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A nossa recompensa está no esforço, não no resultado.

 

A nossa recompensa está no esforço, não no resultado. Um esforço total é uma vitória completa.

– Mahatma Gandhi

Inevitavelmente o meu pensamento esta semana tem andado disperso pelas razões que levam alguém a matar outra pessoa com um tão requintado nível de frieza e malvadez, tão rebuscado que tem tanto de estranho como de surreal.

Penso especificamente no caso da filha que matou a mãe no passado dia 1 de setembro e foi notícia por todo o país.

Pergunto eu: O que leva alguém a idealizar um crime tão violento e pior do que isso levar a efeito a consumação de tão hediondo acto, sem dó nem compaixão? Afinal, que sociedade é esta em que vivemos, que valores estão a ser passados a quem nos segue e ficará por cá depois de nós?

Eu ainda me lembro do tempo em que este tipo de notícias e, consequentemente, estas situações ocorriam em países longínquos e que nos pareciam quase noutra realidade, paralela àquela em que vivíamos. Porque Portugal é um país pacífico, é o que se diz, e de pessoas de bem, há até quem afirme que o português é um povo muito “pacato”. Será mesmo?

Eu gosto de acreditar, ou melhor, eu acredito que o que está a acontecer na sociedade portuguesa e que se reflete quase diariamente em mais um caso de violência seja doméstica, seja de que tipo for é um período passageiro.

Não devemos nós ser um contributo para uma melhor sociedade? Procurar através das nossas ações e forma de estar na vida alcançar a harmonia e um salutar convívio com os que nos rodeiam?

Pois, imagino que sim! Ou pelo menos era suposto assim ser. No entanto, e lirismos à parte, esta é uma missão quase impossível nos tempos que correm.

Volto ao tema da professora, sendo como diz quem a conhecia uma pessoa de bem, integrada na sociedade e amiga do seu amigo, como é possível que tenha mantido sob o seu teto e proteção aquela que viria a ser a sua assassina? Porque, apesar de soar mal, é disso que se trata, quem tira a vida a alguém de forma tão dolorosa e violenta só tem um nome e é o de Assassina.

Contudo, fica pior, quando a Assassina é a pessoa a quem provavelmente foi dedicada toda uma vida de carinho, de afetos, de mimos e de bens materiais. E fica pior ainda se pensarmos que, na pureza do princípio de tudo isto, está a atitude altruísta que esta senhora teve ao adotar uma criança que estava fora dos seus pais biológicos. Acolheu-a no seu lar e deu-lhe tudo o que conseguiu e que estava ao seu alcance, imagino eu.

O que poderá ter corrido mal nesta relação que desvirtuou o que poderia ser uma perfeita relação de mão e filha? Nunca o iremos perceber, porque apenas as duas pessoas (mãe e filha) poderiam explicar o que não correu bem.

O horizonte da sociedade em geral não parece nada animador e honestamente, por vezes, receio que esta tendência de violência no mundo e consequentemente também aqui pelo nosso cantinho à beira mar plantado se venha a manter ou até a piorar.

Por mim e naquilo que da minha pessoa depender, estarei sempre pronta a defender os oprimidos e a enfrentar os agressores, estejamos a falar de opressão e violência física ou psicológica.

Porque esse é o outro lado da moeda, a violência psicológica que por vezes termina em violência física. Continuarei a acreditar no ser humano e que vale a pena algumas vezes ser ingénuo, e não entender certas posturas e atitudes de quem nos rodeia. É verdade que comportamento gera comportamento e eu acredito que deveremos fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem a nós.

Porque, como dizia Gandhi, “a nossa recompensa está no esforço, não no resultado. Um esforço total é uma vitória completa.” Muitas vezes nos esforçamos, por fazer bonito, por ser melhores pessoas, por ser melhores pais, melhores filhos… nem sempre conseguimos é um facto, mas isso não é o mais importante.

Não é isso que faz de nós melhores ou piores pessoas, o que faz de nós um ser mais harmonioso é a certeza de que, quer tenha corrido bem ou não, eu fiz o que considero ser o melhor a ser feito naquele momento e perante aquela circunstância e dou de mim tudo o que tenho, não resulta? Ok, então, volto a tentar.

Na certeza de que a minha recompensa vem não daquilo que quero alcançar, mas no modo como me empenho no que faço e me dedico a todos com quem compartilho o meu dia-a-dia, quer seja no trabalho, quer seja com a família e amigos, não serei com certeza a melhor do mundo, mas quem convive comigo recebe de mim o melhor que consigo oferecer.

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