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CinemaCultura

A Psicologia dos Filmes da Disney

A palavra Disney é-nos familiar a todos nós, pois, desde a nossa infância, que conhecemos os seus filmes e histórias. A Walt Disney Company, assim é o seu nome, foi fundada em 1923, por Walt e Roy Disney, dois irmãos com um lema em comum: “Never give up on your dreams”, o que, em tradução livre, daria algo como “nunca desistas dos teus sonhos”. Com narrativas criadas para crianças e adultos, a Disney completa as suas histórias com mensagens importantes e preceitos de vida necessárias para uma construção humana mais honesta. Ninguém fica indiferente ao mundo de fantasia por ela construído, mas que mensagens são essas? De que forma podem alterar o nosso comportamento humano e quais os filmes onde estas mensagens são mais evidentes?

A Walt  Disney Company já conta com 91 anos de existência, mas o seu sucesso não foi imediato. Só cinco anos após a sua fundação, é que a empresa ficou reconhecida perante o público, com a curta de animação intitulada “Steaming Boat Willie”, onde assistíamos às aventuras de um pequeno rato simpático a velejar em pleno mar alto. O êxito foi fulminante com esta personagem chamada de rato Mickey, a sua personalidade era igualada ao do típico cidadão americano: engenhoso, prático e honesto. Em tempo de Guerra Mundial, a Disney tornava-se num entretenimento para a população. O criador, Walt Disney, queria mais para a sua empresa, onde o negócio era o Sonho. Com o objectivo de chegar a um público-alvo mais extenso, Walt começa com a criação de longas-metragens a cores, para serem exibidas no cinema. Demorou quatro anos a ser concluído, mas finalmente ficou pronto. Em 1934, o filme Branca de Neve e os Sete Anões era lançado. Tal como previam, foi um sucesso, não só pela tecnologia utilizada para a altura (o preto e branco era substituído pelas cores), mas também pelo final feliz transmitido na história, que influenciava positivamente os espectadores. A Disney descobriu, assim, o segredo para o sucesso: utilizar felicidade para criar felicidade. A empresa, a partir daí, não parou mais e, durante anos, utilizava sempre a mesma premissa: o amor entre o príncipe e/ou princesa, o vilão que pretendia destruir a felicidade de ambos e um final que termina com tudo em bem. Estas eram histórias de contos de fadas inspiradas em escritores do mundo inteiro, que a empresa ia recolhendo. Exemplo disso são as obras de Hans Christian Andersen e dos Irmãos Grimm.

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A empresa evoluía com o passar dos anos, os temas deixavam de ser apenas entre humanos e o reino animal começava a ter mais destaque e protagonismo. O primeiro exemplo disso foi o filme Bambi (1942), baseado no livro do austríaco Felix Salten. A história centrava-se num veado que vivia na floresta e que tinha a curiosidade de descobrir tudo em seu redor. No entanto, a sua vida muda, quando caçadores invadem o seu habitat e a matam a sua mãe, que morre a protege-lo. O pequeno veado, a partir daí, terá de aprender a sobreviver na floresta sozinho. Este foi o primeiro filme da Disney onde o protagonista era um animal, sendo que a mensagem que pretende transmitir ter um teor ambientalista. Outro exemplo deste género de mensagem é o filme Wall.e (2008), que mostra como é importante protegermos o planeta Terra, onde vivemos, e quais são as consequências da inexistência do interesse pelo ambiente. Porém, ainda sobre o Bambi, na película é exemplificado o domínio do Homem no habitat dos animais e de como as ações e comportamentos do ser humano podem danificar a vida na floresta. A mensagem implícita no filme é que os animais também têm sentimentos tal como nós e sentem a felicidade, a tristeza…e não devemos inferioriza-los. Neste filme, é, durante a morte da mãe do Bambi, que o espectador sente completamente toda a dor do veado, que ainda cria é deixado órfão.

Ninguém fica indiferente a esta cena que muitas lágrimas fez derramar. Ainda hoje escolhida como um dos momentos mais tristes da Disney, ultrapassado apenas pelo momento em que Mufasa, pai de Simba, é morto pelo próprio irmão, Scar, no filme de 1994, O Rei Leão. Este é dos filmes de maior sucesso, que arrasou bilheteiras e multiplicou os lucros esperados. A história baseia-se em Hamlet de William Shakespeare e em referências bíblicas. No filme, acompanhamos o nascimento de um leão que estava destinado a ser rei da savana, mas a vida não lhe foi fácil, como expliquei anteriormente, sendo que Simba não estava preparado para suceder o pai e culpava-se pelo sucedido. Escolheu fugir para um lugar onde não fosse reconhecido, só que acabaria por ser encontrado por um javali e um suricato, que acolhem a pequena cria de leão perdida no deserto e ensinam a Simba a viver a vida sem preocupações. Durante a história do filme, acompanhamos a jornada do protagonista e a sua descoberta sobre si mesmo e sobre a forma como os ensinamentos e conselhos passados do pai podem ajuda-lo nas escolhas futuras para a sua vida. O crescimento de Simba é o de um típico adolescente, longe de todas as responsabilidades, sem interesse no reino do seu pai, que está sob a submissão do terrível Scar. Porém, quando é confrontado por alguém do seu passado, Simba lembra-se do pai e de como este o educou para ser: um rei.

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O filme O Rei Leão ensina-nos que não importa quais as dificuldades que a vida impõe, podemos sempre contar com a nossa família e amigos para contornar esses obstáculos. Devemos sempre respeitar os conselhos que os outros nos dão, pois nunca se sabe quando os podemos utilizar. Todo o filme mostra essa mensagem de que, por vezes, temos de percorrer o caminho mais longo, para chegarmos à felicidade, e de que forma os ensinamentos dos outros podem ajudar a conseguirmos uma vida plena. No Rei Leão, Mufasa o pai de Simba, doutrina o filho sobre as lições que a vida dá e de como estamos todos ligados uns aos outros.

Com o avançar dos anos, a Walt Disney Pictures começou a compreender os conceitos e necessidades das crianças do presente e mais filmes começaram a surgir. Em 1995, surge uma inovação com o cinema a 3 Dimensões. Toy Story foi um filme realizado em parceria com a Pixar, empresa especialista em efeitos visuais. Nessa película, a história gira em torno de Woody, o brinquedo favorito de Andy, um menino de 10 anos, mas a chegada de um novo brinquedo, um astronauta de nome Buzz, o mais desejado pelas crianças, coloca a vida de Woody num reboliço. No decorrer do filme, vamos percebendo a mensagem que pretende transmitir: o verdadeiro valor da amizade. Em Toy Story, aprendemos que a união faz a força e, quando tudo parece perdido e sem solução, se existirem amigos verdadeiros a ajudar, tudo será possível. O trabalho em equipa é o tema principal dos três filmes da saga dos brinquedos. Com a chegada de um novo membro a um grupo, podemos sentirmo-nos um pouco postos de parte, mas, depois de o entendermos melhor, este pode ser reconhecido como similar a nós.

Existem outras teorias para a verdadeira história de Up-Altamente. Nas primeiras cenas do filme, Carl está sentado na poltrona em sua casa e há quem diga que o protagonista morreu aí de causas naturais, sendo que o resto do filme é passado no pós-vida de Carl como forma de este conseguir ter finalmente paz, para seguir em frente. Quanto à personagem de Russel, é um anjo, que está a tentar ganhar as suas asas, mas que para isso tem de ajudar os que chegam ao céu. A Disney esconde muitas mensagens nos seus filmes, mas é possível que não exista nenhuma mais marcante do que a do filme Up-Altamente (2009). Também realizada com a mesma, mas melhorada, tecnologia que Toy Story, seguimos a história de Carl, um velho resmungão que vive sozinho, mas que pretende realizar um sonho – partir numa aventura à descoberta da América do Sul. Como Carl foi vendedor de balões, não existe maior aventura do que voar até lá, mas, nesta andança, surge um convidado inesperado, o pequeno Russel, um menino optimista, que ambiciona tornar-se num escuteiro.

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No filme, o espectador deixa a lágrima cair logo após 5 minutos do seu começo, pois acompanhamos a vida de Carl e da sua esposa Ellie, que já faleceu sem cumprir o sonho de ambos. A história criada aborda duas faixas etárias, o do velho Carl, um conservador que vive amargurado por não conseguir realizar as suas expectativas da vida, e, por outro lado, o jovem Russel, um menino energético, fala-barato, adepto das novas tecnologias e sempre disposto a ajudar. Talvez não fosse a aventura que Carl esperava ter, mas esta foi a aventura da sua vida e na melhor companhia. Esta é uma história escondida no filme que pode bem ser verdade, mas cabe apenas a cada um acreditar se é possível.

A Disney tem o dom de fazer acreditar que tudo é possível nos seus filmes, que os sonhos podem-se tornar-se realidade e que não existem caminhos difíceis, apenas momentos que podem ser ultrapassados. Os adultos aconselham, devido aos ensinamentos morais, ecológicos e afectivos que propõe, e as crianças adoram, por causa da qualidade da animação e das histórias que fazem rir, chorar e acreditar que tudo é possível.

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Célia Paula

Licenciada em Ciências da Comunicação, adoro escrever e ler. Sou lontra de sofá, amante de filmes e séries de televisão, vejo tudo o que que posso. Aprendiz de geek, vivo num mundo de fantasia. Adoro a vida, e ainda há tanto para descobrir.

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