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A muralha do medo: Uma geração sem liberdade de escolha

Está a chegar uma geração sem liberdade de escolha. Pressionada pelos baixos índices de empregabilidade, pelos pais, pelos professores e pela classe política. As consequências não tardarão. Daqui a umas décadas teremos mais médicos, enfermeiros, advogados, informáticos e contabilistas frustrados e quiçá incompetentes, tudo porque não estão nos seus devidos lugares. A culpa é de quem diz que se deve escolher a profissão consoante os rendimentos e não consoante a vocação. Todos vamos perder.

Somos o país do medo. Quantas vezes não escutamos o provérbio “é melhor prevenir que remediar”? Está entranhado na sociedade – a lei do facilitismo. Pessoas optimistas são vistas como loucas, ou sortudas. Não são devidamente escutadas. Nos jornais, lê-se o estado da Grécia, a privatização da TAP, histórias de miséria. Nas salas de aula, os professores exaustos do sistema lamentam-se. Em casa, à hora das refeições os pais sussurram a falta de dinheiro. Já a classe política debate-se em coligações e acusações mútuas. Na hora de pedirem um conselho, os jovens escutam: desemprego, empreendedorismo e emigração. A opção é só uma: escolher um curso com emprego garantido. Caso contrário, és um sonhador.

O problema é que na generalidade as pessoas ficam-se pela superfície. Não vêem, apenas olham. Estão tão envolvidas por esta nuvem cinzenta que cobriu o país em 2011, que não percebem que ninguém é feliz contra a sua natureza. Um artista não é realizado no meio dos números e vice-versa. Percebam isso. O sacrifício só é aceitável, quando está em causa a felicidade, não os bens materiais. Ninguém deveria passar 40 anos da sua vida a acordar com um mal-estar no estômago, tudo porque vai para um emprego que não se sente realizado. Ninguém deveria passar pelo menos oito horas por dia a fazer algo que os músculos contrariam. Ninguém deveria odiar os fins da tarde dos domingos, porque significa que se está a poucas horas de voltar à rotina. Um país de pessoas felizes é um país mais produtivo.

Os jovens têm os seus olhos postos nas gerações que se seguem. A dos 30, 40, 50 anos. Estão assustados com os nossos lamentos. Não sabem que caminho seguir. Sentem-se sufocados pela incerteza que se gerou. Têm medo. Mais medo do que nunca. Do fracasso, de um futuro na corda bamba. Agarram-se às médias. Estão sufocados e muitos em depressão (sim em depressão!). A competição está mais acesa do que nunca. Precisam de ser escutados. Precisam de liberdade de escolha. Precisam de seguir o seu próprio caminho, sem medos. Esquecemo-nos de dizer: quem acredita, não desiste e quem não desiste, vence. Sempre. A palavra esperança dissipou-se do nosso vocabulário.

O país está tão preocupado com a economia que se esqueceu dos seus. É urgente deixar as crianças e os jovens sonharem. Eles são o motor de uma nação. Não lhes cortem as asas. Deixei-os voar, sem medos. Não imponham escolhas. Proteger tem limites. Deixemos os mais novos arriscar. Eles precisam de viver no sentido literal da palavra. Vamos hoje mesmo começar a derrubar a muralha do medo?

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Diana Rodrigues

Minhota de gema. Distraída. Aventureira. Gulosa. Crítica. Observadora. Anti rotina. Persistente. Sonhadora. Alguém que vê na evolução um objectivo. A escrita? É mais que uma fuga. É paixão. O jornalismo regional e a imprensa online são os intermediários.

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