Oops! It appears that you have disabled your Javascript. In order for you to see this page as it is meant to appear, we ask that you please re-enable your Javascript!
CrónicasSociedadeSociedade

A Moda de ser Inteligente

Portugal é um país pequeno e periférico e a natureza, como sabemos, não nos beneficiou com aquilo que tem feito a riqueza fácil de outras nações, como o petróleo, o gás natural, ou metais preciosos. Embora nos tenha prodigalizado outros recursos, como o mar, que faz de Portugal um dos maiores territórios europeus, num tempo de crise como o que vivemos, em que exportação e internacionalização são palavras quase mágicas, no nosso país existem sempre semanas repletas de notícias, com chuva e novas administrações para novos bancos à mistura. É, portanto, necessário perceber o que esteve In, o que esteve Out e o que ficou de destaque pelo meio.

Vamos a isso?

Destaque

A internacionalização da moda portuguesa pode chegar dentro de poucos anos à América Latina e ao Oriente, mercados que acompanham com particular interesse o sucesso que a moda nacional tem vindo a granjear na Europa, designadamente em cidades como Paris, Londres e Viena, onde os estilistas portugueses marcam presença. Na semana em que o Portugal Fashion marcou presença com as novas colecções Primavera/Verão 2015 em Viena e Londres – dentro de dias, Paris –, Manuel Teixeira revela o interesse e também a ambição daqueles países em acolher as propostas dos estilistas nacionais. “Têm”, salienta, “uma enorme criatividade e uma grande capacidade em desenvolver produtos.”

Ancorado no sucesso do Portugal Fashion, Manuel Lopes Teixeira ambiciona chegar a outros mercados que considera potenciadores para Portugal, mas para já destaca apenas os três que, argumenta, “são mercados que manifestam muita curiosidade e em relação aos quais sentimos sinais muito grandes relativamente à moda feita no nosso país”. No entanto, para que estes destinos passem a fazer parte da rota da internacionalização da moda portuguesa, a ANJE, responsável pela organização do Portugal Fashion, tem ainda muito trabalho pela frente. Um projecto desta dimensão precisa de ser financiado por fundos comunitários e o próximo Quadro Comunitário de Apoio, denominado Portugal 2020, ainda não está definido.

Exemplo desta nova postura da Moda perante a internacionalização foi a colecção de Ricardo Preto, que levou à Semana da Moda da capital austríaca uma colecção de autor em que, por uma vez, deixou de lado os tons mais coloridos para apostar nos verdes, caqui, amarelos, cor de vinho e cor de tijolo. “É uma colecção onde procuro uma nova costura”, declarou aos jornalistas no final do desfile que decorreu numa tenda gigante, instalada em frente ao Musems Quartier Wien, no centro da cidade. Nesta colecção, surpreendeu ao mostrar peças de vestuário onde o tradicional xaile português bordado em tons coloridos ocupava grande destaque, numa homenagem ao seu país. O resto da colecção, feita em sedas italianas e francesas, tem peças alusivas às fardas do exército português, mas também dos exércitos belga e inglês.

É sempre positivo constatar que alguns países da América, que não têm barreiras alfandegárias como é o caso da Colômbia e do Canadá, têm demonstrado um enorme interesse para acolher a moda portuguesa e, no Oriente, o Japão tem dado sinais muito grandes relativamente à moda portuguesa. Pode ser que o próximo Quadro Comunitário de Apoio, denominado Portugal 2020, tenha estes sinais em mente.

Fava

Nos últimos meses, o Estado Islâmico, um grupo dissidente da Al Qaeda, montou uma campanha brutal na Síria e no Iraque, que lhe permitiu ganhar posições e conquistar enormes faixas de território. Com a meta de estabelecer um califado sunita, a luta do grupo de insurgentes imprimiu um grande sofrimento aos muçulmanos xiitas, maioria no Iraque, bem como a uma série de grupos minoritários, como os curdos e os cristãos.

À luz dos factos recentes, aqui fica um conjunto de números relacionados com o Estado Islâmico:

13.000 – É o número de milhas quadradas que, estima-se, estão sob o controlo do Estado Islâmico, numa faixa entre a Síria e o Iraque do tamanho da Bélgica. Outras estimativas sugerem que o Estado Islâmico controla uma área de, aproximadamente, 35.000 milhas quadradas.

1.922 – É o número de pessoas mortas no Iraque em Junho, de acordo com figuras do governo. É o mês mais mortífero desde Maio de 2007. As autoridades indicam que 1.39 civis, 380 militares e 149 policiais morreram. Outras 2.610 pessoas foram feridas – a maioria, civis.

30.00-50.000 – É o número de militantes a lutarem no Estado Islâmico, de acordo com uma estimativa recente do Dr. Hisham al-Hashimi, que estuda o grupo. Muitos ex-soldados iraquianos foram forçados a aderir ao movimento e outros foram recrutados na região e até em outros continentes.

5 – É o número de nações onde o Estado Islâmico se envolveu directamente em confrontos. No esforço de expandir as suas posses, os insurgentes atacaram soldados do Iraque, do Irão, do Líbano, da Síria e da Turquia. O grupo está, actualmente, a desenvolver uma grande ofensiva contra o exército árabe da Síria no nordeste do país, roubando grandes quantidades de munições em bases militares.

2.000.000.000 Dólares – É o valor aproximado do património, em dinheiro e em propriedades, do Estado Islâmico, de acordo com estimativas de especialistas em terrorismo. A meio da sua campanha mais significativa em Junho, os militantes do Estado Islâmico conquistaram a cidade de Mossul, saqueando centenas de milhões de dólares de bancos e obtendo outras centenas em artilharia do exército iraquiano.

3.000.000 Dólares – É a receita diária gerada apenas pelos recursos de óleo e gás do Estado Islâmico, aproximadamente. Militantes do grupo tomaram o controlo de campos de óleo e gás no norte do Iraque e da Síria e agora “controlam um volume de recursos e território nunca visto na história de organizações extremistas”, de acordo com Janine Davidson, do Conselho de Relações Exteriores.

3 – É o número fugas de prisões desencadeadas pelas forças do Estado Islâmico, nos últimos meses. Ao menos 1500 insurgentes foram libertados, incluindo líderes e especialistas em fazer bombas, entre outros militantes. Numa aparente resposta a estes incidentes, acusou a Human Rights Watch, as milícias xiitas e os soldados do exército iraquiano de executarem, ilegalmente, pelo menos 255 sunitas prisioneiros, em cinco massacres diferentes.

0 – É o número de cristãos praticantes que, acredita-se, restaram na cidade de Mossul, onde o Estado Islâmico tornou o cristianismo passível de pena de morte. Embora seja impossível saber se os militantes do Estado islâmico realmente expulsaram todos os cristãos da cidade, relatos recentes sugerem que todos os praticantes do cristianismo fugiram.

Pelo menos 500 – É o número de yazidis mortos até agora pelo Estado Islâmico no norte do Iraque. Um ministro do governo iraquiano disse à Reuters que militantes enterraram alguns yazidis ainda vivos, enquanto outros foram mortos em execuções em massa.

Pelo menos 300 – É o número de mulheres yazidi capturadas e tornadas escravas pelo Estado Islâmico, de acordo com o ministro dos direitos humanos do Iraque, Mohammed Shia al-Sudani. Sudani disse que teme que muitas vítimas sejam levadas para fora do país, o que tornaria o resgate ainda mais difícil. Relatos recentes também sugerem que pelo menos duas mulheres foram apedrejadas em público pelo Estado Islâmico.

1 – A questão que tenho: Para quando uma acção concertada para parar esta chacina?

Momento

Depois dos anúncios de novos produtos feitos pela Apple, muitos ficaram coma sensação (e afirmaram-no) de que a Apple de Tim Cook se transformou numa seguidora, em vez de se manter a líder que era. É fácil de compreender o que leva muitas pessoas a fazerem este raciocínio. Smartphones com 4.7’ e 5.5’ não são uma novidade, já que os smartphones com Android já têm estas medidas há anos. Pagamentos através do telemóvel é algo que a Google introduziu em Setembro de 2011, com o seu Wallet. O Apple Watch é apenas mais um aparelho a juntar a uma categoria que começa a ficar excessivamente competitiva (a Samsung lança um relógio quase todos os meses e a Google marcou território com a ajuda da Samsung, da LG e da Motorola).

A lição a retirar deste acontecimento é que chamar à Apple de “seguidora” é algo que apaga aquilo que a empresa sempre teve de melhor, que é a sua capacidade de desenvolver uma excelente usabilidade e envolve-la num design de topo e num interface inovador, de forma a criar um produto popular e que é capaz de gerar uma grande quantidade de dinheiro. A única razão que poderá fazer com que o iPhone 6 perca alguns clientes será o seu preço, já que, em termos de tamanho de ecrã, este já está a par com a concorrência e, no que toca ao sistema operativo, o iOS 8 irá trazer características que não existiam no Ios 7, apesar do Android já as apresentar. Só este facto deveria preocupar empresas como a HTC, que já se encontra com dificuldades em se estabelecer no mercado, e até mesmo a própria Samsung, que era a única marca a concorrer nos gadgets com ecrãs 5.5’ e superiores no continente asiático.

A Google Wallet já existe há anos, mas apenas nos Estados Unidos da América, conseguindo alcançar pouco mais de 50 mil downloads, funcionando apenas com o Mastercard e tendo de ser desbloqueada com um código Pin. As opiniões dos utilizadores atribuem-lhe uma média de 4.0, com um número elevado de utilizadores a atribuírem como pontuação o valor mais baixo – 1. Agora, chega a Apple, que fechou acordos com a American Express, a Visa e a Mastercard, e tem uma autenticação feita através da impressão digital. Ou seja, não é necessário um Pin, já que o dedo do utilizador irá desbloquear o processo de pagamento. É ainda possível adicionar cartões de pagamento, através de uma fotografia deles.

A Apple pode ser acusada de ser uma seguidora, sem ideias originais e de chegar tarde a alguns segmentos do mercado. No entanto, vezes sem conta, também demonstrou que a sua atenção para com a usabilidade pode conquistar clientes. O mais sensato, para já, é não riscar a Apple da equação, porque é uma seguidora que vai à frente dos demais.

Curiosidade

Existe um mito muito enraizado na nossa cultura que afirma que nós só usamos 10% da nossa capacidade cerebral. É este mito que está na premissa do novo filme de Luc Besson, Lucy, com Scarlett Johansson a representar o papel de uma mulher que tem uma overdose de uma droga criada para aumentar a sua capacidade intelectual em 100%. Os 10%, tal como Besson reconhece, é apenas um número sem grande significado. Persiste, não por ser verdadeiro, mas por capturar numa figura aquela sensação mesquinha de que podíamos estar a fazer mais com a nossa mente do que aquilo que estamos a fazer, caso soubéssemos como fazê-lo.

Para sermos mais inteligentes, temos de começar por decidir o que significa para cada um de nós a expressão “ser mais inteligente”. É senso comum que treinar a nossa mente, através de Palavras Cruzadas, ou do Sudoku, irá tornar-nos melhores a desempenhar determinadas tarefas. Existem também bastantes estudos que revelam que existem muitos benefícios em tratar-se o nosso cérebro como se fosse um órgão externo. Ou seja, fazendo muito exercício físico, ter uma dieta saudável, dormir bem e, talvez, meditar regularmente. Por exemplo, nos estudos realizados em ratos, o que levou a uma melhoria cognitiva não foram as actividades mentalmente estimulantes, mas sim correr em passadeiras.

Mudar um pouco a decoração da nossa casa e a forma como nos vestimos poderá ajudar. Se o que é importante para ti é aparentar ser inteligente, a Psicologia Social tem várias sugestões para ti: falar com confiança e de forma expressiva, sorrir em vez de estar sempre sério, usar óculos e usar uma inicial no meio do nome, como por exemplo Miguel F. Arranhado. Aparentemente, os estudos realizados indicam que este método leva as pessoas a considerar-nos mais inteligentes, quando reparam no nosso nome escrito.

Poucos temas são controversos na Psicologia como é este e muitos estudos indicam que, se chegarmos a ser campeões das palavras cruzadas, devemos continuar a fazê-las, mas só por diversão. Se pretendemos ficar mais inteligentes, devemos concentrar-nos em algo no qual não somos bons. Esta conclusão, de que, para o nosso cérebro se desenvolver mais, tem de se sentir desafiado, permite responder a uma questão muito normal nos dias que correm: Será que a tecnologia está a tornar-nos mais inteligentes, ou mais burros? A resposta é: Depende. Se for usada para impedir que façamos alguma tarefa cognitiva, poderá ter efeitos negativos, mas, caso seja usada para sermos expostos a novas informações e a novos conteúdos, então, ajuda-nos a evoluir cognitivamente falando.

Traduzindo: em vez de andarmos a saltar entre vários tópicos online, devemos escolher um e investir o nosso tempo nele, a estudá-lo. Pousem os vossos tablets e procurem alguns livros, ou outras pessoas que tenham os mesmos interesses. Tenta lembrar-te de factos, em vez de os pesquisares online. Tal como Einstein disse, “não devemos procurar atingir objectivos que sejam de fácil concretização. Devemos, sim, desenvolver a vontade de atingir algo que só pode ser alcançado, através de muito esforço.” E consta que este senhor era muito inteligente.

Tags

Miguel Arranhado

licenciado em ciências da linguagem, pela faculdade de letras da universidade de lisboa. editor no repórter sombra. amante das artes e da cultura. politólogo de sofá. curioso por natureza. fascinado pelas pessoas e pelo mundo. crítico. perfeccionista. maníaco por informação. criativo. e assim assim...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Back to top button

Adblock Detected

Please consider supporting us by disabling your ad blocker
%d bloggers like this: