram. As camaras fotográficas são giras e as fotografias lembram-nos um pouco do passado.” A clássica moldura branca é, provavelmente, o elemento mais reconhecido das fotografias imprensas e dá ao trabalho fotográfico uma personalidade que as fotografias digitais não conseguem imitar. Para além disso, as fotografias analógicas permitem viver uma experiência criativa única, irrepetível e tangível.

A premiada cantora Taylor Swift também deve receber algum crédito pelo reavivar da Polaroide. O seu novo álbum, 1989, que vendeu nos Estados Unidos da América, na sua semana de lançamento, 5.8 milhões de cópias, é composto por trabalhos feitos com polaroide e cada cópia tem uma imitação dessas polaroides, para os fãs poderem ter consigo.

Criada em 1937, a marca Polaroid foi tão bem sucedida no seu lançamento que, quando chegou a década de 60, estima-se que, nos EUA, metade da sua população tinha uma camara destas. Também foi um meio usado pela maioria das mentes mais criativas do século XX, como Andy Warhol, David Hockney, William Wegman, Chuck Close, Lucas Samaras e Marie Cosindas, que adoravam o processo fotográfico que esta máquina lhes permitia ter. Entretanto, em tempos mais recentes, fãs da Polaroide, como o fotógrafo britânico Mark Borthwick e o fotógrafo de viagens norte-americano Mike Brodie, continuam a usar as técnicas da fotografia analógica nos seus trabalhos e têm conseguido alertar os mais jovens para terem atenção a esta fabulosa forma de fotografar.

Beverley Carruthers, professor de fotografia no London College of Communication, pensa que esta é uma tendência que veio para ficar. “Os estudantes estão a aceitar o aspecto físico da fotografia, através do analógico, que é uma oposição completa ao digital, e a Polaroide faz parte desse ressurgimento”, afirmou ao jornal The Guardian. “As pessoas querem sujar as mãos com as suas criações e gostam de experimentar o analógico outra vez.”

Boas leituras, Leitores Sombra.

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Miguel Arranhado

licenciado em ciências da linguagem, pela faculdade de letras da universidade de lisboa. editor no repórter sombra. amante das artes e da cultura. politólogo de sofá. curioso por natureza. fascinado pelas pessoas e pelo mundo. crítico. perfeccionista. maníaco por informação. criativo. e assim assim...

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