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A nova Idade Média portuguesa

Após eleições, após queda do Governo legítimo, constituído pela coligação mais votada, tomou posse um Governo com base no segundo Partido mais votado, dificilmente uma escolha do povo eleitor, ou não teriam os portugueses dado o voto em maioria aos que foram derrubados em Assembleia da República. A única interpretação mais directa que me surge é a de que o Parlamento derrubou a escolha do povo e, contrariando-a, abriu caminho para um Governo que o mesmo povo não quis. O que também demonstra que a Lei fundamental, a Constituição, não serve o povo nas suas escolhas, ao permitir soluções contrárias à sua vontade.

O momento político português já passou por algumas atitudes dos seus actores muito próximas destas a que agora assistimos. Não à tomada do Poder por um Partido não escolhido, mas à praxis de contradição assim que toma o executivo alguém que sempre foi contra, simplesmente contra, porque sim. Refiro-me às notícias sobre as orientações na Educação, dificilmente uma questão partidária, mas que devia ser um assunto nacional, de interesse do futuro e o mais apartidário possível. Governar sempre pelo contra, substituir de imediato cargos dependentes do Governo é apenas um mau sinal, um mais, do que se pode esperar de toda a desconstrução dos anos antecedentes. Nomear gente da confiança política de um governo maioritariamente odiado, como o foi o Governo de Sócrates, é um gesto mais de desconsideração pelos portugueses.

Estes actos configuram, em apenas alguns dias de governação, o que se pode esperar de um Partido que sempre votou contra tudo o que não saísse da sua bancada parlamentar, agora associado a um outro Partido que contra tudo e todos votou sempre, durante 40 anos, contra tudo o que outos que não eles propuseram. Este simples facto seria suficiente para não se ter o mais leve respeito por quem tratou e trata com tal arrogância e desprezo todas as ideias e propostas distintas das suas.

E, no entanto, o PS de António Costa colocou-se refém de um Partido que não respeita nenhum outro, pela visão que tem de tudo o que for distinto de si. A mesma visão dos fascistas e dos fundamentalistas radicais.

E, no entanto, o PS de António Costa irá seguir, na senda de demagogia que tantos outros PS nos habituaram. Hoje são as compensações pelos cortes em taxas sociais, que não podem ser repostos por… obviamente erros e pouco rigor do anterior Governo. E tudo irá rever, retroceder, mesmo em políticas que nada têm de partidário, por atingirem valores universais e hoje bem entendidos como fundamentais, como a educação e a saúde. Tudo irá retroceder, porque para o PS, como para o PCP, tudo à sua direita é fascista.

Sobre esta atitude socialista o povo eleitor devia refletir. Tendo ainda em conta que o recentemente foi feito se deveu ao que da Europa (não fascista, nem comunista) nos chegou, em conjunto com o dinheiro que nos paga todos os meses os vencimentos, num país que não gera riqueza e vive quase inteiramente à custa de fluxos de capital do exterior.

Porém, o PS pareceu preferir ser refém de dois Partidos anti-democratas, Partidos que não desistiram de nos roubar a democracia e a Liberdade (ou então teriam ao menos uma vez admitido ideias e decisões distintas das suas, o que nunca aconteceu em 40 anos), do que ser refém de credores, que nos pagam o que comemos e vestimos, mais a educação dos nossos filhos. Mesmo com uma austeridade com que não concordo, prefiro-a claramente ao fantasma de novo resgate e de mais austeridade, porventura insuportável pela maioria de nós.

E com um PS assim, a preparar-se para demagoga política de investimento público e de expansionismo irrealista, a próxima vaga de austeridade é certa.

Temos, então, uma nova Idade Média da actualidade, com a associação a ideologias inimigas da democracia e com a vaga de despesismo e de desvario financeiro, de que Banca e grandes empresas irão beneficiar, e mais uns quantos grupos do costume, dos interesses ligados ao Partido do Poder.

Temos um Partido Socialista a assumir uma posição muito próxima do anti-regime tradicional do Partido Comunista, até nas posturas em que nos aparece em fotos públicas, um ar de “comité”, não bastasse já essa anacrónica figura de Secretário-geral, uma triste reminiscência do que de pior houve na história da política mundial, com os regimes comunistas do leste europeu. Contudo, há muita culpa de todos os outros democratas europeus.

O que nunca foi feito de forma inequívoca foi a denúncia de tudo o que se passou nesses regimes comunistas, como o empobrecimento provocado e intencional dos povos, a perseguição política, a destruição social e intelectual de tudo. O que o comunismo fez a nível internacional não teve nunca paralelo em nenhuma outra forma de poder, de regime e de ideologia. E nunca em lado algum um comunista soube respeitar uma só ideia distinta da sua.

Este é o pano que agora temos por de trás da nossa governação, não fosse ela já por si uma promessa latente de calamidade económica, financeira e social. A estatística demonstra quais os anos de maior empobrecimento da população, uma evidência contra a ideia geral. Sempre foi com o PS que o empobrecimento e as desigualdades sociais se acentuaram.

Essa estatística é inquestionável e internacional. E Costa prepara o país para mais um período de muita ansiedade e de mentira. A culpa, se existe, é mesmo de quem o deixou tomar o Poder. Esses, somos nós.

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Alexandre Bazenga

Licenciado em Agronomia e com uma pós-graduação em Gestão. Leitor adicto, a escrita é uma inevitabilidade. Música, Literatura, Pintura, Fotografia, Culinária e a demanda do Conhecimento, são outros dos meus trajectos.

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