Oops! It appears that you have disabled your Javascript. In order for you to see this page as it is meant to appear, we ask that you please re-enable your Javascript!
EntrevistasLifestyleModa

A Moda… por Juliana Cavalcanti

Fui desafiada a dar continuidade à Área de Moda do Repórter Sombra. Um convite que me deixa muito honrada e feliz, primeiro por ser considerada e, em segundo lugar, porque me permite dar seguimento ao trabalho que já desenvolvo no meu blogue The Close Up.

O dilema da primeira entrevista foi grande. Tinha de ser uma entrevista vencedora, interessante, informativa e credível. O primeiro nome em que pensei foi Juliana Cavalcanti. Consultora de Moda, que deixou o calor de São Paulo, Brasil, para aterrar nesta fria Lisboa, já la vão seis anos. É uma mulher inspiradora, um símbolo de beleza e bom gosto, simpática, acessível e que, acima de tudo, sabe e percebe do que fala. Reflexo disso são as parcerias que desenvolve, o site com o seu nome que gere e que é espelho do seu trabalho e da máxima que adoptou há muitos anos “Fashion is my Profession”.

Para conhecer aqui no Repóter Sombra agora e para espreitar quando quiserem, em http://www.juliana-cavalcanti.com/

TF_entrevistajulianacavalcanti_1

Quem é a Juliana Cavalcanti?

Juliana Cavalcanti – Ui… uma pergunta muito difícil para quem se sente muitas coisas ao mesmo tempo! Mas acho que acima de tudo a Juliana é uma eterna “menina” no fundo, mas bastante determinada e com a ambição de viver muito bem a vida numa constante busca de auto-conhecimento e pessoas que acrescentem valor ao longo do caminho.

Como nasce a paixão e o talento para a Moda?

JU – Acho que ela nasce comigo. Literalmente. Desde as minhas primeiras memórias a moda está presente. E nasci numa família em que a moda não estava de todo presente. Por isso, acho mesmo que veio comigo. Digo que sou uma esteta por natureza. Depois, a parte do conhecimento veio com o interesse e experiências ao longo destes anos na área.

São Paulo, Londres e Lisboa. São boas cidades para se “estar na moda”?

JU – Acho que toda a cidade é uma boa cidade para quem gosta de moda. Quem faz a moda é cada um. Claro que se estamos falando de mercado e de ver esta energia de actualidade, variedade e constante transformação que a moda traz, daí talvez os grandes centros urbanos são as melhores referências para se “estar na moda” e conseguir acompanhar de perto o movimento deste universo tão dinâmico. Neste caso, estas cidades seriam boas, cada uma com a sua característica, com o seu perfil influenciado pela cultura local e dimensão. Afinal moda é um reflexo socio-cultural.

TF_entrevistajulianacavalcanti_4

A verdade é que escolheste Lisboa como tua casa. Tens saudades do Brasil?

JU – Sim, escolhi. Foi o acaso que me trouxe, mas não foi o acaso que me fez e faz ficar. Mas claro que tenho muita saudade do Brasil, acima de tudo da minha família, que tenho a sorte de ter a melhor do mundo! Mas nasci com qualquer coisa em mim que sempre me trouxe uma sensação de identidade maior com a Europa e nunca soube explicar o porquê. Nestas coisas acho que temos que seguir o instinto e estar onde nos sentimos assim. Mas claro que é um paradoxo para mim, uma dualidade constante entre a vontade de estar próxima da família e a sensação de identidade que sinto aqui.

O que te inspira na moda e na vida?

JU – As possibilidades. A diversidade. Me fascina e me motiva perceber que o mundo é tão rico em possibilidades por todos os lados. Que podemos escolher, que podemos mudar, podemos nos fascinar sempre com coisas diferentes. Amo sentir isso, ver e conhecer. Não gosto da inércia, é uma das coisas que mais me desanima, a falta de dinamismo, de transformação, o comodismo. E a moda é também tudo isso, um reflexo disso uma vez que ela é pura expressão humana, cultural.

TF_entrevistajulianacavalcanti_5

Costumas dizer que “Fashion is my profession”. É também uma filosofia de vida, uma forma de estar? Afinal de contas, o que é para ti estar na Moda?

JU – Na faculdade eu tinha um autocolante no meu carro que dizia esta frase, ganhei na própria universidade e tinha muito orgulho. Desde aí gosto de escrever e usar como parte de mim. Não sei se é uma filosofia de vida, mas é uma parte muito importante de quem eu sou. Sempre fui muito voltada para trabalho e acho que nós somos um pouco de tudo o que fazemos e o trabalho é uma grande parte, é onde estamos na maior parte do nosso tempo. Por isso temos mesmo que amar o que fazemos e vestir a camisa (ou camisola como dizem aqui), se não a vida se torna um peso sem sentido. E isso é para mim inaceitável. Por isso sim, Fashion is my Pofession, proudly!

E estar na moda, acho, que é uma frase sem uma definição. Para mim estar na moda está longe de seguir tendências ou acompanhar o que as grandes marcas apresentam. Estar na moda é ser genuíno, ser verdadeiro consigo próprio em todos os aspectos, é estar bem com esta verdade, com quem você descobrir que é. Estar na moda é estar à vontade na própria pele.

TF_entrevistajulianacavalcanti_2

E já agora, o que faz uma mulher ou um homem estar na moda?

JU – Acho que é um pouco do que eu disse acima, da relação de verdade consigo mesmo. Acho que estar na moda é ser genuíno, se conhecer e saber aquilo que quer, aquilo que gosta e estar confortável com isto. É também desta forma que uma pessoa descobre o seu estilo e estilo para mim é o que realmente tem importância nesta área. A moda vai e vem, é efémera. O estilo é quem somos mesmo, é eterno e faz parte do nosso ADN. Talvez então estar na moda é ser genuíno ao ponto de conhecer o seu estilo e adoptá-lo sem medo e sem vergonha do outro. E aceitar que cada um tenha o seu. Para mim, desde que seja verdadeiro, todo estilo é válido.

TF_entrevistajulianacavalcanti_6

Como analisas o panorama português nesta área?

JU – Sinto que Portugal tem desenvolvido cada vez mais a sua indústria nesta área e tenho muito orgulho nisso. Tenho visto mais dinamismo, mais ambição, mais vontade. Acho que o país tem tentado desenvolver o seu mercado de forma mais profissional, com base nos grande e bons exemplos dos gigantes da moda lá fora. Claro que a realidade aqui é diferente, é um país pequeno e naturalmente temos que levar em conta as proporções e o poder económico local. Mas dentro da realidade actual, sinto que há mesmo boas iniciativas de pessoas que querem mostrar que aqui há moda, há bons profissionais e há uma indústria de qualidade com potencial para mais. É nestas pessoas que me baseio e são elas que me dão motivação para acreditar e continuar trabalhando com vontade em Portugal.

Quais são as tuas referências na moda?

JU – Acho que não tenho grandes referências. Gosto de diversidade e de me inspirar em coisas novas sempre. Claro que tem sempre aquela marca que gostamos mais, que nos identificamos, ou aquela pessoa que tem um estilo que admiramos. Isto sem dúvida tenho e algumas (e sempre aparecem marcas e pessoas novas que me inspiram e me apaixono). Mas a palavra referência é para mim muito forte, então por isso prefiro dizer que as minhas referências são os bons exemplos de sucesso na moda, as marcas que fazem um bom trabalho, consistente, os profissionais talentosos e acima de tudo humanos, com dom não só para o que fazem, mas também para as pessoas, para o todo. Minhas referências passam por aí, pois deixo de admirar em um segundo o mais talentoso dos profissionais que não tenha respeito ou não saiba lidar com o outro, em qualquer posição que este outro esteja.

TF_entrevistajulianacavalcanti_7

Coco Chanel dizia “Fashion fades, only style remains the same”. Mais do que a Moda é a Atitude?

JU – Sim, sem dúvida. Acima de tudo para mim está o estilo, a atitude que a pessoa tem consigo e com o outro. O ser genuíno, se auto-conhecer para saber quem é e como se sente mais à vontade, mais feliz. É neste momento que a moda deixa de ser fútil e volátil para ser forte e eterna, para representar e reflectir o que somos de verdade.

Vários anos depois de estares a trabalhar em Lisboa nesta área, és uma referência de elegância e bom gosto. Se tivesses um conselho para dar qual seria?

JU – Em primeiro lugar, obrigada. Não acho que eu seja uma referência, como eu disse acho esta palavra muito forte… mas trabalhando nesta área, onde a realidade é que a imagem pessoa conta sim (temos que aceitar este facto e usar ao nosso favor), ouvir elogios sobre a sua forma de estar e se vestir é algo positivo e me deixa contente. E eu tento seguir esta linha que expliquei, do se conhecer e saber como me sinto eu, como me sinto melhor. Claro que estas coisas não vêm de repente, vêm com experiência, tempo, amadurecimento também. Por isso, se eu pudesse dar este conselho, seria exactamente este: para olhar para si sem medo e descobrir como se sente bem, qual é este estilo que reflecte quem você é. Genuinamente. Garanto que assim estamos tão à vontade na nossa pele e na forma de nos vestir, que se reflecte automaticamente na nossa atitude e nas nossas escolhas de forma mais harmoniosa.

TF_entrevistajulianacavalcanti_3

Para esta estação, que peças não vais dispensar?

JU – Como todo Inverno, os casacos e botas! E tudo o que for bem quentinho… sou uma friorenta assumida. Mas especialmente este Inverno veio com atenção total para estas duas peças, o que é óptimo! É o que chamamos de um Inverno “cozy” (confortável), com proporções maiores, casacos e malhas “oversize”, materiais quentes como muita lã em tricots com pontos largos, golas altas, cashmere, casacos que parecem verdadeiros cobertores… E as botas vêem tão compridas que passam da altura dos joelhos, com ou sem saltos, para o dia ou para noite. Para além das ankle boots que continuam em força em modelos diversos como anos 60 ou mais militar. Por isso, para me proteger do frio vou mesmo ter que investir nestas peças… (fora as outras todas que acabamos por não resistir…)

E para a próxima Primavera/Verão… o que se vai destacar?

JU – Sempre depois das semanas de moda ficam as especulações do que foi visto. Claro que o que realmente vira tendência depende sempre do consumidor, do que o mercado vai adoptar. As propostas foram apresentadas, vamos ver o que vai se tornar mais ou menos forte no gosto geral. Mas por enquanto eu aposto em algumas das milhares de tendências que vimos, como o militar (a cor caqui e formas militares), tecidos fluídos e leves (com ar hippie muito chique), inspiração zen com peças simples, com formas soltas em materiais naturais (como linho e algodão) e tons claros neutros, muito denim, muita estampa florida. Agora é ver para crer!

Referência para as fotografias:
Juliana Cavalcanti para Nude Fashion Store Look Book FW 2014
Fotografia de Isabel Saldanha
Styling de Filipe Carriço

Tags
Show More

Tatiana Figueiredo

Sou apaixonada pela palavra. Sou apaixonada pelo ser humano. Sou apaixonada pela vida. Escolhi ser jornalista e isso reflecte-se na minha forma de estar. Aos 32 anos já palmilhei algum caminho, já fui repórter em diversos programas na TVI, a casa que me viu nascer e crescer enquanto profissional. Há três anos descobri a blogesfera e criei o The Close Up, uma plataforma de entrevistas, lifestyle e tendências. Sou mulher, repórter, fotógrafa amadora, blogger. Um bom livro, música, cinema, sol e mar, um copo de vinho branco gelado e a perfeita companhia fazem as delícias desta ainda pequena vida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: