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A Política de Errar

Os chefes de governo e de estado são figuras impossíveis. A ideia que se tem é que um líder trabalha 20 horas por dia, que não precisa de dormir muito, que está sempre pronto para resolver qualquer problema que lhe apareça à frente e que tem as respostas para todos os problemas. Isto é verdade, mas só e apenas se formos ideólogos. A verdade é que a maioria dos líderes são humanos, eleitos e com falhas. São horários espartanos, sem muito tempo disponível (e ainda menos livre) e sujeitos às necessidades dos acontecimentos. Não é, portanto, de estranhar que o cansaço e os erros apareçam de vez em quando.

Toda a gente erra. Somos humanos e o erro é parte integrante da natureza humana. No entanto, quando ocupamos um lugar de destaque no governo de uma Nação, os erros que cometemos têm tendência a serem analisados a microscópio e criticados sem misericórdia. Antes de mais há erros e erros. Toda a gente ignorou o “É fazer as contas” de António Guterres relativamente pouco tempo depois da morte da sua mulher. Não foi um erro propositado e toda a gente entendeu que provavelmente teria outras coisas na cabeça no momento. Já o “Manso é a tua tia, pá” de José Sócrates valeu-lhe um sério problema de relações públicas que ainda hoje não foi esquecido. São exemplos nacionais, mas há também internacionais. As inúmeras gaffes do Presidente Bush e do Vice-Presidente Biden, o affair do Presidente Hollande, ou até mesmo os escândalos da Casa Real Inglesa. Os líderes são humanos, não deuses e, como tal, erram.

Porém, devem esses erros (tanto pessoais como políticos) ser entendidos como um sinal da humanidade, por oposição a um sinal de fraqueza, dos líderes? Devem sim. E devem ser entendidos e explicados, preferencialmente pelos próprios, em vez de criticados e usados como munição de campanha. Face a um problema, a solução tomada no dia de hoje pode ser a melhor, mas no dia seguinte já poderá ser a pior. É isto que escapa a muitos dos críticos da classe política.

Há também a situação do lado executivo da política. Vemos os políticos sempre de fato e gravata, a chegar em grandes carros, rodeados de seguranças e sempre afastados da população. Isso afasta a população da classe politica e torna mais difícil o perdão dos erros. Há alturas em que o fato e a gravata são exigidos e há alturas em que umas calças de ganga e uma camisa ficam perfeitamente bem. Um político não é mais, ou menos competente pela forma como traja. Não há melhor exemplo disto do que o do actual Ministro das Finanças Grego, Yanis Varoufakis. É importante para a classe politica demonstrar um lado menos executivo, mas não menos profissional e sério, para se aproximar da população.

Quando comecei este artigo referi que muitos dos líderes são eleitos, mas e os que não são? Os que nasceram para desempenhar o cargo? Não terão eles direito a errar também? Vem-me à memória o caso de Juan Carlos de Espanha, quando decidiu ir caçar elefantes, em plena crise económica e social. Num fantástico momento de humanidade, admitiu, embaraçado, que não deveria ter ido caçar e que tal não voltaria a acontecer. Cometeu um erro, admitiu-o e pediu desculpa por ele. E, em grande parte, foi perdoado.

É pouco inteligente pensar que ninguém comete erros, pois eles fazem parte da natureza humana. O importante é como se lida com esses erros. Infelizmente, a classe política esconde os erros que comete, em vez de os admitir e explicar, como se tivesse vergonha dos mesmos. Seria engraçado ver um político convocar uma conferência de impressa para admitir um, ou mais erros.

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Manel Gabirra

Estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no Curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Grande apaixonado por automobilismo e política.

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