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A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins

Uau! Podemos começar um artigo com “uau”? Bom, eu vou começar, porque foi mesmo isso que disse e senti, quando acabei de ler A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins.

Assim que recebi o livro, abri na primeira página só para espreitar e não consegui fechar. Segredos? Campas desconhecidas? Senti logo o formigueiro de um livro que promete e fiquei completamente rendida. Não parei, li-o todo num só dia, a um ritmo hiperactivo, porque não podia dormir, enquanto não desvendasse aquele mistério.

E quando acabei: Uau!

Arapariganocomboio_2Falando um pouco do livro, gostei de várias coisas. Em primeiro lugar, fiquei logo com a curiosidade aguçada com a sinopse. O conceito de andar de comboio a observar a vida dos outros, ver algo que não devemos e que pode não só alterar a forma como vemos as pessoas, mas também a nossa vida para sempre… Deixou-me arrepiada. Obviamente que tinha de ler este livro.

Depois, a estrutura é muito agradável. Escrito como uma espécie de diário, onde é guardado só o mais importante, o livro torna-se muito mais dinâmico – temos datas e alturas do dia, não há a habitual narrativa continuada, quase minuto a minuto, com detalhes que por vezes são só “palha”. Não, a narrativa está muito bem estruturada e tudo o que é dito é preciso dizer. As palavras e frases são simples, mas bem escolhidas e impactantes. Além disso, a forma como a autora conseguiu ir dando pequenas migalhas ao leitor para que pudesse descobrir página a página a história por detrás da história, as verdades por detrás das aparências, os mistérios por detrás das perguntas, é simplesmente maravilhosa. Como um puzzle, vamos construindo a imagem, por vezes voltamos para trás, porque algo que parecia não era, e descobrimos detalhes fantásticos. É um thriller em crescendo e não há um momento de aborrecimento. E claro, com um fim inesperado. Somos levados por um caminho, depois por outro, duvidamos e no final não era nada daquilo que tínhamos suposto – mas faz sentido na mesma.

Também gostei muito da escolha de contar a história através de três perspectivas diferentes de três mulheres diferentes e imperfeitas (sim, é de conhecimento geral que adoro personagens imperfeitas): Rachel, que adora viajar de comboio e espreitar as vidas lá fora, talvez para esquecer a sua própria vida, com os seus problemas e vícios; Anna, mãe recente com uma vida aparentemente idílica (não fosse a ex-mulher do marido estar sempre a aparecer); e Megan, bonita, apaixonada e confusa, que não consegue ser feliz. Adoro o facto de nos ser permitido ter visões e opiniões diferentes do mesmo acontecimento, dependendo de quem está a contar. São mulheres com segredos, com sombras no olhar, com defeitos, com muitas falhas, mas que neste livro se unem para nos dar uma visão 360º da história. Podemos gostar mais ou menos de uma personagem, mas não estamos a ser facciosos, porque Paula Hawkins foi capaz de nos dar a oportunidade de ver o mundo através da vida de cada uma delas, de as dar a conhecer através do pensamento de cada uma delas, de as aproximar de nós através dos sonhos, pecados, medos de cada uma delas.

Outro factor muito importante são os temas. Alcoolismo, divórcio, filhos (ou falta delesArapariganocomboio_1), traições, segredos antigos que não nos deixam seguir em frente – são questões que podem fazer parte do dia-a-dia e da vida de qualquer pessoa, tornando a história ainda mais verosímil. Porém, o tema que mais me apaixonou (e que tinha acontecido o mesmo com o livro You Should Have Known) é as relações, interacções e as surpresas, ou mentiras dessas relações. Seja amizade, amor, relações profissionais, pessoas novas ou antigas, a realidade é que são todas muito complexas e que, por vezes, escolhemos ignorar o que nos convém, falta-nos empatia para nos lembrarmos do outro e, muito importante, não conhecemos aqueles que nos são mais próximos.

Por último, gostaria de falar sobre a tradução. Costumo ler livros ingleses em Inglês, porque já me decepcionei com traduções, mas este não foi o caso e, por isso, decidi também mencioná-la. Esta é uma tradução que não é forçada, ou rebuscada. Está muito natural e conseguiu o que realmente se pretende de uma tradução: que não nos lembremos que é isso mesmo.

Um obrigada gigante à Topseller / 20|20 Editora pela oferta, sem dúvida uma grande aposta e um livro fantástico. Recomendo, recomendo, recomendo e estou ansiosa pela adaptação ao cinema!

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Rosa Machado

Por ser curiosa e fascinada pelo que não compreendo, considero-me uma devoradora de livros e uma criadora compulsiva, seja de contos no papel ou de histórias mirabolantes no dia-a-dia. Adoro animais, fotografia, música e filmes – arte em geral. Perco a noção do tempo com conversas filosóficas sobre nada, longas caminhadas para parte nenhuma, conversas exageradas com os amigos, e séries com ronha no sofá.

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