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A mulher, a verdadeira heroína

Sim, nós, as mulheres somos verdadeiras heroínas. Uma espécie de polvo, com inúmeros tentáculos. São-nos exigidos tantos papéis. E temos que os cumprir todos com a maior das eficiências – mulher, mãe, filha, esposa/namorada, profissional, dona de casa, amiga, companheira, confidente… Não há espaço para falhas. O dia tem que ser gerido ao milímetro e, no meio disto tudo, ainda nos é exigido andar sempre impecáveis: com o cabelo arranjado, a depilação em dia, as unhas bonitas, uma pele lisa sem celulite e estrias. Ser mulher é, possivelmente, o papel mais exigente de todos.

A mulher perfeita é inderrotável. Trabalha das 9h às 18h, levanta-se às 6h para preparar os filhos para a escola e depois à noite, se for necessário, trata do jantar, das roupas e ajuda nos trabalhos de casa. Deita-se muitas vezes à meia-noite. Não se pode queixar. Mulher é ser isto – multifunções. É assim que somos ensinadas há séculos nos diferentes ângulos da sociedade: família, cinema, televisão, livros, publicidade, entre outros.

Vive-se em permanente pressão. Somos muitas vezes uma bolha pronta a arrebentar. Estamos, quase sempre, na corda bamba. Entre cair, ou continuar. Gritar, ou sorrir. E, mesmo assim, continuamos a preferir continuar e sorrir. É isto que nos torna admiráveis, uma força de natureza. Sim, porque não nos é permitido fraquejar, desistir, ou ficar doentes. Somente resistir.

Tem sido um caminho agitado, mas admiravelmente percorrido. Conquistamos o respeito. Aos poucos temos chegado aos altos postos da sociedade nas mais diversas áreas: empresarial, política, institucional, mostrando a nossa eficiência. E mesmo assim continuamos a ser mulheres, contra todas as exigências. Autênticas super-mulheres.

Cumprimos tudo à risca. Esticamos os segundos, os minutos e as horas. Fazemos tudo e mais alguma coisa ao mesmo tempo. Cozinhamos, enquanto pensamos no trabalho da manhã. Estendemos a roupa a correr, antes de ir para o emprego. Telefonamos à amiga na hora do almoço. Corremos até ao centro comercial mais próximo, para comprar um presente à cara-metade que faz anos. Vamos ao cabeleireiro à pressa, antes de uma ida ao cinema em família. Não paramos. O relógio é o nosso maior inimigo.

A mulher nunca tem verdadeiramente férias. Tudo é vivido a mil à hora. À flor da pele. Não há tempo para sofrer, ou para lamentar. Para isso, existem as armaduras. Há que sorrir para o filho, para o marido, para os pais e para o patrão. Há que levantar de manhã bem cedo todos os dias, sem excepção. No mundo feminino, não há folgas, apenas agitação. Sim, é uma vida de loucos. Uma vida à escala dos heróis. É isso que somos, nós as mulheres – verdadeiras heroínas. Nunca te esqueças disso.

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Diana Rodrigues

Minhota de gema. Distraída. Aventureira. Gulosa. Crítica. Observadora. Anti rotina. Persistente. Sonhadora. Alguém que vê na evolução um objectivo. A escrita? É mais que uma fuga. É paixão. O jornalismo regional e a imprensa online são os intermediários.

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