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A Poesia da Medicina

A época moderna foi importante no que toca à evolução. Não só se descobriram novas doenças, como também se descobriram novos métodos de cura. O prémio Nobel da Medicina, Richard J. Roberts, considera que a cura de uma doença tem influências na psicanálise e não tanto em medicamentos (que tendem a ter efeitos placebo). Os novos métodos de cura estão intimamente ligados à cultura e às artes, conseguindo influenciar o estado de saúde – ou o estado psicológico – de um doente em estado extremo. Já se tinha ouvido Wolfgang Stefani confirmar que uma específica arte musical, providenciada por um especialista em Musicoterapia, poderia influenciar doentes com as mais variadas patologias (saiba mais aqui). Ou ainda a cura através do carinho, da amizade e do divertimento, como aprendeu Hunter Patch Adams pelas próprias mãos (a história verídica de Hunter Patch Adams‎). Recentemente, Rafael Campo, ganhou um importante prémio de medicina na Universidade de Harvard, pois descobriu que existe uma relação entre a medicina e a poesia.

Segundo a sua teoria, a acção de ouvir, ou ler um poema é eficiente, já que o sentimento do poeta é passado para o leitor dando um certo conforto. No caso dos doentes, os temas giram à volta da morte, da dor de morrer, da perda, por vezes, da nostalgia. Dificilmente uma pessoa que nunca passou por essas experiências conseguiria partilhar a mesma sensação.

(“We experience an entire immersion of ourselves in another’s consciousness.”)

 

Exemplo de alguém que sofre de Moléstia

Vacina

Doença que faz doer o peito,
Escorrer nos olhos,
E se prostar no leito,

 

Moléstia que faz o nariz arder,
O corpo pulsar,
E em alucinação se perder,

 

Sair do real,
Num mundo de ilusão,
Viver muito mal,
Vacina encontrada!!!
Vindo do Oriente,
Importada.
Poucas doses já são  suficientes,
Prá deixar o curado,
E a alma contente,

 

Mas comigo sempre carregarei,
As sequelas desta moléstia,
Que de ninguém herdei.

 

Luciene Arantes

Fonte: http://sitedepoesias.com/poemas-de-cura

A história da relação da Poesia com a Medicina já vem de Antes de Cristo. Embora a Poesia seja relativamente recente no que toca à sua relação com a medicina, os seus poderes curativos já têm anos de história – antiga como as danças primitivas à volta das fogueiras tribais. Cantar, ouvir e a poesia são a cura mais antiga do coração e da alma (aposto que muitos concordam com esta clássica expressão). Um coração partido ouve, ou canta Toni Braxton e sente um conforto… Ou então Lily Allen, cabe a cada um decidir o que influencia a cura. Da mesma forma, a Poesia cura corações partidos e até doenças mais graves.

 

“As palavras são os médicos de uma mente doente”

(Esquilo)

A poesia da medicina

 

Apollo Sorano de Éfeso, um médico poeta que exerceu a sua função, sobretudo, no Império Romano dos século I e II A.C., uma época pacífica nas terras mediterrânicas, prescreveu a leitura de poesia e representação para os seus pacientes com doenças mentais e comédia para os depressivos. Hoje em dia, Sorano é conhecido por muitos tanto como o deus da poesia, como da medicina, já que ambas estão historicamente ligadas.

No século XVIII, o primeiro hospital nas colónias americanas para doentes mentais, Pennsylvania Hospital, fundado por Benjamin Franklin, adoptou diversos tratamentos para os seus pacientes, que incluíam a leitura, a escrita e a publicação de artigos no diário The Illuminator. O primeiro livro sobre a terapia da poesia foi publicado em 1969, Poetry Therapy, que incluía ensaios de diversos pioneiros na área. A partir destes estudos, muitos médicos começaram a integrar a poesia em grupos de doentes. Arthur Lerner, médico em Los Angeles, fundou o Instituto Poetry Therapy, em 1970, na costa ocidental, e Poetry in the Therapeutic Experience, em 1976.

Os poetas escrevem os seus poemas para exprimirem os seus sentimentos e pensamentos e, da mesma forma, os pacientes com doenças mentais irão escrever sobre as suas experiências, sentimentos e pensamentos em poesia, que facilitam a posição do médico em perceber certos ataques e mudanças mentais. Por exemplo, os doentes de esquizofrenia poderão escrever sobre as conversas entre cada personalidade, enquanto que, no caso dos doentes com problemas na alimentação, doentes de bulimia e anorexia é possível escreverem sobre os seus sentimentos e pensamentos, quando se olham no espelho. Tal como diz Alberto Rothenberg, um médico em Yale, a poesia é “mais reveladora que os sonhos”.

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Petra Teixeira

Licenciada com o curso de Ciências da Cultura, vertente em Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Adora o mundo da Comunicação sendo que a escrita é uma das áreas predilectas. As áreas de interesse são sobretudo direcionadas para a moda, música, cinema, teatro, literatura, socidade, e um afim de outros assuntos que fazem a vida mais interessante.

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