Economia

A queda do sobrevivente capitalismo

Capitalismo, para os socialistas críticos deste sistema político, e liberalismo, para os pensadores que o idealizaram, são dois nomes pela qual a doutrina económica do mundo ocidental é conhecida. Numa concepção, que se foca na obtenção do lucro, a maioria dos meios de produção estão na posse da propriedade privada que rentabilizam da melhor forma os meios que têm à sua disposição estimulando o crescimento económico. Apesar de ser praticamente consensual entre críticos e defensores que o capitalismo é uma condição necessária para impulsionar a economia, este sistema ciclicamente parece asfixiar a economia lançando o mundo em crises profundas, como a que vivemos hoje em dia.

Nikolai Kondratiev foi o economista russo que descreveu as crises cíclicas do capitalismo que arrasam por completo toda a vida económica. Segundo o pensador, o capitalismo apresenta movimentos cíclicos que aproximadamente de 50 em 50 anos sofrem uma quebra no crescimento mergulhando os países capitalistas em momentos de recessão e estagnação económica. Se em 1929, com o crash da bolsa de Nova Iorque, o capitalismo sofreu um grande revés mas levantou-se, agora as dúvidas sobre o capitalismo avolumam-se levando alguns a falarem no fim de uma era dominada por esta visão.

Historicamente, uma das maiores críticas feitas ao capitalismo, sob a visão do socialismo de Marx, é o fosso criado entre as classes sociais, onde os detentores dos meios de produção esbanjam riqueza enquanto a classe trabalhadora labora em condições de trabalho injustas. Embora esta crítica tenha feito mais sentido no início do século XX, em que as condições em que os operários trabalhavam eram mais que desumanas, o fosso entre classes parece persistir. O aparecimento da classe média veio mitigar um pouco o hiato entre os ricos e pobres, mas a crescente precarização do trabalho e automatização do trabalho criou o problema do desemprego estrutural.

Contudo, se esta característica pouco humana e compassiva do capitalismo, que atropela tudo e todos em nome do lucro, tem sido tolerado ao longo dos anos, o tempo da condescendência parece ter terminado. Cada vez mais se sente que o fim da linha está próximo para um sistema que se encontra esgotado e consumido no seu próprio jogo e que, actualmente, produz mais efeitos negativos do que positivos. Na rua sente-se o cansaço de uma doutrina que tem esvaziado os recursos naturais e defraudado a visão de uma sociedade mais igualitária e democrática.

Agora, o mundo aguarda ansioso por um novo sistema que seja capaz de derrubar o velho sobrevivente capitalismo que parece ter chumbado o último teste a que foi submetido.

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Estela Tavares

Sem dúvida, que a comunicação é uma paixão inegável e que me define como pessoa, por isso, a licenciatura em jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social foi um passo natural. Poder escrever sobre o mundo, que nas suas múltiplas manifestações nos fornece a matéria-prima, que nos rodeia é um privilégio.
Quanto a mim, os vícios por porta-chaves, sapatos e o Nadal (um grande tenista) são algumas das características, que segundo os meus amigos me conferem uma loucura q.b

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